Histórias e fotos raras mostram como era o lendário Chopp e Club de Jaraguá do Sul
Chopp e Club marcou gerações com festas lotadas, shows nacionais e histórias inesquecíveis em Jaraguá do Sul.
Fachada clássica e momentos inesquecíveis: a essência do Chopp e Club de Jaraguá do Sul reunida em uma imagem.
Durante três décadas, o Chopp e Club foi uma das casas mais badaladas quando se falava em diversão noturna em Jaraguá do Sul. Localizado no bairro Água Verde, o espaço marcou gerações. Ao longo dos anos ficou conhecido por suas pistas lotadas nos fins de semana, bailes tradicionais e shows de artistas nacionais.

Um dos principais palcos da vida noturna local
O clube começou suas atividades em julho de 1993. Na época, recebeu o nome “Schopping Club”, escolhido por ser o sobrenome do fundador, Orácio Schopping. Tempos depois, passou a se chamar Chopp e Club, nome que o acompanhou até os últimos eventos.
A casa comportava mais de 3 mil pessoas. Por isso, em seu auge, chegou a operar com três pistas simultâneas: a pista 1 (Bailão), a pista 2 (Mak Som, voltada ao nacional) e a pista 3 (Boate, focada na música internacional e eletrônica). O mezanino superior era aberto nos eventos maiores, reforçando a estrutura para receber multidões.

Bastidores e exclusividades
Os bastidores da casa também ajudavam a construir sua reputação. Segundo DJ Mário Jr., que tocou no Chopp e Club por quase uma década, os contratos com bandas eram feitos com base na confiança, e exigiam exclusividade para apresentações na cidade.
“Além disso, teve grupo que pediu pelo amor de Deus pra voltar. Mas o Orácio era firme, deixava dois anos fora. Era do jeito dele, e isso funcionava”, relembra o DJ, filho do gerente da casa, Tota.

Os grandes shows se concentravam na pista do Bailão, onde aconteciam as apresentações mais esperadas. No auge da cena gaúcha e sertaneja, o Chopp e Club chegou a trazer Garotos de Ouro, Tchê Garotos, João Luiz Corrêa, Os Monarcas, Os Serranos, entre outros, muitas vezes em apresentações mensais.
Conteúdos em alta
A Tchê Garotos, inclusive, chegou a ser considerado banda da casa. Mário conta que a letra de “Ajoelha e Chora” uma das canções mais famosas do grupo teria sido escrita nos bastidores da Sociedade Vitória, onde os Bailes de domingo também era organizados pela equipe do Chopp e Club.
Uma casa que se atualizava com as tendências
A partir dos anos 2000, o clube passou a diversificar sua programação com shows de funk, pagode e pop nacional, acompanhando as transformações do gosto do público jovem. As pistas 2 e 3 recebiam artistas em alta no cenário brasileiro, além de DJs com repertório variado, que iam de dance music a sertanejo universitário.
Por exemplo, entre os shows de maior repercussão, Mário destaca a apresentação da banda Rouge, grupo feminino vencedor do reality “Popstars”, sucesso em todo o país com o hit “Ragatanga”. “Naquela noite, a casa estava lotada e muita gente queria uma foto com elas. Tenho até registro com elas quando era pequeno”, conta.
Também marcaram presença nomes como Reação em Cadeia, Bonde do Forró, Luiz de Mandini, Gino & Geno, Rick & Renner, Rionegro & Solimões, Gilberto & Gilmar, Teodoro & Sampaio, e até o fenômeno Bruno & Marrone, que fez uma das apresentações mais emblemáticas no estacionamento do clube.

A estrutura, os bastidores e o público
O clube era frequentado por gente de todos os perfis sociais, do operário ao empresário; o Chopp e Club virou ponto de encontro da cidade. Mário Jr. relembra que, nos fins de festa, era comum ver personalidades locais passando por lá.
Nos bastidores, o clube mantinha um ritmo de funcionamento intenso. Os DJs chegavam antes das 21h, limpavam os equipamentos, testavam iluminação e organizavam o set da noite. Os DJs traziam muitos hits exclusivos que “só tocavam no Chopp, trocados entre DJs via MSN ou trazidos por selos como o Planeta Mix, de Joinville.

A exemplo de outras casas da época, o Chopp e Clube também disponibilizava ônibus com saídas de diversos bairros, para facilitar o deslocamento do público, especialmente para quem não tinha carro. Os mesmos ônibus retornavam ao ponto de origem no fim de cada evento. As rádios anunciavam o transporte com a tradicional chamada: “com ônibus nos horários e locais de costume”.
A face solidária do Chopp e Club
O clube também organizava eventos com entrada social, trocando o ingresso por 1 kg de alimento. Em datas especiais, as filas dobravam a BR e chegavam a ultrapassar a antiga loja Carinhoso. Os alimentos arrecadados eram repassados a igrejas, comunidades e instituições beneficentes.
Um desses eventos entrou para a história com as três pistas completamente lotadas, comprovando a força que o clube ainda tinha mesmo nos anos finais.
Fim de uma era, e lembranças que resistem ao tempo
Orácio vendeu o Chopp e Club no fim de 2023, encerrando oficialmente suas atividades após anos de história. A estrutura foi desmontada, mesmo assim, o legado permanece nas lembranças, nos registros e nas vozes de quem fez parte dessa trajetória.

Mário Jr., DJ residente por anos, cresceu literalmente dentro do clube. Era filho do Tota, gerente que esteve à frente da casa desde o início até os últimos anos. Ele resume com emoção: “Cresci lá dentro. Levei minha bicicleta pelas pistas, aprendi a tocar, entrei no rádio. O Chopp fez parte da minha vida.”

E uma lembrança especial eterniza a essência do lugar:
“Isso aqui é a galera que se reunia nos fundos do Chopp. Tinha uma área de festa do Orácio, onde ele juntava o pessoal no meio da semana, antes dos eventos, ou até durante. Era meia-noite, uma da manhã, e estavam ali: o Cebolinha, o Ideraldo da Belmec, o Tito do Tartella, meu pai com a camisa do Chopp Clube… Alguns já não estão entre nós. Era uísque, carne e amizade rolando enquanto a festa acontecia lá dentro.”
Como isso impacta sua vida
O resgate da história do Chopp e Club ajuda a preservar a memória afetiva de Jaraguá do Sul, valorizando os espaços culturais que marcaram época. Relembrar essas histórias é também reconhecer a importância de lugares que ajudaram a formar gerações, fortalecer amizades e impulsionar o cenário musical local.
Para muitos, o Chopp e Club foi mais do que uma casa noturna, foi parte da juventude, do convívio e da identidade jaraguaense.







































Max Pires
Já criei blog, portal, startup… e agora voltei pro que mais gosto: contar histórias que fazem sentido pra quem vive aqui. Entre um café e um latido dos meus cachorros, tô sempre de olho no que importa pra nossa cidade.