Cotidiano | 07/01/2026 | Atualizado em: 07/01/26 ás 11:41

Pavarui Pavarelli: tradição milenar sobrevive em Massaranduba com fogo, fé e memória ancestral

Em Massaranduba, o Pavarui Pavarelli reuniu fé, tochas e tradição na véspera de Reis. A celebração ancestral foi mantida pela comunidade do 2º Braço do Norte com procissão, fogueira e missa.

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Pavarui Pavarelli: tradição milenar sobrevive em Massaranduba com fogo, fé e memória ancestral

Foto: Igreja N S Saúde/Massaranduba

Tradição milenar sobrevive em Massaranduba com fogo, fé e memória ancestral

Na véspera de Reis, uma pequena comunidade de Massaranduba manteve viva uma tradição com mais de dois mil anos de história. Na quinta-feira, 5 de janeiro, a Comunidade Nossa Senhora da Saúde, no 2º Braço do Norte, realizou mais uma edição do “Pavarui Pavarelli”, um ritual de origem europeia que une procissão de tochas, queima simbólica e celebração religiosa.

Com tochas acesas, os participantes caminharam até a fogueira preparada ao lado do cemitério local. Após a queima dos “sfrazeles” — feixes de galhos secos levados pelas famílias — foi celebrada a missa com o Terno de Reis. A participação foi carregada de significado, especialmente para os descendentes de imigrantes que chegaram à região de Massaranduba e Luiz Alves há quase 150 anos.

O ritual é uma herança dos povos do norte da Itália, especialmente da região do Vêneto. Lá, ele é conhecido como Pavarui ou Panevin, sendo celebrado todos os anos na véspera da Epifania. Originalmente, os fogos eram um ritual pagão de purificação e renovação para o novo ano. Com a cristianização, passou a simbolizar a iluminação do caminho dos Reis Magos até o Menino Jesus.

Na Itália, ainda hoje o sentido é mantido: acredita-se que a direção da fumaça e a forma como o fogo queima indicam como será o ano. Se a chama sobe forte e a fumaça vai para o alto, o ano será bom. Se o fogo for fraco e a fumaça baixa, sinal de dificuldades.

Linha do tempo da tradição

ÉpocaEvento
Século V a.C.Povos celtas e vênetos fazem fogueiras no solstício de inverno
Séculos IV–XIgreja cristianiza a tradição, ligando-a à Epifania
Fim do século XIXImigrantes trazem o ritual ao Vale do Itapocu
AtualidadeComunidades de Massaranduba e Luiz Alves mantêm o Pavarui Pavarelli vivo

Como isso impacta sua vida?

Em um mundo cada vez mais acelerado e desconectado das origens, rituais como o Pavarui Pavarelli mantêm vivas memórias, fortalecem laços comunitários e oferecem um espaço de espiritualidade coletiva. Mais do que uma tradição, é uma forma de preservar a história dos que vieram antes e projetar esperança para o futuro.

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Marcio Martins

Profissional da comunicação desde 1992, com experiência nos principais meios de Santa Catarina e no poder público. Observador, contador e protagonista de histórias, conheço Jaraguá do Sul como a palma da mão

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