Economia | 12/05/2026 | Atualizado em: 12/05/26 ás 18:13

Recepcionistas, contadores, telemarketing e mais: estudo do Governo de SC revela as profissões catarinenses mais vulneráveis à inteligência artificial

Levantamento inédito da Seplan mapeia 1,24 milhão de catarinenses em ocupações expostas à IA generativa e indica quais funções têm maior risco de automação

PUBLICIDADE
Recepcionistas, contadores, telemarketing e mais: estudo do Governo de SC revela as profissões catarinenses mais vulneráveis à inteligência artificial

Ponte Hercílio Luz e a transformação digital do trabalho catarinense pela inteligência artificial

Resumo completo

Trabalhadores expostos em SC: 1,24 milhão, ou 27,6% dos ocupados

Em alto grau de exposição: 464 mil pessoas (10,3% do total)

Profissões mais vulneráveis: escriturários, recepcionistas, contadores, operadores de telemarketing e analistas financeiros

Quem está menos exposto: pedreiros, agricultores, trabalhadores domésticos e operadores de máquinas de costura

Perfil mais afetado: mulheres, jovens de 14 a 24 anos e trabalhadores com ensino superior

Fonte: Boletim Trimestral de Indicadores do Trabalho, Seplan/SC, com base na PNAD Contínua do IBGE (4º trimestre de 2025)

A inteligência artificial generativa deixou de ser pauta de futuro e virou variável concreta do mercado de trabalho catarinense. Um levantamento inédito da Secretaria de Estado do Planejamento (Seplan) mostra que 1,24 milhão de trabalhadores em Santa Catarina, o equivalente a 27,6% da população ocupada, já atuam em profissões expostas, em algum grau, ao avanço da tecnologia.

O estudo integra o Boletim Trimestral de Indicadores do Trabalho referente ao quarto trimestre de 2025 e replica, com dados catarinenses, uma metodologia desenvolvida pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). É a primeira vez que esse recorte é aplicado ao mercado estadual.

Mãos masculinas digitando em teclado de notebook MacBook Pro sobre as pernas, com tela mostrando documento de texto em ambiente de trabalho.
Trabalho administrativo em notebook: profissões de escritório lideram exposição à IA em SC

Como o estudo classifica a exposição

A metodologia não trata a IA generativa como substituta direta do trabalhador. Ela mede, ocupação por ocupação, qual fração das tarefas executadas no dia a dia pode ser automatizada por ferramentas como geração de texto, análise de dados, reconhecimento visual e integração com sistemas.

A partir disso, as profissões foram classificadas em seis níveis: não expostas, exposição mínima e os gradientes 1 a 4, que vão do impacto moderado ao mais intenso. Em Santa Catarina, 54,5% dos ocupados estão em funções não expostas e 17,1% em exposição mínima. O grosso dos atingidos, 17,3% do total, está nos gradientes 1 e 2, onde a tecnologia tende a complementar tarefas em vez de eliminá-las.

As profissões mais vulneráveis no estado

O grupo de alta exposição, gradientes 3 e 4, concentra 464 mil trabalhadores catarinenses, 10,3% dos ocupados. Nesta faixa, a maior parte das tarefas tem alto potencial de automação e pouca variabilidade, o que significa risco real de transformação ou enxugamento das vagas.

As cinco maiores ocupações do gradiente 4, o mais crítico, são escriturários gerais (198,6 mil pessoas), vendedores por telefone (15,8 mil), analistas financeiros (11,5 mil), trabalhadores de contabilidade e cálculo de custos (10 mil) e profissionais de serviços estatísticos, financeiros e de seguros (6,5 mil). Só os escriturários representam 78,3% desse gradiente.

No gradiente 3, aparecem recepcionistas em geral (36,4 mil), contadores (30,7 mil), profissionais de publicidade e comercialização (27,4 mil), secretários e secretários executivos. São funções administrativas, de atendimento e de processamento de dados, áreas em que ferramentas de IA generativa já operam com desempenho competitivo.

