Casal de Schroeder usava laços afetivos para aplicar golpes que somam R$ 7 milhões; MP pede condenação
| Imagem ilustrativa/IA JDV

Casal de Schroeder usava laços afetivos para aplicar golpes que somam R$ 7 milhões; MP pede condenação

Marcio Martins

/ Por Marcio Martins

Eles prometeram fortunas, exigiram confiança e se aproveitaram de vínculos pessoais para convencer as vítimas a entregarem economias, heranças e até contrair dívidas. Assim funcionava o esquema atribuído a um casal de Schroeder, acusado de aplicar golpes com prejuízos que ultrapassam R$ 7 milhões entre 2023 e 2025.

O método era sutil e eficaz. Apresentando-se como detentores de contratos valiosos e recursos bloqueados em plataformas digitais, os investigados prometiam retornos expressivos. Bastava, diziam, cobrir despesas com IOF, impostos, seguros ou honorários. A ilusão durava até o dinheiro sumir, indo direto para contas pessoais e sites de apostas online.

Manipulação emocional como ferramenta

O que parecia uma simples promessa de negócio se transformava em uma armadilha emocional. As vítimas, muitas vezes familiares ou pessoas próximas, eram convencidas por gestos teatrais, como lágrimas, pedidos desesperados e até ameaças veladas envolvendo agiotas.

Um dos casos mais graves envolve um médico que acreditou que poderia liberar R$ 8 milhões retidos e, para isso, transferiu R$ 3,6 milhões. Outro homem perdeu mais de R$ 2 milhões. Houve quem abrisse contas usadas para apostas, refinanciasse carros e contraísse empréstimos em nome da confiança.

O golpe não poupou nem mesmo o irmão de um dos investigados. Após vender sua parte de uma herança, foi pressionado por pedidos urgentes de ajuda, sob o pretexto de dívidas no Paraná e ameaças de morte. Os pedidos vinham acompanhados de choro e argumentos dramáticos. Nenhum valor foi devolvido. Pelo contrário, novos aportes eram exigidos — inclusive financiamentos feitos pela esposa da vítima.

Justiça em andamento

A Justiça recebeu a denúncia criminal que acusa o casal de cometer ao menos dez crimes de estelionato. Ambos seguem presos preventivamente. O Ministério Público pede a condenação dos dois, o confisco dos bens adquiridos com o dinheiro das vítimas e indenizações mínimas.

Para os promotores, o caso vai além da fraude financeira. Trata-se de um padrão de manipulação emocional, com elementos de coerção psicológica e abuso de confiança. A denúncia aponta que a dupla agiu com frieza, calculando cada passo para extrair o máximo de suas vítimas, muitas das quais vivem hoje endividadas ou emocionalmente abaladas.

Como isso impacta sua vida?

Este caso mostra que nem sempre o perigo vem de fora. Às vezes, está em quem se aproxima com promessas fáceis e vínculos afetivos. Em tempos de fragilidade emocional e crise financeira, golpes com manipulação emocional têm se tornado mais frequentese devastadores. Reconhecer os sinais pode ser a melhor forma de se proteger

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