Vidros quebrados e entulhos: a operação de 71 dias que preparou a Arena Jaraguá para o UFC em 2013
Documento da organização do evento listou 18 reparos urgentes na Arena Jaraguá antes do UFC Belfort vs Rockhold, primeira edição do evento no interior do Brasil
Vitor Belfort comemora a vitória por nocaute sobre Luke Rockhold dentro da Arena Jaraguá em 18 de maio de 2013, no primeiro UFC realizado no interior do Brasil. Foto: Equipe JDV / Arquivo.
Resumo completo
Data do evento: 18 de maio de 2013
Edição: UFC on FX 8, Belfort vs Rockhold
Marco histórico: primeira edição do UFC no interior do Brasil
Período de obras: 8 de março a 18 de maio (71 dias)
Público no dia: quase 9 mil pessoas
Lutas: 13 no total, 4 no card principal
Capitais preteridas pra Jaraguá: Porto Alegre, Brasília e Fortaleza
Aumento médio no faturamento do comércio local em maio de 2013: 37%
Em 6 de março de 2013, uma equipe técnica do Ultimate Fighting Championship (UFC) desembarcou em Jaraguá do Sul pra vistoriar o local onde, dois meses e meio depois, aconteceria a primeira edição do maior evento de MMA do mundo realizada no interior do Brasil.
O que encontraram na Arena Jaraguá não era exatamente um palco pronto pra receber estrelas internacionais. Vidros quebrados nas laterais, entulho acumulado no estacionamento, refletores caídos, corrimãos enferrujados e uma academia ocupando parte da área interna que precisaria, em poucas semanas, comportar o fluxo de quase 9 mil pessoas.
O relatório de visita técnica produzido pela organização entre 6 e 8 de março listou 18 itens de melhoria que precisavam ser executados antes do dia 18 de maio. Eram 71 dias pra entregar a Arena no padrão exigido pelo UFC.
O que o documento técnico mostrou
A vistoria foi minuciosa. A equipe do UFC percorreu a Arena com câmera na mão e registrou cada ponto que precisava de intervenção. As fotos do relatório mostram pavimentação interrompida na entrada do estacionamento, painéis de vidro lateral trincados, refletor enjaulado caído ao chão no estacionamento, escadas com corrimão tomado pela ferrugem, guarda-corpos manchados na fachada da Arena.

Os 18 itens iam do estrutural ao cosmético. Pavimentação completa da área externa e dos estacionamentos. Retirada de todo o entulho da entrada lateral. Limpeza de vidros internos e externos. Pintura e manutenção de corrimãos. Substituição dos vidros quebrados nas laterais. Troca dos refletores externos. Pintura do guarda-corpo da fachada. Retirada dos quadros que estavam pendurados nas paredes dos corredores. Substituição das portas blindex das entradas principais, que dificultavam o acesso de público em volume grande.
Havia também itens de operação. Adaptação dos painéis aéreos internos pra sinalização do evento. Apagamento das luzes dos camarotes durante as lutas. Envelopamento dos totens da entrada com a comunicação do UFC. Substituição dos bares volantes que circulavam pela área interna. Retirada da estrutura de academia que ocupava parte do espaço destinado ao fluxo de público.
Conteúdos em alta
A história que começou com uma pesquisa no Google
A escolha do município pra sediar o UFC on FX 8 surpreendeu o cenário do MMA brasileiro. Até então, o evento havia passado apenas por Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte no Brasil. Jaraguá do Sul, cidade com cerca de 150 mil habitantes na época, virou a primeira cidade do interior do país a entrar no calendário internacional do UFC. Outras capitais haviam sido cotadas pra receber o evento. Porto Alegre, Brasília e Fortaleza apareciam como candidatas.
A escolha pela cidade catarinense foi resultado de uma pesquisa improvável. O UFC precisava de dez locais no Brasil pra realizar os eventos daquele ano, e a IMX, empresa carioca que coordenava os eventos da organização no país, fez a varredura na internet.
Foi aí que a Arena Jaraguá apareceu. “Eles descobriram a Arena Jaraguá através do Google”, conta Jean Leutprecht, na época presidente da Fundação Municipal de Esportes e Turismo (FME).
“Eles precisavam conseguir dez locais no Brasil pra fazer os eventos do UFC naquele ano, que foi o ano em que o UFC mais teve eventos no Brasil.”

