Cultura

145 anos da nossa brava gente: O “elefante branco cultural” de 65 anos

Emocionada, dona Yara lembra que em 1954, o marido Dr. Fernando Springmann sugeriu o nome Scar e foi aceito por unanimidade, englobando além da música as outras artes como dança e teatro

25/07/2021

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Jornalista apaixonada por cultura e segurança pública

145 anos da nossa brava gente: O “elefante branco cultural” de 65 anos

Jaraguá do Sul além de ser conhecida como uma das cidades mais seguras do Brasil, é também conhecida no mundo pelo Festival de Música de Santa Catarina (Femusc) que acontece na Sociedade Cultura Artística (Scar).

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A jovem senhora que a cada ano se renova, completou 65 anos neste ano. Se para os amantes da cultura a entidade é símbolo de orgulho, para uma das fundadoras, dona Yara Fischer Springmann, de 86 anos, o sentimento é de realização.

“A Scar começou na sala da casa da minha mãe [Adélia Fischer]. Ela tocava piano, meu pai Francisco tocava violino, meu irmão tocava violino e eu tocava piano e acordeon. Daí a gente fazia a “House Music” junto com um primo que tocava um instrumento de sopro”, lembra.

Segundo a pianista, como tinha mais gente interessada em se juntar ao grupo de musicistas, o espaço começou a ficar pequeno e o grupo foi para onde fica a escola Jaraguá. “Os cupins não gostaram e tocaram a gente de lá”, brinca ao dizer que o assoalho de madeira estava cedendo e o piano, que hoje está no café da Scar, iria cair.

Emocionada, dona Yara lembra que em 1954, o marido Dr. Fernando Springmann sugeriu o nome Scar e foi aceito por unanimidade, englobando além da música as outras artes como dança e teatro. Sem apoio de prefeitura ou outras entidades, o grupo de amigos enfrentou diversas dificuldades e bancava tudo sozinho.

“Meu pai comprou muita partitura para a gente tocar. Ele comprava de escolas especializadas de Curitiba, São Paulo.”

O primeiro concerto do grupo aconteceu no dia 15 de junho de 1957, no Clube Atlético Baependi. O espetáculo teve início às 20h30 e reuniu a sociedade jaraguaense que ouviu os instrumentos sobre a regência de Francisco Fernando Fischer.

A orquestra formada por 16 músicos foi tomando corpo e forma, até que em 1959 gravaram o concerto que aconteceu no salão da Comunidade Evangélica Luterana, de Jaraguá do Sul.

A gravação além de ser enviada para a Europa pelo Rodolfo Hufenüssler, foi apresentada aos integrantes que pela primeira vez escutaram seus desempenhos de outra perspectiva e ajudando nos ensaios da orquestra.

A grande perda para seus integrantes, veio em 1970 com a morte de Adélia Fischer que além de ser pianista e acordeonista, era a grande incentivadora do projeto. Mesmo com a ausência, a orquestra foi mantida pelo empresário Dietrich Hufenüssler que assumiu a presidência da entidade com o objetivo de administrar o que restava: um nome, uma ideia e um piano que foi comprado em 1960.

Onze anos depois da morte da idealizadora da Scar, a ideia de construir a sede própria, começou a ganhar força, mas foi em 1984, que começou a construção da primeira sede do Centro Cultural que foi inaugurado em 1987, com a presença de uma Orquestra de Câmara de Jaraguá do Sul sob regência do maestro Ricardo Feldens (in memorian). A sede ficava na rua Amazonas, ao lado do atual Centro Vida.

Dona Yara se emocionou ao falar de Feldens. “Ele fazia milagres”. E quem viu o senhor de cabelo branco e sotaque alemão transitar por entre salas, teatros e corredores com partituras, ideias e sorrisos, concorda com essa afirmação.

Durante 33 anos, Feldens regeu com sua batuta a orquestra que o homenageou em seu velório com a música “Ode to Joy”, que traduzindo seria “Hino à Alegria”. A melodia foi escolhida por ser uma das primeiras músicas que a orquestra tocou.

O elefante branco, como é chamada a Scar, inaugurada em 16 de maio de 2003, foi uma grande revolução para a época e dona Yara diz que todos falaram que eles eram loucos por construir um espaço daquele tamanho, mas como ela mesma diz: “Quem se cria na Scar não sai dali”.

A entidade conta hoje com três orquestras – Filarmônica, de Câmara e de Cordas – com aulas particulares e projetos sociais como Música para Todos e Mais Dança.

No último capítulo, você conhecerá como foi a formação do Arquivo Histórico

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