Conheça Nina, a máquina de lavar roupa que era fabricada pela WEG Matéria Especial
| Divulgação

Conheça Nina, a máquina de lavar roupa que era fabricada pela WEG

Max Pires

Por Max Pires
Publicada em 27/09/2026

Documentos da época mostram como uma máquina de lavar chamada Nina fez parte da trajetória inicial da empresa que hoje é uma gigante industrial.

Documentos da época mostram como uma máquina de lavar chamada Nina fez parte da trajetória inicial da empresa que hoje é uma gigante industrial.

Resumo da matéria

Marca: Máquinas "NINA" Ltda. Produto: máquina de lavar roupa com tanque de madeira e motor elétrico Endereços: Rua Felipe Schmidt, 45, e depois Avenida Getúlio Vargas, 667 Produção: 100 unidades por mês em setembro de 1967 Preço: NCr$ 245,00 à vista em 1968, ou NCr$ 18,00 mensais sem entrada Fim da firma: incorporada pela Eletromotores Jaraguá S.A. em setembro de 1967

Um barril de madeira com três aros de metal, quatro pernas, uma mangueira contornando a lateral e um motor elétrico parafusado no topo. Era assim a máquina de lavar roupa que saía de uma fábrica na Rua Felipe Schmidt, 45, em Jaraguá do Sul, nos anos 1960. Chamava-se Nina. E a partir de setembro de 1967 passou a ser fabricada pela WEG.

A própria empresa registra essa passagem no blog do Museu WEG: a Máquinas Nina surgiu em 1963, em sociedade com Eugênio José da Silva, irmão de um dos fundadores, com a proposta de fabricar lavadoras equipadas com motores próprios. A iniciativa durou até 1967, quando a empresa foi incorporada pela Eletromotores Jaraguá S.A.

Mas os jornais da época ajudam a completar essa história. Nos classificados e editais preservados no acervo da imprensa local aparecem detalhes que relembram o contexto da época: o endereço da fábrica, o preço da máquina, a produção mensal, o fim da firma e até a origem do nome Nina.

Como a Nina se anunciava

O primeiro anúncio localizado é de 25 de julho de 1964. Traz a razão social em corpo grande, a Rua Felipe Schmidt, a caixa postal 78 e o telefone 310. No centro, a fotografia do produto: o tanque de madeira com aros metálicos, o motor no topo e a mangueira contornando a lateral.

Abaixo da imagem, uma única linha de venda, sem número, sem preço e sem promessa técnica: “A melhor máquina de lavar roupa no seu gênero”.

Nina era Maria Irani Mueller da Silva. Ela morreu às 0h40 do dia 4 de julho de 1963, em Jaraguá do Sul, aos 33 anos, depois de uma doença longa. Era casada com Eugênio José da Silva e deixou duas filhas menores, Regina Helena e Eliana. O sepultamento foi no mesmo dia, às 17 horas, e a missa de sétimo dia na Matriz de São Sebastião.

Segundo o livro Werner R. Voigt: o caminho de um apaixonado pela eletricidade, de João Chiodini (Design Editora, 2010), a fábrica de máquinas de lavar foi aberta pouco após a morte dela.

A máquina que existia para vender motor

No mesmo livro, Werner explica que a criação da Nina estava ligada à estratégia da empresa de ampliar o uso dos motores produzidos pela Eletromotores Jaraguá. As lavadoras da época eram equipamentos simples, formados basicamente por um tanque de madeira, pás para movimentar a roupa e um motor elétrico.

A fabricação da máquina permitia transformar o motor, que era o principal produto da empresa, em um equipamento pronto para chegar às casas dos consumidores.

Os documentos da época mostram como as duas operações estavam próximas. Em julho de 1964, os anúncios da Máquinas Nina e da Eletromotores Jaraguá traziam endereços diferentes, mas compartilhavam a mesma caixa postal e o mesmo número de telefone.

No ano seguinte, quando a fábrica de motores se mudou para o bairro Nova Brasília, a Nina passou a anunciar no endereço deixado pela empresa, na Avenida Getúlio Vargas, 667.

A incorporação no dia do aniversário

Em 4 de setembro de 1967, a Eletromotores Jaraguá S.A. publicou edital convocando assembleia geral extraordinária para o dia 16 daquele mês, às 9 horas. O primeiro item da ordem do dia era a incorporação da firma Máquinas Nina Limitada. Vinham depois o aumento do capital social, a criação de mais um cargo na diretoria e a eleição de diretores. O edital foi assinado por Eggon João da Silva, diretor-presidente.