O primeiro contato físico aconteceu ainda em janeiro, quando um representante português da organização chegou à cidade pra conhecer a Arena. Foi recebido pelo professor Cláudio Tubbs, que mostrou o ginásio em estado de abandono.
“Estava bastante deteriorada, porque estava bastante abandonada”, lembra Leutprecht. “Nós tínhamos recém-assumido, estávamos há 30 dias na administração novamente.” Pouco depois, no fim de janeiro ou início de fevereiro, Sérgio de Mello e Souza, vice-presidente de Projetos Especiais e Operações da IMX, ligou pra marcar reunião com o prefeito recém-eleito Dieter Janssen.
O ex-prefeito lembra do tom inicial daquela conversa.
“O UFC era um projeto com um empresário aqui do Brasil. Eles identificaram a Arena Jaraguá pesquisando no Google e vieram aqui conhecer a cidade, estrutura e a própria Arena. Gostaram, foi uma reunião longa lá no gabinete da Prefeitura, e acabou dando certo”, conta Janssen.
Pra ele, a escolha combinou características objetivas e localização. “Jaraguá foi escolhida pela sua estrutura hoteleira, localização próxima a aeroportos, beleza da região, região privilegiada.”
A leitura técnica do UFC, em todo caso, foi positiva. Segundo pesquisa publicada pela Federação do Comércio do Estado de Santa Catarina (Fecomércio-SC), a organização considerou a Arena Jaraguá um dos três melhores ginásios do país naquele momento, atrás apenas da HSBC Arena, no Rio de Janeiro, e do Ibirapuera, em São Paulo.
A Arena, inaugurada em maio de 2007, oferecia capacidade pra 8 mil pessoas em eventos esportivos e até 12 mil em shows. Tecnicamente, comportava. O que faltava era manutenção pra que estivesse à altura do que o evento exigia em padrão de operação.
O contrato que mudou a rotina da Prefeitura
A formalização da proposta veio no fim de fevereiro de 2013. Em carta endereçada ao prefeito Dieter Janssen, assinada pelo VP de Projetos Especiais e Operações da IMX, Sérgio de Mello e Souza, a empresa apresentou oficialmente o projeto do UFC em Jaraguá do Sul, com previsão de público de 9 mil pessoas, duração estimada de 5 horas e transmissão internacional.
O documento também previa, na sexta-feira anterior ao evento principal, uma pesagem oficial aberta ao público (Weigh in), com capacidade pra 4 mil pessoas, palco, som e luz, sessões de perguntas e respostas com lutadores e distribuição gratuita de convites.

A contrapartida pedida pela Prefeitura tinha cinco frentes principais. Cessão sem custo da Arena, incluindo bares, área pras lojas oficiais do UFC, estandes de patrocinadores, estacionamento e bilheterias. Apoio logístico, operacional e de melhorias conforme o documento técnico que viria pouco depois. Construção de um setor extra de arquibancada com cadeiras na área da entrada inferior, utilizando toda a área possível. E promoção do evento na mídia local e estadual.
Em troca, a IMX oferecia ao município assinatura nas campanhas oficiais de divulgação, direito de envelopar a cidade com comunicação do evento, anúncio de 30 segundos nos telões durante a transmissão, dez ingressos de octógono, dez de cadeiras especiais, cinquenta de arquibancada e dois camarotes.
A oficialização do contrato veio com a presença em Jaraguá do Sul de Grace Tourinho, CEO da IMX, junto com Sérgio de Mello e Souza, pra a assinatura. “Foi a partir daí que iniciamos os trabalhos”, lembra Leutprecht.
“Em praticamente 60 ou 70 dias, nós teríamos que fazer uma revolução na nossa Arena Jaraguá. Mas esse desafio foi aceito, o município realmente abraçou, a iniciativa privada também, e demos conta do recado.”
“Era quem tocava o tambor”: quem coordenou a operação
A operação foi tocada pela Prefeitura de Jaraguá do Sul, na gestão recém-eleita do prefeito Dieter Janssen, com participação de todas as secretarias municipais. À frente da coordenação institucional estava Jean Leutprecht, presidente da FME.
Pra a execução do dia a dia, o nome escolhido foi Fenísio Pires, então Diretor de Turismo da FME e Diretor da Arena Jaraguá. Pires acumulava mais de uma década de experiência em eventos. Havia participado da fundação do FEMUSC e era fundador do Vale dos Encantos Convention & Visitors Bureau, instituição da qual foi Diretor Executivo e Presidente.
A convocação dele veio em reunião no gabinete do prefeito, ao lado do presidente da FME.
“Sabíamos da vontade do UFC em realizar o evento em Jaraguá do Sul, assim como sabíamos também das condições em que a Arena se encontrava. Eram muitos detalhes a se resolver, muita manutenção. Me foi passado o encargo do acompanhamento da execução de tudo que fosse necessário pra que o evento fosse brilhante. O desafio era grande, porém todo o time de secretariado da Prefeitura se colocou à disposição pra missão, e era um time forte”, conta Pires.

