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Projeto gratuito ajuda pais a voltar a estudar oferecendo cuidado aos filhos em Jaraguá do Sul
Voltar a estudar pode ser especialmente difícil para mães, pais e responsáveis que não têm com quem deixar os filhos durante as aulas. Em Jaraguá do Sul, uma nova estrutura do SESI busca reduzir justamente essa barreira para alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA).
A Cuidoteca do SESI funciona junto à unidade do SESI-SENAI e recebe gratuitamente crianças de 3 a 12 anos enquanto os responsáveis estão em aula. Os filhos ficam no mesmo local, acompanhados por monitores capacitados e com atividades lúdicas, culturais e de convivência.
A iniciativa faz parte de um projeto piloto nacional com seis unidades. Quatro delas ficam em Santa Catarina: Jaraguá do Sul, Tubarão, Forquilhinha e Tangará.
Cuidoteca do SESI não funciona como creche ou escola
A proposta integra o Plano Nacional de Cuidados e surgiu de um acordo de cooperação técnica entre o Conselho Nacional do SESI e o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome.
O objetivo é oferecer uma rede de apoio para quem deseja retomar ou concluir a educação básica, mas enfrenta dificuldades relacionadas ao cuidado dos filhos.
Segundo Roberta de Oliveira, gerente de projetos do Conselho Nacional do SESI, a Cuidoteca tem uma função diferente de uma creche ou instituição de ensino.
“Não se trata de uma creche ou escola, mas de um ambiente de acolhimento e ludicidade que garante o cuidado das crianças, evita exposições a riscos e oferece o suporte necessário para que o estudante retome e conclua sua escolaridade.”
Falta de apoio para cuidar dos filhos afeta permanência na EJA
De acordo com Karine Ribeiro, da coordenação estadual do EJA do SESI/SC, mais de 280 mil trabalhadores da indústria catarinense não concluíram a educação básica.
Segundo ela, a falta de uma rede de apoio para cuidar dos filhos é a principal causa de evasão entre esses estudantes. O problema atinge especialmente as mulheres, que representam mais de 50% das matrículas, além de famílias migrantes e imigrantes.

A meta estratégica citada pelo SESI é chegar a 2031 com 75% dos trabalhadores da indústria com a escolaridade básica concluída.
“É um projeto piloto que também acolhe migrantes internos e externos que chegam sem rede de apoio, permitindo que se estabeleçam, concluam os estudos e contribuam de forma produtiva para o mercado local”, afirma Karine.
SESI pretende ampliar atendimento em Jaraguá do Sul
A implantação da Cuidoteca ocorre enquanto o SESI projeta aumentar o número de estudantes atendidos na região. Segundo o vice-presidente regional da FIESC no Vale do Itapocu, Célio Bayer, a perspectiva é passar dos atuais 600 alunos para mais de mil.
Para Bayer, a ampliação representa “um passo muito importante para a elevação da escolaridade entre jovens e adultos na indústria”.
A gerente executiva do SESI-SENAI-IEL, Daren Vargas Basso de Souza, relaciona a estrutura à possibilidade de mães, pais e responsáveis continuarem os estudos sem deixar de atender às necessidades dos filhos.
“Nosso objetivo é ampliar a escolaridade, permitindo que mães, pais e responsáveis conciliem suas obrigações familiares com a continuidade dos estudos, fortalecendo a inclusão e a permanência educacional”, afirma.
Jaraguá recebe cerca de 110 famílias migrantes por mês
A Cuidoteca também atende uma demanda relacionada à chegada de novos moradores. Segundo a secretária municipal de Assistência Social e Habitação, Bianca Schwartz Uber, Jaraguá do Sul recebe, em média, 110 famílias migrantes por mês.
Parte dessas famílias chega à cidade sem uma rede próxima de parentes ou pessoas que possam ajudar no cuidado das crianças.

Bianca relaciona a Cuidoteca a outras iniciativas locais, como o programa Qualifica Jaraguá, e destaca a possibilidade de os adultos buscarem formação mesmo sem condições de pagar pelo cuidado dos filhos durante esse período.
“É uma oportunidade real para que adultos se desenvolvam com dignidade e melhorem de vida”, afirma.
Mãe voltou à EJA depois de interromper os estudos
Para quem já precisou abandonar a sala de aula por não ter com quem deixar uma criança, a mudança é concreta. Zorailda Santos da Costa, natural da Bahia e moradora de Jaraguá do Sul há cinco anos, matriculou-se no EJA no ano passado.
Ela, porém, precisou interromper os estudos porque não tinha com quem deixar a filha. Agora, enquanto Zorailda frequenta as aulas, a menina de 8 anos permanece na Cuidoteca.
“Graças a esse projeto eu vou conseguir terminar, porque venho para a aula e deixo minha filha com pessoas capacitadas. Dá muita tranquilidade saber que ela está bem e perto de mim.”
Situação semelhante é vivida pela paraense Kélia de Alfaia Farias. Mãe de duas crianças e moradora de Jaraguá do Sul há cinco anos, ela não havia conseguido concluir os estudos.
“Eu não tive a oportunidade de concluir meus estudos e agora consigo participar. Fico muito mais segura sabendo que meu filho está aqui perto enquanto busco minha qualificação”, relata.
Apoio também permite que avó continue estudando
Maria das Dores de Almeida Chagas veio do Amazonas há seis anos e trabalha como merendeira em uma escola de Jaraguá do Sul. Além do trabalho, ela cuida do neto enquanto a filha trabalha.
A falta de alguém para ficar com a criança também dificultava a participação nas aulas. Maria cursa Modelagem pelo Qualifica Jaraguá e frequenta a EJA aos sábados.
“É um projeto maravilhoso e muito importante, só tenho a agradecer. Eu curso Modelagem no Qualifica e frequento a EJA aos sábados, e agora posso estudar tranquila sabendo que meu neto está seguro.”

