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Uma degola coletiva

A governadora interina Daniela Reinehr (sem partido) age na certeza de que será efetivada no cargo. De uma canetada só demitiu os secretários da Fazenda, Administração, Articulação Nacional e Defesa Civil

14/04/2021

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Nascido em Blumenau, 70 anos, 55 de profissão, incluindo passagens pelo rádio. E em jornais diários como A Notícia (Joinville), Jornal de Santa Catarina (Blumenau) e O Correio do Povo (Jaraguá do Sul)

Uma degola coletiva

A governadora interina Daniela Reinehr (sem partido) age na certeza de que será efetivada no cargo. E dizer o que de quem aceita? De uma canetada só demitiu os secretários da Fazenda, Administração, Articulação Nacional e Defesa Civil. E, ato contínuo, nomeou os novos titulares, nenhum deles filiado a partidos políticos. Segundo Daniela, “são nomes de peso, com grande competência e conhecimento das necessidades do Estado”. Daniela diz que as trocas se deram depois de “ouvir a sociedade”. Na verdade, anônimos na multidão, fruto de manobras nos bastidores. São indicações políticas para tentar derrubar de vez o governador Carlos Moisés (PSL), vindas de pré-candidatos ao governo em 2022. 

Nomeações de Moisés

Todos eram nomeações de Carlos Moisés (PSL), incluindo Paulo Eli (Fazenda), oriundo da gestão de Raimundo Colombo. Ele, segundo Daniela, escondeu que SC ultrapassou o limite de gastos da Lei de Responsabilidade Fiscal. Significa dizer que o Estado, por bom tempo, não terá novos recursos federais, fato já notificado pelo Tesouro Nacional. Na verdade, ela já sabia. Tanto que em novembro de 2020 (na primeira interinidade), em Brasília, apelou para que SC não fosse punida. Já que havia (e há) crescimento da receita, por extensão o teto de gastos aumentaria.

É o pau, é a pedra…

Tudo isso, deve-se dizer, é consequência de adiamentos do julgamento final de Moisés (talvez ocorra no dia 7 de maio) no caso da compra dos 200 respiradores pulmonares por R$ 33 milhões, pagos à vista e nunca entregues. Não apenas por conta de prazos legais, mas também pelo período de recesso (férias) dos deputados e desembargadores do Tribunal de Justiça entre 2020 e 2021. Como diz a letra de Águas de Março (Tom Jobim): “…É uma cobra, é um pau, é João, é José/É um espinho na mão, é um corte no pé/São as águas de março fechando o verão”.

Cinco para a AL

Cresce a lista de pré-candidatos a deputado estadual em 2022. Além de três vereadores (dois de Jaraguá do Sul e um de Guaramirim), o partido Novo também deve entrar na disputa por uma das 40 cadeiras na Assembleia Legislativa. Além de Vicente Caropreso (PSDB), que tentará um terceiro mandato. Visto o histórico de eleições do gênero e a “invasão” costumeira de candidatos de outras regiões, o Vale do Itapocu corre sério risco de ficar sem representação na AL. Como já ocorreu nas eleições de 2006, quando cinco pretendentes “morreram” na praia.

Governo insensível

O Sindicato dos Revendedores de Gás (de cozinha) de Santa Catarina, em ofício, havia solicitado ao governo do Estado para que a Secretaria da Fazenda reduzisse a alíquota ICMS incidente sobre o produto. Dos atuais 17% para 12%. Assim, mesmo com impostos federais zerados, o preço do botijão de 13 quilos já anda perto dos R$ 100,00, quase dez por cento do salário mínimo nacional. Com outros 25% sobre o litro da gasolina, por exemplo, não é de estranhar que o Estado venha batendo recordes na arrecadação em plena pandemia.

A Spathodea campanulata, conhecida como bisnagueira e nativa da África tropical, pode ter seu plantio proibido em Joinville se projeto de lei do vereador Adilson Girardi (MDB) for aprovado. A árvore, também comum no Vale do Itapocu, produz uma toxina mortal para abelhas e pássaros, como o beija-flor, por exemplo. Se a lei for aprovada e sancionada, a multa para que plantar será de R$ 3 mil. Nos anos 70, o biólogo blumenauense Lauro Bacca já alertava, em seguidas entrevistas à imprensa, para a introdução dessa espécie invasora da Mata Atlântica em áreas urbanas, onde se tornou verdadeira praga. Foi como se falasse com as paredes.

Irresponsabilidade ao cubo

A União dos Vereadores de Santa Catarina suspendeu encontro em Florianópolis com 300 vereadores a partir de hoje (14). Em nota, a diretoria disse que esperava por flexibilização maior das regras restritivas (pandemia) para esses eventos. Como não houve, remarcou para os dias 5, 6 e 7 de maio. Total irresponsabilidade em evento custeado pelos contribuintes, diga-se, e que tem dois palestrantes como convidados especiais: o senador Jorginho Mello (PL), já em campanha para governador, e o secretário da Agricultura, Altair Silva (PP), ex-líder de Carlos Moisés na Assembleia Legislativa. Afinal, em plena pandemia qual é a urgência em ouvi-los sobre o que fazem pessoalmente? A programação, por si só, responde: muitas horas livre para turismo na bela Ilha.

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