Pra Leutprecht, a articulação institucional foi a chave da operação. “A Fundação Municipal de Esportes foi a responsável por toda a coordenação dessa atividade do UFC. Tivemos carta branca do prefeito Dieter, que realmente nos deu toda a autonomia pra realizar esse trabalho. Tivemos o envolvimento e a participação de todos os setores da prefeitura, que foram fundamentais na execução, num prazo recorde, de toda essa revitalização. E a iniciativa privada foi feita através do Convention Bureau, que fez toda uma mobilização na cidade pra que nós pudéssemos realizar da melhor maneira possível esse evento.”
Os recursos foram alocados pela Prefeitura Municipal, com cada secretaria assumindo a parte da execução afim à sua área. Serviços específicos foram contratados, como limpeza dos vidros da Arena e instalação de iluminação no pátio de estacionamento.
“Era uma equipe, um verdadeiro time, do prefeito aos secretários e presidente da FME, com todos seus diretores e equipe de trabalho. A Prefeitura de Jaraguá do Sul abraçou a causa. Eu era o responsável por não deixar as coisas pararem e estarem dentro dos prazos. Era quem tocava o tambor, dando o ritmo necessário pro cumprimento do prazo”, diz Pires.
A decisão de bancar a operação foi tomada em reunião no gabinete da Prefeitura, num final de tarde. “Tínhamos uma preocupação de estar tratando com gente séria que realmente fizesse um evento com qualidade, pois qualquer problema poderia estar prejudicando o nome da cidade. Mas acabou dando tudo certo.”
A decisão saiu por consenso entre as secretarias. “Eram todas questões de segurança, limpeza de vidros, enfim, muitas ações boas pro município, e todas as secretarias acabaram ajudando de algum modo”, diz o ex-prefeito.
A cidade inteira se preparou junto com a Arena
A operação dos 71 dias não se limitou à Arena. Em paralelo à reforma do ginásio, a FME e o Vale dos Encantos Convention & Visitors Bureau coordenaram a preparação do trade turístico da cidade pra receber o público externo que chegaria em maio.
Em 3 de abril de 2013, a 45 dias do evento, as duas instituições promoveram no Pequeno Teatro da SCAR o seminário Bem Receber, voltado pra hotéis, restaurantes, bares, lanchonetes, centros de eventos, casas noturnas, organizadores de eventos, comércio lojista, taxistas, transportes especiais, agências de turismo, lavanderias e farmácias da cidade.

A mediação foi de Vaniza Schuler, consultora em turismo de negócios e eventos com passagem pela Embratur, onde atuou como gerente nacional de Turismo de Eventos, e pelo Ministério do Turismo, como diretora de Turismo de Negócios e Eventos.
Pires foi o coordenador da operação inteira e também palestrante do seminário. “Sim, eu fui responsável por toda coordenação desta execução, fui o mediador e palestrante pro seminário, tive contato diretamente com todas as áreas ligadas ao evento”, afirma.
As demandas iam muito além de obra. “Não eram somente de obras e reformas, era deixar a cidade preparada, sinalizada, limpa, iluminada, com serviços turísticos prontos e treinados pra receber o grande público do evento”, explica Pires. Segundo ele, a articulação envolveu funcionários públicos, terceirizados, setor privado e a própria população. “Essa união e vontade de fazer o melhor, com o apoio de todas entidades, setor privado e setor público, unidos.”
A contagem regressiva virou rotina da imprensa local. Em 18 de abril de 2013, exatamente um mês antes do evento, o jornal AN Jaraguá estampou na capa a chamada “Falta só um mês para o UFC”, com foto da Arena ainda em obras e máquinas trabalhando no entorno. A cobertura acompanhou cada fase da preparação, traduzindo pra os moradores o tamanho do evento que se aproximava.

O trabalho dos 71 dias
A lista dos 18 itens parecia administrável item a item, mas o conjunto era o problema. “Todos eram itens rotineiros de manutenção. A grande dificuldade era que tudo precisava de manutenção. Os 18 itens subdividiam-se em vários serviços, e o prazo era curto”, lembra Pires.

