Trail running: quando correr vai além do asfalto
| Trail running leva corredores a enfrentar areia, subidas e diferentes condições de terreno. | Fotos: Divulgação

Trail running: quando correr vai além do asfalto

Ana Paula Romero Richter

Publicada em 25/09/2026 / Por Ana Paula Romero Richter

Quem acompanha o universo da corrida já percebe um movimento cada vez mais presente: muitos corredores estão trocando ou, pelo menos, dividindo o asfalto pelas trilhas.

O trail running vem crescendo e atraindo desde corredores experientes até aqueles que buscam uma experiência diferente no esporte. Parte desse interesse pode estar justamente na possibilidade de sair da rotina do pace, do relógio e dos percursos urbanos para encontrar outros desafios.

No trail, o terreno muda constantemente. Há subidas, descidas, pedras, raízes, lama e diferentes tipos de piso. O ritmo por quilômetro deixa de ser a principal referência e o corredor precisa aprender a administrar o esforço de acordo com o percurso. Em determinadas subidas, inclusive, caminhar de forma eficiente pode ser uma estratégia melhor do que correr.

As exigências físicas também mudam. Força de membros inferiores, estabilidade, equilíbrio, coordenação, capacidade cardiovascular e resistência muscular assumem um papel importante. Nas descidas, por exemplo, o maior componente excêntrico exige preparação muscular específica, enquanto as subidas elevam consideravelmente a demanda energética.

Por isso, correr na trilha não significa simplesmente transferir o mesmo treinamento do asfalto para a montanha. É necessário desenvolver força, adaptar músculos e articulações às variações do terreno, trabalhar técnica e aprender a controlar a intensidade. Conforme aumentam a distância e a dificuldade, hidratação, alimentação, equipamentos e segurança também passam a fazer parte da preparação.

Na Romero Training, temos percebido esse interesse crescente pela modalidade também entre nossos atletas. Recentemente, dois deles estiveram em importantes desafios da região:

No dia 12 de setembro, Tiago Luis de Souza completou os 80 km do Desafio Rota da Baleia, conquistando o 8º lugar na categoria. Já no dia 19, Fabio Britto completou os 75 km da Floripa Ultra Trail, terminando em 2º lugar geral. Duas provas exigentes e que demonstram o quanto a preparação para o trail vai muito além de acumular quilômetros.

Mas não é necessário começar por uma ultradistância. Percursos menores e menos técnicos são uma excelente forma de conhecer a modalidade e permitir que o organismo se adapte progressivamente às novas exigências.

Talvez o crescimento do trail running também revele uma mudança interessante na relação das pessoas com a corrida. A performance continua sendo importante, mas passa a dividir espaço com a experiência, o contato com a natureza, a estratégia e o desafio de enfrentar percursos menos previsíveis.

Quando a corrida encontra a montanha, o relógio deixa de contar toda a história.

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