Foi num 16 de setembro, seis anos antes, que a fábrica de motores começou a funcionar. Uma semana depois da assembleia, uma reportagem sobre a empresa já listava a máquina de lavar Nina entre seus produtos, ao lado dos motores e dos reatores, com produção de 100 unidades por mês.

Na mesma lista de diretores aparecia o nome de Eugênio José da Silva, como diretor-adjunto.

A marca durou mais que a fábrica

A Nina não saiu de circulação com o fim da firma. Em dezembro de 1967, as três marcas apareciam juntas no anúncio de Natal da empresa: o motor WEG, o reator SaWeg e a lavaroupa Nina.

Em maio de 1968, uma loja de eletrodomésticos da Marechal Deodoro, em frente à Igreja Matriz, colocou a máquina numa lista de ofertas para as noivas do mês. Ali a Nina custava NCr$ 245,00 à vista, ou NCr$ 18,00 mensais sem entrada, com três caixas de sabão Alba de brinde.

Era o item mais caro da vitrine: mais que o fogão Dako com instalação completa, a 185, mais que a enceradeira Arno, a 169, e quase quatro vezes o liquidificador. Comprar uma Nina era decisão de enxoval, não compra de impulso. O último anúncio localizado é de 30 de novembro de 1968.

Depois disso, o rastro fica no cotidiano. Em 1972, editais de leilão judicial da comarca ainda listavam, entre bens penhorados, uma máquina de lavar roupa marca Nina, avaliada em Cr$ 120,00.

Uma dessas máquinas está preservada no Museu WEG, instalado no prédio da primeira fábrica. Na plaqueta vermelha presa ao tanque de madeira não se lê Máquinas Nina Limitada, e sim Eletromotores Jaraguá S.A., com o endereço da Rua Professor Antônio E. Ayroso, 83, e a mesma caixa postal 78 que a firma usava desde 1964. É a incorporação impressa no produto.

O motor sobreviveu à máquina

Nelson Pereira entrou na WEG em 1978, como office boy no almoxarifado de impressos, e ficou 25 anos na empresa, saindo como líder da área de Suprimentos e PCP. Quando chegou, a Nina já não existia como linha de produção. Mas existia outra coisa.

A empresa fabricava um motor específico para máquinas de lavar, vendido aos fabricantes de tanquinho. O tanque continuava sendo de madeira, com estrutura reforçada e proteção contra a água, só que agora o motor ficava na parte de baixo, e não parafusado no topo como na Nina.

Com os anos, a madeira foi cedendo lugar ao fibrocimento, depois ao metal e por fim ao plástico, mais leve e mais resistente à corrosão.

“Esses motores faziam parte da Linha Tanquinho, com enorme demanda no mercado. A WEG vendia muito”

A linha era montada no Parque Fabril I e, nos anos 1980, no Parque Fabril II. Vendia para o Brasil inteiro e para o exterior. Segundo Nelson, esses motores para lavadoras continuam sendo fabricados até hoje, acompanhando a evolução das máquinas.

Como isso impacta sua vida?

A cidade guarda mais do que costuma lembrar. A empresa que hoje leva o nome de Jaraguá do Sul para o mundo já colocou no mercado um barril de madeira com motor no topo, batizado com o apelido de uma mulher que morreu aos 33 anos e cujo nome está numa nota de jornal de 1963. Saber disso muda a forma como se olha para o parque fabril na saída da cidade, e para o que ainda pode estar guardado em porões, galpões e álbuns de família por aqui.

–

Fontes: CHIODINI, João. Werner R. Voigt: o caminho de um apaixonado pela eletricidade. Jaraguá do Sul: Design Editora, 2010. Jornal O Correio do Povo em pesquisa documental na Hemeroteca Digital Catarinense.

>> Nota da redação: Ferramentas de inteligência artificial foram utilizadas como apoio editorial na organização de informações e cruzamento de dados. Porém, a apuração, análise, redação e edição do conteúdo foram realizadas pela equipe jornalística do JDV, com base em registros históricos e informações das fontes consultadas.

Notícias de Jaraguá no seu WhatsApp Fique por dentro de tudo o que acontece na cidade e região.
Entrar no Canal
Clique para ler mais notícias como esta
Adicione o JDV como fonte preferida no Google Participe de nossa comunidade no WhatsApp

Últimas 10 notícias publicadas

Especial JDV

Carregando clima…

Especial JDV

Especial JDV