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Coluna: Uma reflexão sobre o universo feminino

Mulheres afegãs desapareceram das ruas. No ocidente, a realidade é outra. Mesmo assim, a consciência em usufruir os direitos alcançados também passa pela educação das meninas, em casa e na escola.

29/08/2021

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Sônia Pillon é jornalista e escritora, formada em Jornalismo pela PUC-RS e pós-graduada em Produção de Texto e Gramática pela Univille. É Presidente de Honra da ALBSC Jaraguá do Sul.

Por Sônia Pillon

Nas últimas semanas, o mundo passou a acompanhar estarrecido as imagens vindas do Afeganistão com a retomada do poder pelo Talibã. É realmente impactante assistir pessoas desesperadas tentando fugir do país, agarradas em aeronaves, ou numa jornada a pé pelas fronteiras. Há um pavor generalizado com o regime sangrento e opressor implementado pelo radicalismo islâmico, principalmente em relação às mulheres.  

Desde a chegada sinistra dos fundamentalistas, que apregoam uma interpretação radical das leis do Islã, após duas décadas de conquistas importantes relacionadas à cidadania, as mulheres voltaram ao confinamento das casas.

Mulheres e meninas afegãs desapareceram das ruas, onde só podem circular com a presença masculina, do pai, irmão, ou marido. Portanto, deixaram de frequentar as aulas, não poderão seguir com os estudos universitários e foram obrigadas a abandonar seus empregos. Com os direitos restritos, voltam a ser consideradas “propriedade” dos homens. Um retrocesso histórico que oprime e cala as vozes femininas.

Como mulheres ocidentais, ficamos horrorizadas com esses fatos. Não entendemos como é possível não ter permissão para sair, estudar, planejar uma carreira, muito menos não poder escolher com quem dividir a vida, de optar por ter, ou não, filhos.

É claro que se compararmos a cultura oriental com a do Ocidente, nós, mulheres, alcançamos avanços consideráveis, especialmente desde o século 20. As sementes lançadas por feministas como Simone de Beauvoir reverberaram e geraram frutos que, de alguma maneira, beneficiaram a atuação feminina. Entretanto, se lançarmos um olhar mais apurado, ainda temos desigualdades a vencer em todas as esferas.

E quando o foco é a situação das mulheres no Brasil, o cenário também está longe de ser o ideal. Ainda encontramos discriminação de gênero e no mercado de trabalho, com remuneração desigual comparativamente aos homens, mesmo desempenhando as mesmas funções. Também não dá para esquecer o número expressivo de feminicídios, reflexo do machismo, dos resquícios de dominação patriarcal secular.

Sim, nós, mulheres, ficamos estarrecidas quando vemos relatos de afegãs denunciando a preocupação com a violação de seus direitos e os impedimentos que passaram a ter! Mas e você, mulher ocidental do século 21? Já pensou no que está fazendo com os direitos que você tem hoje, resultante da luta de muitas corajosas de décadas passadas? Se preocupa em ser independente financeiramente, estudar, descobrir um talento para contribuir e impactar positivamente na vida das pessoas? Procura se fazer respeitar em seu meio e ir atrás de seus sonhos?

Com certeza, essa consciência também passa pela educação ministrada às meninas, em casa e na escola. É preciso fortalecer a autoestima e apoiar potencialidades. Somente assim elas crescerão confiantes e fortes ao fazerem suas escolhas e desempenharem seus papéis na sociedade.

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