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Coluna: Você sabe viver em comunidade?

Para os que tem “pavio curto” e não suportam situações emergenciais, o jeito é buscar lugares com menos gente por perto. Em casos extremos, a saída é ir morar no mato, mesmo.

20/06/2021

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Sônia Pillon é jornalista e escritora, formada em Jornalismo pela PUC-RS e pós-graduada em Produção de Texto e Gramática pela Univille. É Presidente de Honra da ALBSC Jaraguá do Sul.

Por Sônia Pillon

Se você procurar no dicionário, vai encontrar definições variadas para a palavra “comunidade”. Dentre os significados está que é o conjunto de indivíduos que vivem na mesma região, partilham do mesmo governo, agremiação partidária, cultura, história e demais interesses em comum. É também o local onde as pessoas habitam, seja uma cidade, bairro, ou até mesmo um condomínio residencial, ou comercial. Espaços compartilhados, no sistema co-working, de certa forma também poderiam ser enquadrados nessa condição.

Mas será que todos estão preparados para habitarem no sistema de comunidade? Com certeza, não. Mas mesmo assim, com o crescimento das cidades, por questões de falta de espaço e até de economia no orçamento, muitos optam por viverem próximos e passam a ser vizinhos, mesmo contra a vontade. E é aí que surgem as diferenças de opinião, os desentendimentos e implicâncias na vizinhança, razão pela qual muitos fogem das reuniões de condomínio… É preciso ter uma visão comunitária.

O estresse causado pelo ritmo diário frenético nos leva a perder a paciência com muita facilidade. É a chamada “tolerância zero” para praticamente tudo, principalmente nesse momento pandêmico que atravessamos.

Fatores como pressões no trabalho, falta de dinheiro e desemprego estão minando a civilidade e o respeito entre as pessoas. É fácil constatar porque não faltam exemplos.

Moro em um residencial localizado em bairro próximo ao Centro. Em situações assim, geralmente os vizinhos não se conhecem, mas é de bom tom que as pessoas se cumprimentem na chegada, ou na saída. Gentileza gera gentileza, não é mesmo? Entretanto, nem todos seguem essa premissa.

De maneira geral, é cada vez mais comum as pessoas se cruzarem apressadas, de caras fechadas e sem responder as saudações. É quando o individualismo fala mais alto. (No trânsito, o individualismo se revela na competitividade ao volante, no ímpeto em sempre ultrapassar e em não dar espaço a outros motoristas, ou aos pedestres).

Agora imagine moradores com perfis, estilos de vida e comportamentos distintos coabitando a mesma edificação. Imprevistos sempre acontecem: tem o vizinho barulhento, o desleixado, o perfeccionista, aquele que tem animais domésticos, a vizinha fofoqueira… Agora visualize um ar condicionado que passa a pingar água perto da janela do andar de baixo, uma avaria hidráulica, ou elétrica, que obriga o síndico a desligar a chave de água e de energia temporariamente. Às vezes o conserto pode demorar um pouco, certo? São emergências que podem acontecer, acontecem e exigem um espírito comunitário.

Porém, se você é “pavio curto”, não tem a mínima paciência ou empatia com situações emergenciais e quer logo partir para a briga, o jeito é buscar um lugar mais tranquilo. Quem sabe uma casa, com mais privacidade e menos gente por perto? Em casos mais extremos, a saída é morar no mato, mesmo. Só assim poderá desfrutar melhor do canto dos pássaros, do coaxar dos sapos e ainda ser acordado pelo galo todas as manhãs… Gostou da sugestão? Então, mude de endereço.

E você, se sente preparado para viver em comunidade?

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