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Primeiro emprego: veja as 6 habilidades mais valorizadas no mercado de trabalho em Jaraguá do Sul
O mercado de trabalho vive um período de transformação acelerada. Novas tecnologias surgem, profissões mudam e as empresas passaram a valorizar competências que vão além do conhecimento técnico. De acordo com um levantamento do LinkedIn, até 2030 cerca de 70% das habilidades exigidas para muitas funções no Brasil serão diferentes das atuais, impulsionadas principalmente pelo avanço da inteligência artificial.
Para entender como esse cenário se reflete no Vale do Itapocu e de que forma os jovens podem se preparar para o ambiente profissional, o JDV conversou com a professora mestre em Educação Profissional e Tecnológica, Suelen Corazza de Alice, do Senac Jaraguá do Sul.
Segundo ela, desenvolver habilidades comportamentais ainda durante os estudos pode aumentar as chances de conquistar um bom primeiro emprego e construir uma carreira mais sólida. Na prática, são competências podem ser desenvolvidas no dia a dia, dentro e fora da sala de aula.
“As empresas têm valorizado bastante o que chamamos de soft skills, que são essas habilidades comportamentais. Parte-se do princípio de que o conhecimento técnico pode ser aprendido ou até ensinado pelas próprias empresas, enquanto as habilidades comportamentais levam mais tempo para serem desenvolvidas”, explica.
Confira 6 competências que podem abrir portas no mercado de trabalho
1. Saber se comunicar e ouvir
A comunicação está presente em praticamente todas as etapas da vida profissional, desde a entrevista de emprego até o relacionamento com colegas, clientes e líderes. Saber ouvir, fazer perguntas, explicar uma ideia com clareza e respeitar diferentes pontos de vista pode abrir portas logo no início da carreira.
Segundo Suelen, essa é uma das habilidades comportamentais mais valorizadas pelas empresas. Ela explica que profissionais que se comunicam bem conseguem trabalhar de forma mais colaborativa, evitar ruídos no dia a dia e construir relações de confiança com mais facilidade.
Além do ambiente de trabalho, a professora lembra que essa competência pode ser desenvolvida ainda durante os estudos, em apresentações, trabalhos em grupo e projetos que desafiam os estudantes a dialogar, argumentar e defender ideias.
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2. Adaptabilidade e resiliência
O mercado de trabalho muda rapidamente. Novas tecnologias surgem, processos são atualizados e profissões passam por transformações constantes. Nesse cenário, adaptar-se passou a ser uma necessidade. E quem consegue acompanhar essas mudanças sem perder o foco tende a se destacar desde o primeiro emprego.
“O jovem que se destaca é aquele que consegue equilibrar o que a juventude proporciona, que são as novas ideias, estar antenado às novas tendências e não ter medo de inovar, com uma postura madura focada em resultados e amparada pelas habilidades socioemocionais”, afirma.
Na prática, isso significa estar disposto a aprender continuamente, aceitar novos desafios e enxergar as mudanças como oportunidades de crescimento, e não como obstáculos.
3. Inteligência emocional
Lidar com cobranças, trabalhar sob pressão e receber orientações fazem parte da rotina de qualquer profissão. Por isso, saber controlar as emoções e enxergar críticas como oportunidades de aprendizado pode fazer diferença logo no início da carreira.
Segundo Suelen, um dos erros mais comuns entre quem está entrando no mercado de trabalho é não saber receber feedback. “Muitas vezes, o excesso de confiança impede que o trabalhador receba uma avaliação de forma construtiva e, com isso, evolua”, explica.
Para a professora, desenvolver inteligência emocional ajuda o jovem a aprender com mais rapidez, fortalecer os relacionamentos no ambiente de trabalho e amadurecer profissionalmente desde os primeiros desafios.
4. Pensamento crítico, iniciativa e capacidade de resolver problemas
Ter iniciativa e saber encontrar soluções é uma característica cada vez mais valorizada pelas empresas. Mais do que executar tarefas, os profissionais precisam demonstrar interesse, disposição para aprender e autonomia para enfrentar os desafios do dia a dia.

A professora explica que um comportamento bastante comum entre quem está entrando no mercado de trabalho é o famoso “esperar ordens”. Muitos jovens esperam receber todas as orientações antes de agir, quando as empresas também valorizam quem demonstra iniciativa e interesse em contribuir.
