Tanto faz | 25/02/2026 | Atualizado em: 25/02/26 ás 15:07

Café Confusão: 15 curiosidades da casa que lançou a cena eletrônica em Jaraguá do Sul

No prédio histórico da Max Wilhelm, o Café Confusão marcou os anos 90 e mudou a noite de Jaraguá do Sul.

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Café Confusão: 15 curiosidades da casa que lançou a cena eletrônica em Jaraguá do Sul

Foto: Arquivo histórico | Casarão da Rua Max Wilhelm, antiga sede do Café Confusão em Jaraguá do Sul

Quem lembra do Café Confusão em Jaraguá do Sul? Ele funcionou entre o final dos anos 1990 e o início dos anos 2000 no casarão da Rua Max Wilhelm, que hoje está incorporado ao Fort Atacadista.

Durante aquele período, a casa se tornou referência cultural ao criar um espaço exclusivo para música eletrônica quando ainda não existia nada semelhante na cidade.

Comandada pela Rossele Gianesini e pelo proprietário do Bali Hai, Julian Olsen, o Café Confusão era mais do que uma casa noturna e marcou uma geração, influenciou comportamentos e ajudou a consolidar uma nova identidade para a noite jaraguaense em um momento de transformação cultural.

Foto: Arquivo Pessoal

Confira 15 curiosidades históricas do Café Confusão em Jaraguá do Sul

1. Funcionava em um prédio tombado pelo patrimônio histórico

O Café Confusão ocupava um casarão tradicional da Rua Max Wilhelm, construção reconhecida como patrimônio histórico do município. A arquitetura antiga, com paredes largas e estrutura imponente, contrastava com a modernidade da proposta musical e estética da casa.

Esse encontro entre passado e vanguarda criava uma atmosfera única. Quem frequentava não entrava apenas em uma balada, mas em um espaço que carregava história na estrutura e inovação no conteúdo.

Hoje, no local em que está instalado o casarão, é o Fort Atacadista. A paisagem urbana mudou, mas a memória daquele endereço segue viva para quem viveu aquela fase da cidade.

2. Foi símbolo cultural do fim dos anos 90

O Café Confusão surgiu em um momento em que a música eletrônica ganhava força no Brasil e começava a se espalhar para além das capitais. Em Jaraguá do Sul, ainda não havia um espaço estruturado para esse estilo.

Entre o final dos anos 1990 e o início dos anos 2000, a casa virou ponto de encontro fixo da juventude local. Fez parte da identidade geracional da época.

A cidade vivia um período de transição cultural, e o Café Confusão se tornou parte ativa dessa mudança.

3. O nome seguiu uma tendência nacional da época

Naquele período, era comum casas noturnas adotarem nomes iniciados por “Café”. Exemplos como Café Pinhão e Café São Roque mostravam que a palavra estava associada à modernidade, sofisticação e conceito urbano.

O “Café” conectava a casa a essa tendência nacional. Já o “Confusão” nasceu da própria estrutura do casarão: a escada interna era estreita e os sócios brincavam que aquilo inevitavelmente daria confusão com o fluxo de pessoas.

O nome acabou sintetizando o espírito da casa: organizado no propósito, mas intenso na experiência.

4. Criou expectativa nas rádios antes de abrir

Antes da inauguração, a cidade começou a ouvir repetidamente a frase “Calma, muita calma” em rádios e anúncios impressos. A campanha não revelava o que estava por trás da mensagem.

A estratégia despertou curiosidade e gerou especulação. O público comentava, tentava descobrir do que se tratava e aguardava algo novo.

Quando finalmente abriu as portas, o Café Confusão já era assunto na cidade.

5. O Inferninho foi o primeiro espaço exclusivo de eletrônica em Jaraguá

No segundo piso funcionava o “Inferninho”, um ambiente dedicado exclusivamente à música eletrônica. Até então, Jaraguá do Sul não tinha uma casa noturna com espaço fixo voltado apenas para esse gênero.

O Café Confusão foi pioneiro ao reservar um ambiente inteiro para a batida eletrônica. O espaço ficava completamente lotado e se tornou ponto central da noite.

Ali, a música eletrônica deixou de ser apenas tendência importada e passou a ganhar identidade própria na cidade.

