Educação 4.0: Jaraguá do Sul está preparando os jovens para as profissões do futuro?
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Educação 4.0: Jaraguá do Sul está preparando os jovens para as profissões do futuro?

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A inteligência artificial, a automação e a digitalização já estão transformando o mercado de trabalho. Em Jaraguá do Sul, onde a indústria ocupa papel central na economia, essa mudança também chega às escolas e coloca uma questão importante para o futuro: os estudantes estão sendo preparados para as profissões que vão surgir nos próximos anos?

A cidade já conta com iniciativas voltadas à robótica, programação, pensamento computacional e iniciação profissional. Ao mesmo tempo, instituições como Senai e IFSC oferecem cursos e capacitações ligadas à tecnologia, enquanto empresas buscam profissionais com novas competências.

Essa preocupação também lideranças e autoridades da região. O deputado federal Fabio Schiochet (União-SC), por exemplo, é autor do Projeto de Lei 1.931/2025, que cria o Programa Nacional Escola 4.0. A proposta prevê a expansão do ensino técnico-profissionalizante em áreas como programação, desenvolvimento de softwares, análise de dados, cibersegurança, inteligência artificial e empreendedorismo digital.

O projeto tem abrangência nacional, mas integra um debate que é central no município: como aproximar a educação pública das transformações tecnológicas e das necessidades do mercado de trabalho?

Robótica e programação já fazem parte da rede municipal

Desde 2022, a Prefeitura de Jaraguá do Sul oferece cursos de robótica e programação para alunos da rede municipal. Em 2025, o projeto atendia 28 escolas e disponibilizava 800 vagas para estudantes do 5º ao 8º ano, no contraturno escolar.

As aulas de robótica são realizadas no Sesi/Senai, enquanto as atividades de programação ocorrem na SuperGeeks. O município também oferece alimentação e transporte aos estudantes durante o deslocamento para os locais das aulas.

A proposta busca estimular o raciocínio lógico, a criatividade, o trabalho em equipe e a capacidade de resolver problemas. Os alunos também têm contato com linguagens de programação e participam da criação e programação de robôs.

Desde o início do projeto, mais de 3,2 mil estudantes haviam sido atendidos. Para a Secretaria Municipal de Educação, o contato com as novas tecnologias torna o aprendizado mais atrativo e incentiva os alunos a desenvolverem soluções próprias.

Educação integral inclui iniciação profissional

Outra experiência em andamento é o modelo de educação em tempo integral desenvolvido pela rede municipal em parceria com o Sesi/Senai.

Desde 2024, estudantes do 9º ano participam de quatro horas de aulas na escola regular e outras três horas no período complementar. Nesse segundo momento, são oferecidas oficinas de iniciação profissional, programação, robótica, pensamento computacional, empreendedorismo e projeto de vida.

Os alunos também recebem alimentação e contam com transporte escolar entre as unidades. A experiência foi apresentada pela Secretaria Municipal de Educação durante o Summit Cidades 2026, em Florianópolis, como um exemplo de parceria entre o poder público e o setor produtivo.

A iniciativa mostra que a discussão sobre profissões do futuro não começa apenas no ensino médio. O contato com tecnologia, criatividade e resolução de problemas ocorre desde as etapas anteriores da formação escolar.

Cursos técnicos aproximam estudantes das empresas

O Senai oferece cursos técnicos gratuitos para alunos do ensino médio da rede estadual. As formações variam conforme a demanda de cada região e incluem áreas como tecnologia da informação, computação, elétrica, eletrônica, automação, energia, gestão, segurança, comunicação visual e design.

Em 2026, foram anunciadas mais de 900 vagas para Jaraguá do Sul e municípios próximos. Os cursos têm duração de até dois anos, são presenciais e buscam oferecer formação prática alinhada às necessidades da indústria.

Além da formação técnica, a Prefeitura mantém o programa Qualifica Jaraguá, em parceria com a Fiesc, Senai e empresas privadas. A iniciativa oferece cursos gratuitos em áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento local.

Professores também precisam ser preparados

A formação tecnológica não depende apenas de computadores e laboratórios. Os professores também precisam dominar novas ferramentas e encontrar maneiras de incorporá-las ao processo de aprendizagem.

Em 2025, o IFSC Câmpus Jaraguá do Sul-Rau promoveu uma oficina de programação, robótica, impressão 3D e tecnologias educacionais para 26 professores das redes municipal e estadual.

A capacitação incluiu atividades práticas e conceitos de computação aplicada ao ensino. Para os organizadores, iniciativas desse tipo ajudam os educadores a desenvolver propostas mais inovadoras e a despertar o interesse dos estudantes pelas áreas de ciência e tecnologia. IFSC

O que prevê o projeto Escola 4.0

Apresentado por Fabio Schiochet, o Projeto de Lei 1.931/2025 cria um programa nacional voltado prioritariamente a alunos do ensino médio da rede pública.

Entre as áreas previstas estão:

  • programação e desenvolvimento de software;
  • análise e ciência de dados;
  • redes de computadores e cibersegurança;
  • design de interfaces e experiência do usuário;
  • empreendedorismo digital;
  • inteligência artificial.

A proposta também prevê parcerias com empresas de tecnologia para a criação de laboratórios, oferta de conteúdos e mentorias. O texto menciona plataformas gratuitas de ensino híbrido, capacitação de professores e bolsas para acesso à internet e ferramentas digitais.

Os participantes que concluírem os cursos poderão receber certificação com validade nacional, conforme regulamentação do Ministério da Educação.

Divulgação/Fabio Schiochet

Segundo Schiochet, o programa faz referência ao conceito de Indústria 4.0, marcado pela automação inteligente, pela internet das coisas e pela integração de processos produtivos. O deputado afirma que a iniciativa pretende preparar jovens da rede pública para participar da nova economia digital.

O projeto ainda está em tramitação e precisa ser analisado pelas comissões da Câmara dos Deputados. Para virar lei, também terá de ser aprovado pelo Senado e sancionado pela Presidência da República.

O desafio para os próximos anos

Jaraguá do Sul já possui projetos que aproximam estudantes da robótica, da programação e da iniciação profissional. O desafio agora é ampliar essas oportunidades, garantir infraestrutura adequada e preparar professores para acompanhar as mudanças.

Para as empresas, a formação tecnológica pode ajudar a reduzir a falta de mão de obra qualificada. Para os estudantes, representa a possibilidade de conhecer novas áreas antes mesmo de ingressar no mercado de trabalho.

A discussão sobre o Escola 4.0, portanto, chega a um município que já testa algumas dessas soluções. Mais do que decidir quais equipamentos comprar, a questão é definir que tipo de educação Jaraguá do Sul quer oferecer para os jovens que construirão os próximos anos da cidade.

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