Existem fatos relacionados aos bastidores dessa Copa do Mundo do Catar que geram indignação e incredulidade. No domingo passado, abordei na coluna sobre as péssimas condições de trabalho dos imigrantes que alavancaram as fabulosas obras da Copa, assim como as severíssimas leis infringidas às mulheres, submetidas à “tutela masculina”. São situações que geram protestos da comunidade internacional, especialmente das organizações defensoras dos direitos humanos.
Mas essa semana outra situação chamou a atenção, dessa vez relacionada a alguns jogadores da Seleção Brasileira fora de campo: o consumo de carne banhada a ouro 24 quilates, avaliada em aproximadamente R$ 9 mil. Oi?! Alguém aí pode me dizer desde quando ouro é comestível?!
A iniciativa foi a maneira escolhida para comemorar a vitória de 1 x 0 contra a Suíça. Coube ao ex-centroavante Ronaldo Fenômeno “puxar o carro”, carregando atletas brasileiros como Gabriel Jesus, Éder Militão e Vinícius Júnior para “saborear” a caríssima iguaria. A atitude dos brasileiros dividiu as opiniões dos internautas que assistiram os vídeos da “comemoração” dos jogadores.
(Pena que tamanha “euforia” não resultou em sorte no jogo seguinte, não é mesmo?…) Menos festa e mais foco, é disso que o futebol brasileiro precisa!
Mas voltando ao episódio do “bife com ouro”, enquanto alguns defendem a premissa de que “o dinheiro é deles (jogadores) e podem gastar como quiserem”, há os que, como eu, se sentem incomodados e consideram o ato uma ostentação desnecessária, e até desrespeitosa. Lembrei do vídeo gravado em Jurerê Internacional, há alguns anos, mostrando jovens rindo enquanto queimavam dinheiro. Na época, as imagens viralizaram e causaram indignação em muita gente.
O comentarista e ex-jogador Walter Casagrande (sem papas na língua, como sempre), entende a atitude dos jogadores como um deboche, considerando a dura realidade de grande parte dos brasileiros. Lembrou que cerca de 62 milhões de pessoas no nosso país sofrem com a insegurança alimentar, “e os ídolos deles, quando aparecem numa matéria, estão comendo bife com ouro”. Sem falar no desemprego, que ainda atinge em torno de 9,5 milhões no país.
Conteúdos em alta
O padre Júlio Lancelotti, com forte atuação junto aos moradores de rua, em São Paulo, questionou o acontecido no Instagram. Segundo Lancelotti, “enquanto milhões pelo mundo passam fome nos chega um vídeo deste, acintoso, e que nos causa indignação e tristeza”. Triste, realmente. A que ponto chegamos!
Sônia Pillon
Sônia Pillon é jornalista e escritora, formada em Jornalismo pela PUC-RS e pós-graduada em Produção de Texto e Gramática pela Univille. Integra a AJEB Santa Catarina. Fundadora da ALBSC Jaraguá do Sul.