Colunistas | 14/04/2026 | Atualizado em: 14/04/26 ás 14:25

[Opinião] Tolerância zero: em que medida você sustenta a corrupção?

PUBLICIDADE
[Opinião] Tolerância zero: em que medida você sustenta a corrupção?

Foto: Pexels

“It’s the edge of the world/ And all of Western civilization/ The Sun may rise in the East/ At least it settled in a final location/ It’s understood that Hollywood sells Californication “ (Californication; Red Hot Chili Peppers)

Muita gente defende a política de “tolerância zero” para combate à criminalidade. Mas, normalmente, as pessoas médias, quando se referem a isso, pensam em crimes de pé-de-chinelo ou, eventualmente, crimes de políticos (a não ser que sejam os próprios políticos). É comum que quem defenda “tolerância zero” não se sinta atingido por ela, ou que se sinta acima do bem e do mal nesse aspecto.

Tolerância zero, por si só, não funciona, a não ser que você queira punir só os pobres e não se preocupe em combater as raízes do problema.

Janelas quebradas

Muita gente se baseia na Teoria das Janelas Quebradas para justificar a política de tolerância zero. Eu acredito nessa teoria, mas não como fundamento para uma política policial ou criminal de tolerância zero. Essa política atinge, em regra, apenas pequenos delitos, o que dá uma sensação (sensação!) de segurança. Acontece que ela não se perpetua e nem escala. Grandes bandidos e grande esquemas de corrupção continuarão. Por que? Cada um que tire sua conclusão.

Na minha opinião, só há uma possibilidade de a política de tolerância zero funcionar e atingir todos sem diferença de cor, sexo, idade e status social: no trânsito.

Moro em uma cidade que se vangloria pelos baixos índices de criminalidade, e isso é muito bom, de verdade! Mas os motoristas aqui são muito mal-educados ou incompetentes ou ambos. É vergonhoso, para dizer o menos. Travam o trânsito no lado mais rápido da via, bloqueiam cruzamentos, estacionam em lugares proibidos “pois é rapidinho”, desrespeitam velocidade, param em ciclofaixas, não param em faixas de pedestres, não respeitam filas, e por aí vai…

Se houvesse um sistema, e há de haver, que captasse todas essas infrações em tempo real e multasse cada um desses infratores, em pouco tempo a cidade ficaria mais urbana, civilizada e gentil, e as pessoas menos estressadas.

Folgados

As pessoas estão ficando folgadas. E o trânsito é um bom (mau) exemplo disso. Vou repetir: param em qualquer lugar proibido, trancam trânsito, são desrespeitosas, utilizam duas vagas de estacionamento no supermercado. Na mesma linha, essa onda de bicicletas elétricas ou ciclomotores invadindo ciclofaixas, calçadas e ruas, sem qualquer observância das normas de trânsito e provocando cada vez mais acidentes. Pedestres que não respeitam os sinais semafóricos. Um caos. Mas está tudo certo, parece que poucos ligam.

Ocorre que essa folga e essa displicência com a lei é combustível para as próximas gerações. Filhos que aprendem com seus pais que está tudo bem estacionar no local reservado ao idoso, ou trancar o trânsito no cruzamento, ou ignorar a faixa de pedestres. Eles são espelhos e esponjas, não se esqueçam. E o futuro.

A internet e a corrupção

Daí para os problemas da internet é um pulo. Ou um like. Se os pais podem desobedecer a regras básicas, inclusive nos estacionamentos das escolas! (vejo isso quase todos os dias na do meu filho), os filhos podem fazer o que quiserem nas redes sociais.

Infringir virou norma. Não precisa ser um “ladrão” ou “assassino” ou estar “envolvido em grandes escândalos de corrupção”. Todos esses atos, considerados menores por muitos, são de corrupção: levar vantagem indevida é corrupção (estacionar em lugar reservado ou proibido, não dar preferência, não observar sinais, nada mais são do que ações para levar vantagem). E há muito mais: “errar” no troco, furar fila, jogar lixo no chão. Coisas comezinhas, mas que estão mostrando o seu preço agora. Só não ver quem não quer.

E os filhos, ah, os filhos, que estão se habituando a ver seus pais falarem mal dos outros, polarizarem política sem senso crítico, transgredirem no trânsito, desrespeitarem mulheres e minorias, buscarem beleza a qualquer custo, menosprezarem o meio-ambiente, baterem palmas para guerras, esses filhos têm tudo isso potencializado pela internet. Só não ver quem não quer.

E eles são nosso futuro… Só não vê quem não quer.

Notícias de Jaraguá no seu WhatsApp Fique por dentro de tudo o que acontece na cidade e região.
Entrar no Canal

Raphael Rocha Lopes

Disrupção.TUDO! - Raphael Rocha Lopes é advogado e professor. Escreve sobre educação, comportamento e transformação digitais | @raphaelrochalopesadvogado

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
Hospedagem por ServerDo.in
©️ JDV - Notícias de Jaraguá do Sul e região - Todos os direitos reservados.
wesdev.com.br