Foto divulgação

6. Prodigy e Chemical Brothers ecoavam no segundo piso

No Inferninho tocavam sons de The Prodigy e The Chemical Brothers, referências globais do eletrônico nos anos 1990.

Para muitos frequentadores, aquele foi o primeiro contato intenso com essas sonoridades dentro de um ambiente estruturado para isso em Jaraguá do Sul.

O repertório ajudou a formar gosto musical, criar repertório cultural e consolidar a cena eletrônica local.

7. Foi palco da primeira vez do Dazaranha na cidade

O Café Confusão também entrou para a história por ser o local onde Daranha tocou pela primeira vez em Jaraguá do Sul.

O episódio reforça o papel da casa como espaço de abertura e consolidação de trajetórias ligadas à música. O espaço ajudava a criar momentos que se tornaram parte da memória cultural da cidade.

8. O poste de bombeiro virou parte da experiência

Do segundo piso, onde ficava o Inferninho, saía um poste de bombeiro que ligava os ambientes. O elemento acabou incorporado à dinâmica da casa e se tornou atração à parte.

O uso frequente exigia atenção constante da equipe de segurança. Era mais um detalhe que ajudava a transformar a experiência da noite em algo diferente do padrão tradicional.

9. A Festa Malagueta virou fenômeno

Entre tantas noites lotadas, a Festa Malagueta ficou marcada como uma das mais emblemáticas da casa. O evento se destacou em público e repercussão, consolidando o Café Confusão como referência na noite jaraguaense.

A festa ajudou a construir a reputação da casa como espaço de intensidade e criatividade.

10. A “bomba de veneno” virou símbolo da irreverência

Um pulverizador adaptado era usado para servir shots diretamente na boca dos clientes. A proposta inusitada reforçava o clima irreverente e experimental da casa.

O detalhe virou marca registrada e ainda é lembrado como uma das experiências mais peculiares do Café Confusão.

Arquivo pessoal Rossele Gianesini

11. A cadeira giratória virou ritual coletivo

Outra tradição era o shot servido em uma cadeira giratória. O momento se transformou em espécie de ritual entre frequentadores, criando memória coletiva e identidade própria.

Esses estes pequenos rituais ajudavam a transformar a noite em experiência compartilhada.

12. A cabine do DJ foi montada sobre uma banheira

O Inferninho nasceu da adaptação de um antigo banheiro. A parede foi quebrada e a cabine do DJ instalada sobre uma banheira.

A solução improvisada refletia criatividade e ousadia. Era o exemplo claro de como o espaço físico era transformado para atender à proposta cultural da casa.

Arquivo pessoal Rossele Gianesini

13. Performances e fantasias faziam parte das noites

As festas contavam frequentemente com pessoas fantasiadas e intervenções artísticas, como malabares. A proposta era ampliar a experiência sensorial e transformar a noite em espetáculo.

Para a época, esse formato ainda era incomum na cidade e ajudou a posicionar o Café Confusão como espaço inovador.

Arquivo pessoal Rossele Gianesini

14. Havia colocação de piercing e tatuagem de henna

O lugar também abria espaço para colocação de piercing e tatuadores que trabalhavam com henna. A proposta ampliava o conceito de entretenimento ao misturar música, estética e comportamento.

A experiência não terminava na pista de dança. Ela se estendia para expressão individual e identidade visual.

Foto Max Pires

15. A madrugada terminava com café da manhã

Para quem atravessava a noite inteira, a casa servia café da manhã em um lounge reservado. O gesto reforçava a ideia de convivência e pertencimento.

A experiência começava com música e terminava com conversa, marcando o encerramento de noites que atravessaram o fim dos anos 1990 em Jaraguá do Sul.

Cantor Maurício Manieri em noite no Café Confusão

Como isso impacta sua vida?

O Café Confusão ajudou a estruturar a cena eletrônica em Jaraguá do Sul quando ainda não havia espaço para ela na cidade. Funcionando em um prédio histórico e apostando em inovação cultural, a casa marcou uma geração e influenciou comportamentos. Relembrar essa história é entender como movimentos culturais locais moldam a identidade de uma cidade e permanecem vivos na memória coletiva mesmo décadas depois.

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Max Pires

Já criei blog, portal, startup… e agora voltei pro que mais gosto: contar histórias que fazem sentido pra quem vive aqui. Entre um café e um latido dos meus cachorros, tô sempre de olho no que importa pra nossa cidade.

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