Charuto, vinho de laranja e sapatos: o que Jaraguá do Sul já produzia em 1936 Matéria Especial
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Charuto, vinho de laranja e sapatos: o que Jaraguá do Sul já produzia em 1936

Marcio Martins

Por Marcio Martins
Publicada em 22/09/2026

Levantamento histórico revela a força econômica precoce do município na década de 30, hoje referência industrial no Brasil.

Levantamento histórico revela a força econômica precoce do município na década de 30, hoje referência industrial no Brasil.

Jaraguá do Sul, atualmente, é considerada uma das cidades mais prósperas do Brasil. Com uma economia diversificada que vai de produtos básicos a tecnologias avançadas, já demonstrava sua vocação industrial há quase 90 anos.

Um levantamento de 1936, publicado nos jornais da época, revela que o município possuía uma produção ampla, com itens que iam desde charutos e bebidas até calçados, tecidos e alimentos.

Os dados foram reunidos pelo então inspetor de Impostos de Consumo, Célio Vieira, com base nos registros das fábricas e guias de produção da época.

Produção diversificada já marcava a economia local

O levantamento de 1936 revela uma Jaraguá do Sul com uma produção industrial e comercial bastante diversificada. Além de produtos como charutos, cigarros e bebidas, o município também fabricava alimentos, móveis, calçados, velas e tecidos. Confira alguns dos produtos registrados na época:

  • Charutos: 552.100 unidades
  • Cigarros: 4.978.840 unidades
  • Aguardente: 570.175 litros
  • Gasosa (refrigerante): 13.654 litros
  • Xaropes (capilé): 2.581 garrafas
  • Licores: 847 litros
  • Bitter (bebida amarga de ervas e raízes): 92 litros
  • Água mineral artificial: 29.270 meias garrafas
  • Gengibre: 17.814 garrafas
  • Vinho de laranja: 336 garrafas
  • Cerveja de alta fermentação: 50.317 litros
  • Queijo: 169.516 quilos
  • Manteiga: 195.350 quilos
  • Bombons: 12.304 quilos
  • Molho inglês: 360 quilos
  • Presuntos: 1.766 quilos
  • Café moído: 22.775 quilos
  • Móveis: 1.471 peças
  • Velas: 8.619 quilos
  • Sapatos: 28.679 pares
  • Sandálias e chinelos: 39.188 pares
  • Tecido grosso de algodão: 1.570 metros
  • Toalhas: 250 unidades

Pelo cálculo da época, toda essa produção industrial atingia aproximadamente 4.500 contos de réis, um valor expressivo para aquele período e que mostra a dimensão da atividade econômica de Jaraguá do Sul apenas dois anos após a emancipação político-administrativa.

O levantamento também informa que os dados não incluíam a produção de Hansa (atual município de Corupá), que ainda fazia parte da região e teria seus números divulgados posteriormente.

Curiosidades sobre alguns desses produtos

A produção de fumo, que já aparecia com força nos números de 1936, também se refletia na atuação de empresas locais. A antiga fábrica de charutos e cigarros do sr. Reinaldo Butzke, por exemplo, foi adquirida pela Fábrica de Fumo Centenário Ltda., que passou a operar com Waldemar Grubba na gerência e Otto Schnejder na parte técnica.

A nova administração buscava ampliar a produção e aprimorar a qualidade dos produtos, com o objetivo de competir com fabricantes de outras regiões do país.

Antes disso, a Fábrica de Fumos “Jaraguá”, de Ricardo Butzke, já havia conquistado reconhecimento nacional, sendo premiada com Medalha de Ouro na Exposição Farroupilha de 1935. Seus charutos e cigarrilhos eram exportados em grande escala e incluíam marcas conhecidas como “Centenário”, “Cósmos” e “Vencedora”, que continuaram sendo valorizadas e aperfeiçoadas pelos novos proprietários.

Outro destaque curioso da época é o chamado vinho de laranja, uma bebida fermentada produzida a partir do suco da fruta. Em Jaraguá do Sul, a produção ficava a cargo das empresas Max Wilhelm e Luiz Kienen, que também fabricavam refrigerantes conhecidos como “laranjinhas”.

A bebida era bastante apreciada, especialmente em ocasiões festivas, mostrando um hábito de consumo típico daquele período.

Fundada em 1929, a empresa Gosch e Irmãos iniciou a fabricação de calçados e sandálias, com fábrica na antiga rua Brustlein, entre os bairros Czerniewicz e Amizade. O imóvel permaneceu em pé até poucos anos atrás, podendo ser avistado por quem passava pela rua principal.

Antiga fábrica Gosh, entre os bairros Czerniewicz e Amizade

Como isso impacta sua vida?

Entender o que Jaraguá do Sul produzia em 1936 ajuda a perceber que o desenvolvimento econômico atual não surgiu de forma repentina. A base industrial sólida que sustenta a cidade hoje começou a ser construída há décadas, com uma produção diversificada que já movimentava a economia local. Para quem vive no município ou na região, isso reforça a importância histórica da indústria no crescimento da cidade e no fortalecimento das oportunidades de trabalho e renda ao longo do tempo.

>> Nota da redação: Ferramentas de inteligência artificial foram utilizadas como apoio editorial na organização de informações e cruzamento de dados. Porém, a apuração, análise, redação e edição do conteúdo foram realizadas pela equipe jornalística do JDV, com base em registros históricos e informações das fontes consultadas.

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