Pra Leutprecht, as dificuldades vieram em várias frentes ao mesmo tempo.
“Foi um trabalho coletivo muito forte, o apoio incondicional da administração, envolvimento da comunidade muito forte. Todos os momentos foram difíceis, sem dúvida nenhuma. Aperto, questão financeira, questão de tempo, questão de chuva, questão de mobilização. Nós paramos uma série de atividades que estavam acontecendo na cidade em prol da realização e da revitalização da Arena Jaraguá.”
A cena que ficou marcada no coordenador da execução é de 24 horas antes do evento, quando o último item da lista foi instalado.
“Foi mágico ver a transformação da Arena, presenciar o empenho de todos na preparação pra recepção do UFC fez toda diferença. Uma imagem que me marcou muito foi quando instalamos o último item a 24 horas do início do UFC, duas mega bandeiras com as cores de Jaraguá do Sul. Isso deu um alívio e uma emoção enorme. Conseguimos.”
O dia do evento
A movimentação na Arena Jaraguá começou cedo no sábado, 18 de maio de 2013. Quando a equipe municipal chegou na Arena, já por volta de dez horas da manhã, já estava tudo lotado lá fora. E as portas estavam marcadas para abrir às 17h.
A Arena Jaraguá recebeu 7.642 pessoas segundo o registro oficial do UFC, número que a cobertura local contabilizou como próximo de 9 mil considerando o público total que circulou pelo complexo. Foram 13 lutas no card, sendo 4 no evento principal e 9 nas preliminares. Dez confrontos foram internacionais. O Brasil venceu nove.

A luta principal entre Vitor Belfort e o americano Luke Rockhold terminou no primeiro round, aos 2 minutos e 32 segundos, com um chute rodado de esquerda do brasileiro que acertou o rosto do adversário em cheio. Belfort venceu por nocaute. O card ainda trouxe Ronaldo Jacaré Souza, Rafael dos Anjos e Rafael Natal, todos com vitórias.
Pires acompanhou tudo de perto. Ele trabalhou durante toda a noite do evento, antes, durante e depois, acompanhou o staff e lutadores do UFC até se despedirem da cidade.
Pra alguém que estava no ramo de eventos há 30 anos, ele descreve a noite como uma das mais emocionantes da carreira. “É uma realização muito grande. Foi um misto de dever cumprido e orgulho de fazer parte deste time e desta cidade de Jaraguá do Sul.”

O ex-prefeito acompanhou o evento de uma posição privilegiada. “Estávamos sentados ao lado do ringue”, lembra Janssen. “Fato marcante foi o próprio dia da luta e ver o nome da cidade sendo levado ao vivo pra todo o mundo, pras pessoas que gostam desse esporte.”
O alívio coletivo chegou na madrugada seguinte. “O momento de alívio foi quando, três horas da manhã, encerrado tudo isso, fomos numa churrascaria realmente pra comemorar”, conta Leutprecht. “Ali, com a família do Vitor Belfort, com todo o pessoal da organização, a gente pôde realmente tomar um chope e agradecer que deu tudo certo.”

O que o UFC deixou no caixa de Jaraguá
A coordenação ampla virou resultado mensurável. Pesquisa da Fecomércio-SC, conduzida com 32 empresários de Jaraguá do Sul logo após o evento, mostrou que o faturamento médio do comércio da cidade durante a etapa do UFC ficou 37% acima da média dos meses comuns de 2013.
No setor de hotelaria, o aumento foi maior. As receitas dos hotéis e pousadas subiram 54,6% no período do evento, com taxa de ocupação dos leitos chegando a 89,9%.

A permanência média dos turistas em Jaraguá do Sul foi de 3,14 dias, e o gasto médio por pessoa ficou em R$ 124,33 no comércio em geral e R$ 204,77 na hotelaria. O perfil do hóspede foi mapeado: 92,9% tinham entre 26 e 40 anos, e 85,8% viajaram em família ou com amigos. As famílias se compuseram majoritariamente de casais. Os grupos de amigos tinham, em média, 3,6 pessoas.
O movimento foi avaliado como “muito bom” por 59,4% dos comerciantes e como “bom” por outros 21,9%. No setor hoteleiro, a avaliação foi unânime: 100% dos hotéis classificaram o movimento como muito bom ou bom.
Entre os comerciantes em geral, 81,25% consideraram o impacto do UFC positivo pro comércio da cidade. Um quarto dos estabelecimentos contratou pessoal extra pra atender a demanda. O evento também movimentou municípios vizinhos, como Joinville, Blumenau e Balneário Camboriú, que receberam turistas do UFC.
O legado que ficou na cidade
Quando o UFC deixou Jaraguá do Sul, em 19 de maio de 2013, a Arena não voltou ao estado em que estava em março. A pavimentação dos estacionamentos, a substituição dos vidros, a pintura dos corrimãos, a reforma do guarda-corpo da fachada, a manutenção dos refletores, tudo isso ficou. O evento durou uma noite. As melhorias seguem em uso até hoje.

