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Sul é a segunda região em locais de exploração sexual infantil

De 2011 até o primeiro semestre de 2019, o país registrou cerca de 200 mil notificações de abusos sexuais, segundo a Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos

24/05/2021

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Jornalista apaixonada por cultura e segurança pública

Sul é a segunda região em locais de exploração sexual infantil

A conselheira tutelar Fabiana Dallagnolo participou da sessão da última terça-feira (18) na Câmara de Vereadores de Jaraguá do Sul, para falar sobre o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. A vereadora Nina Santin Camello lembrou que esta data foi escolhida por conta da brutalidade sofrida pela jovem Araceli, na cidade de Vitória, no Espírito Santo, em 1973, quando a menina de oito anos foi estuprada, espancada e morta.

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Para a vereadora, é inadmissível que ainda hoje existem casos de abusos e exploração infantil. Ela adverte que é assustador pensar que Jaraguá do Sul tem dois abrigos de passagem que acolhem crianças e adolescentes retiradas de suas famílias por conta de maus tratos e abusos.

Fabiana, que também é psicóloga, trouxe dados para mostrar porque o Brasil é o segundo país com mais casos de violência sexual infanto-juvenil – superado apenas pela Tailândia. De 2011 até o primeiro semestre de 2019, o país registrou cerca de 200 mil notificações de abusos sexuais, segundo a Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos (Disque 100).

Ela lembra que esse número é subnotificado, ou seja, há muito mais casos que não são registrados pelas autoridades. Segundo a conselheira tutelar, apenas 10% dos casos são comunicados. Isso quer dizer que o número real de abusos e exploração de crianças e adolescentes pode chegar a 2 milhões de casos, no período mencionado.

Fabiana também trouxe um estudo da Polícia Rodoviária Federal (PRF) que, entre 2019 e 2020, mapeou 3.651 locais em rodovias brasileiras considerados de vulnerabilidade para exploração infantil. E 470 desses pontos são considerados de alta criticidade.

Conselheira adverte para que situação não chegue à região

A psicóloga e conselheira tutelar Fabiana disse que 60% desses locais estão em áreas urbanas, majoritariamente em pátios e postos de combustíveis à beira de rodovias, com péssimo sistema de iluminação, uso de drogas e ocorrência de prostituição adulta. Fabiana também fez um alerta para os municípios da região do Vale do Itapocu por conta da duplicação da BR-280 e da expansão de outras rodovias, o que pode trazer, como efeito colateral, o aumento de locais propensos a ocorrências de exploração infantil.

Por fim, Fabiana expôs os canais que servem para denúncias e de vigilância como o Disque 100, o aplicativo Proteja Brasil, unidades de saúde, polícia, Ministério Público e os serviços de assistência social como conselhos tutelares, Creas e Cras. Esses são os canais que a população pode usar para denunciar e pedir ajuda.

A conselheira finalizou lembrando que não é apenas durante o mês de maio e nem somente no dia 18 que a sociedade precisa ficar atenta a essa questão.

“A infância é uma fase fundamental para o desenvolvimento humano e todos os eventos traumáticos vão repercutir no futuro”, adverte.

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