Homem em escritório corporativo observa monitor com interface de chatbot de inteligência artificial, com mãos apoiadas no queixo em postura de leitura.
Trabalhador de escritório usa ferramenta de inteligência artificial em SC: cenário avança no mercado catarinense

Quem está menos exposto

No outro extremo, 2,44 milhões de catarinenses estão em ocupações não expostas. As cinco maiores categorias são pedreiros (129,7 mil), agricultores (123,4 mil), trabalhadores dos serviços domésticos (118,6 mil), operadores de máquinas de costura (105,4 mil) e trabalhadores de limpeza (99,1 mil).

São funções com forte componente físico, manual ou sensorial, características que dificultam a automação por ferramentas baseadas em linguagem. O dado também sinaliza que o setor da construção civil e a agricultura, dois pilares econômicos do estado, seguem relativamente blindados no curto prazo.

Quem é o trabalhador catarinense mais afetado

O estudo rompe com um padrão histórico das transformações tecnológicas. Em vagas mecanizadas anteriores, os mais atingidos eram trabalhadores de menor qualificação. Agora, a IA generativa atinge mais intensamente quem tem mais escolaridade.

Entre catarinenses com ensino superior incompleto, 25,4% estão em ocupações de alta exposição. Entre os com superior completo, 16,8%. Já entre quem tem fundamental incompleto, o índice cai para 5,7%.

O recorte por gênero também é desigual. Entre as mulheres ocupadas no estado, 15% estão em funções altamente expostas. Entre os homens, 6,6%, menos da metade. A explicação está na maior concentração feminina em atividades administrativas, secretariado, atendimento e funções de escritório, justamente as áreas mais afetadas.

Por faixa etária, jovens de 14 a 24 anos lideram a exposição, com 19,3% em gradientes 3 e 4. A proporção cai conforme a idade avança e chega a 4,6% entre os trabalhadores com 60 anos ou mais.

A geografia da exposição em Santa Catarina

A concentração de trabalhadores expostos não é uniforme no estado. Na Região Metropolitana de Florianópolis, 13,5% dos ocupados estão em alta exposição, índice acima da média estadual. Considerando apenas a capital, o número sobe para 15,8%.

Já fora da Grande Florianópolis, onde estão Jaraguá do Sul, o Vale do Itapocu e a maior parte das cidades industriais do estado, a proporção em alta exposição cai para 9,8%. O perfil produtivo da região, mais voltado à indústria de transformação e ao trabalho qualificado em chão de fábrica, ajuda a explicar a diferença.

No recorte setorial, o setor de informação, comunicação e atividades financeiras lidera a exposição: 27,4% dos trabalhadores estão em alto grau. Administração pública aparece em seguida, com 24,7%. A indústria geral, base da economia jaraguaense, tem 7,5% em alta exposição, abaixo da média estadual.

Dois recepcionistas trabalham em balcão de atendimento, mulher atende telefone enquanto homem opera computador ao fundo.
Recepcionistas estão entre as profissões mais expostas à inteligência artificial em Santa Catarina – Foto: rodrigo_salomonhc / Pixabay

Por que SC pode sair melhor desta transição

Apesar do volume expressivo de expostos, o estudo aponta condições favoráveis pra que a IA generativa funcione como ferramenta de produtividade, não como força de substituição. A maior parte dos 1,24 milhão de catarinenses expostos, 62,6%, está em gradientes 1 e 2, onde a tecnologia complementa tarefas em vez de eliminar postos.

Para que esse cenário se concretize, duas condições precisam ser atendidas: acesso à internet e capacidade de operar as ferramentas. No primeiro quesito, Santa Catarina tem 96,5% dos domicílios conectados, contra 93,6% da média nacional.

Segundo o secretário de Planejamento, Arão Josino, “o perfil do mercado catarinense ajuda a explicar esse comportamento. O estado reúne uma força de trabalho diversificada e qualificada, além de infraestrutura digital consolidada. Esses fatores criam um ambiente favorável à rápida adoção de tecnologias emergentes”.

Notícias de Jaraguá no seu WhatsApp Fique por dentro de tudo o que acontece na cidade e região.
Entrar no Canal

Max Pires

Já criei blog, portal, startup… e agora voltei pro que mais gosto: contar histórias que fazem sentido pra quem vive aqui. Entre um café e um latido dos meus cachorros, tô sempre de olho no que importa pra nossa cidade.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
Hospedagem por ServerDo.in
©️ JDV - Notícias de Jaraguá do Sul e região - Todos os direitos reservados.
wesdev.com.br