A operação de 71 dias funcionou como uma reforma geral acelerada de um equipamento público inaugurado em 2007. Em fevereiro de 2014, a Arena recebeu o segundo UFC, o Fight Night 36 com Lyoto Machida e Gegard Mousasi. Foi a confirmação de que a operação de 2013 não havia sido improviso pontual. Pra Leutprecht, foi a entrada definitiva da cidade num circuito até então restrito a capitais.
“Abriu portas pra Jaraguá do Sul estar no roteiro dos eventos internacionais. Isso tanto foi verdade que, no ano seguinte, já aconteceu novamente o UFC, aconteceram jogos da Liga Mundial de Voleibol, o futsal continuou com esse sucesso que está aí hoje, e tantos outros eventos que vieram na sequência.”
A casa do futsal jaraguaense seguiu fazendo história depois do UFC
A Arena Jaraguá já era a casa do futsal local antes do UFC chegar; a trajetória do Jaraguá Futsal, é anterior ao evento de 2013. Mas o que aconteceu nos anos seguintes mostrou que a estrutura reformada às pressas em 2013 seguiu sendo palco, em escala crescente.
Na temporada 2025 da Liga Nacional de Futsal, o Jaraguá Futsal liderou o ranking de público da competição como mandante, com 69.304 torcedores acompanhando os jogos em casa. A diferença pro segundo colocado, o Pato, foi de mais de 41 mil pessoas.
Os cinco maiores públicos de toda a temporada 2025 da LNF foram em jogos do Jaraguá. O recorde absoluto aconteceu na grande final contra o Corinthians, com 9.547 pessoas na Arena Jaraguá, número que superou em quase 2 mil torcedores o público do UFC no mesmo ginásio doze anos antes.

O fenômeno virou pauta nacional. Em novembro de 2025, o portal InfoMoney destacou o clube como referência brasileira de engajamento esportivo, em análise assinada pelo presidente da LNF.
>> Leia aqui: Jaraguá Futsal vira destaque em matéria do InfoMoney como exemplo nacional de engajamento esportivo
A estrutura que precisou de 71 dias de reparos pra estar à altura do UFC seguiu funcionando, ano após ano, como um dos ginásios mais lotados do esporte indoor brasileiro.
Como isso impacta sua vida?
A história dos 71 dias é, no fundo, sobre o que uma cidade do interior catarinense é capaz de fazer quando o prazo é apertado e o desafio é maior do que ela costuma encarar. Pra o ex-prefeito Dieter Janssen, a Arena cumpriu exatamente a função pra qual foi pensada desde o começo.
“A Arena foi construída pro futsal, mas também pra sediar eventos, feiras, pra que ela pudesse se manter financeiramente. Essa sempre foi uma preocupação da Prefeitura, e o UFC surgiu nessa linha. Tivemos muitas pessoas de diversas cidades que até hoje comentam sobre este evento, que ficou marcado na nossa cidade”, diz
Pra Leutprecht, o slogan da gestão sintetiza o que ficou, de que ‘Jaraguá do Sul é gigante’.
“Isso demonstrou naquele momento e vem demonstrando isso até hoje. A Arena continua movimentando e muito a nossa cidade, a região, colocando Jaraguá no roteiro dos eventos internacionais.”
O saldo da operação de 2013 vai além da noite de 18 de maio. Cada item da lista de 18 reparos virou patrimônio público depois do evento, e quem lota a Arena Jaraguá hoje, em jogo de futsal, em treino ou em show, transita por uma estrutura que carrega, em parte, o legado daqueles 71 dias. O UFC passou. O ginásio ficou, e seguiu sendo cidade.
Aliás, eu estava lá

Não dá pra contar essa história sem confessar: na noite de 18 de maio de 2013, eu cobri o UFC na Arena Jaraguá do ladinho do octógono.
No círculo, à esquerda da foto, sou eu, ali na cobertura ao lado da imprensa nacional. Treze anos depois, voltar pra essa história com relatório técnico e três personagens centrais foi um jeito de fechar o ciclo da reportagem que começou ali, naquela noite.
Max Pires
Já criei blog, portal, startup… e agora voltei pro que mais gosto: contar histórias que fazem sentido pra quem vive aqui. Entre um café e um latido dos meus cachorros, tô sempre de olho no que importa pra nossa cidade.