“Evidentemente, o funcionário deve ser orientado quanto ao que se espera dele, mas tomar a iniciativa e se colocar à disposição, antecipando atividades, é um bom indicativo de interesse e boa disposição para o trabalho”, destaca.
Para a professora, essa postura pode compensar, inclusive, a falta de experiência profissional; o diferencial de um iniciante está na capacidade de aprender rapidamente e pensar em soluções. “No mercado atual, o diferencial para um iniciante é a atitude e a velocidade com que ele consegue aprender e resolver problemas”, afirma.
5. Trabalho em equipe
Saber trabalhar em equipe deixou de ser apenas uma característica desejável e passou a ser uma competência essencial em praticamente todas as profissões. Colaborar, dividir responsabilidades, ouvir opiniões diferentes e lidar com conflitos faz parte da rotina de qualquer ambiente profissional.
Segundo ela, essas habilidades podem ser desenvolvidas muito antes do primeiro emprego. Trabalhos em grupo, projetos escolares, atividades voluntárias e iniciativas desenvolvidas durante os estudos são oportunidades para colocar essas competências em prática.
“Aqui no Senac, por exemplo, esse é um dos nossos objetivos. Nossas aulas são preparadas pensando em desenvolver nos alunos as hard e as soft skills. Incentivamos os trabalhos em grupo, porque eles são a oportunidade perfeita para treinar liderança, divisão de tarefas e mediação de conflitos”, explica.
Além de contribuir para o desenvolvimento pessoal, essas experiências também ajudam o jovem a construir um currículo mais competitivo, especialmente quando ainda não possui experiência profissional.
6. Fluência digital e uso responsável da inteligência artificial
Os jovens de hoje cresceram em um mundo conectado. Acostumados a lidar com celulares, aplicativos e novas tecnologias desde cedo, muitos já chegam ao mercado de trabalho com uma vantagem importante: a fluência digital. E essa familiaridade representa um diferencial competitivo, segundo Suelen.
Nesse cenário, a inteligência artificial pode ser uma grande aliada para quem está começando a carreira. A professora considera a IA a maior transformação no mundo do trabalho desde o surgimento da internet.
“Ela funciona como um tutor particular disponível 24 horas por dia. É possível utilizá-la para expandir conceitos complexos, debater ideias, aprender a programar ou revisar textos em segundos”, explica.

Mas diante disso ela faz um alerta: usar a tecnologia de forma estratégica é diferente de depender dela para tudo. Desta forma, a IA pode ser tanto a maior alavanca de crescimento quanto a armadilha que vai estagnar a carreira. Isso porque quando o jovem utiliza a ferramenta apenas para copiar respostas prontas ou executar tarefas sem refletir sobre o conteúdo, acaba caindo no que ela chama de “terceirização do cérebro”.
Com isso, deixa de desenvolver justamente uma das competências mais valorizadas pelas empresas: a capacidade de pensar criticamente, aprender com autonomia e resolver problemas.
Mercado busca atitude
Embora a falta de experiência seja um desafio para muitos jovens, Suelen acredita que a atitude pode fazer diferença na conquista da primeira vaga. Projetos desenvolvidos na escola, cursos, trabalhos voluntários e o domínio de ferramentas digitais ajudam a mostrar aos recrutadores que o candidato está disposto a aprender e assumir responsabilidades.
“Como o jovem não tem experiência, é importante que ele tenha projetos, algo para dizer que resolveu ou realizou. Esses trabalhos também podem fazer parte do currículo”, destaca.
Na região de Jaraguá do Sul, as oportunidades continuam concentradas principalmente nos setores industrial, tecnológico, logístico e de serviços especializados. Para a professora, mais do que um currículo bem elaborado, as empresas procuram jovens que demonstrem curiosidade, iniciativa e vontade de crescer profissionalmente.
Como isso impacta sua vida?
Para quem pretende conquistar o primeiro emprego, desenvolver essas habilidades pode aumentar as chances de contratação e facilitar o crescimento profissional. Mais do que um bom currículo, as empresas buscam jovens dispostos a aprender, trabalhar em equipe, resolver problemas e acompanhar as mudanças do mercado de trabalho.
Gabriela Bubniak
Jaraguaense de alma inquieta e jornalista apaixonada por contar boas histórias. Tenho fascínio por livros, música e viagens, mas o que me move é viver a energia de um bom futsal na Arena e explorar o que há de melhor na nossa terrinha.