Cotidiano | 15/06/2026 | Atualizado em: 15/06/26 ás 09:36

E se você tivesse investido na WEG no ano do penta? Veja quanto R$ 1 mil em ações valeriam hoje

No ano do penta, a ação da empresa de Jaraguá custava R$ 0,30. Quem comprou e segurou viu o dinheiro se multiplicar mais de 140 vezes.

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E se você tivesse investido na WEG no ano do penta? Veja quanto R$ 1 mil em ações valeriam hoje

Imagem ilustrativa (montagem) sobre a valorização das ações da WEG desde 2002.

Resumo completo

Preço em 2002: cerca de R$ 0,30 por ação, no ano do penta

Preço atual: em torno de R$ 42 por ação

Valorização no período: mais de 14.000%, só de cotação

Empresa: fundada em Jaraguá do Sul em 1961

Ressalva: rentabilidade passada não se repete no futuro

Em Jaraguá do Sul não é incomum ouvir histórias do tipo: o vizinho que comprou ações da WEG há décadas, o conhecido que virou sócio cedo, a família que viu o patrimônio crescer junto com a empresa. E, com elas, a sensação de ter deixado passar uma oportunidade imperdível.

O crescimento da companhia ajuda a explicar esse sentimento. Fundada na cidade em 1961, a WEG se tornou uma das empresas mais valiosas da Bolsa brasileira e ajudou a criar algumas das maiores fortunas de Santa Catarina. Hoje, a fabricante de equipamentos elétricos (WEGE3) vale mais de R$ 200 bilhões no mercado e tem patrimônio líquido superior a R$ 23 bilhões.

Como estamos em clima de Mundial, a Copa de 2002 pode servir de referência para fazer um cálculo desse crescimento nos últimos 24 anos. Quando o Brasil conquistou o pentacampeonato, uma ação da WEG era negociada por cerca de R$ 0,30. Hoje, o papel vale mais de R$ 42.

Quem investiu naquele período e não mexeu viu o dinheiro se multiplicar por mais de 140 vezes, considerando apenas a valorização da ação.

Equipamentos elétricos e robôs da WEG em hangar com avião elétrico
Foto: Divulgação/WEG

Quanto valeria o investimento hoje

Para tornar o número concreto, vale simular três valores aplicados na época do pentacampeonato e mantidos até hoje, considerando apenas a alta da cotação.

Quem tivesse colocado R$ 1 mil teria por volta de R$ 142 mil. Com R$ 10 mil, o montante chegaria perto de R$ 1,42 milhão. E R$ 100 mil aplicados se transformariam em algo em torno de R$ 14,2 milhões.

Os valores são aproximados. Eles partem do preço da ação no ano do penta, número que já vem arredondado, e consideram só a valorização do papel, sem incluir dividendos, impostos ou custos de corretagem. Servem para dar a dimensão da escala, não para cravar centavos.

E se o dinheiro tivesse ido pra poupança?

Para dimensionar a diferença, vale comparar com a aplicação mais tradicional do brasileiro. Os mesmos R$ 1.000, se tivessem sido deixados na poupança entre junho de 2002 e junho de 2026, valeriam hoje pouco mais de R$ 5,9 mil, segundo a calculadora oficial do Banco Central.

É uma multiplicação de pouco mais de cinco vezes, contra as mais de 140 vezes da ação no mesmo intervalo. A poupança protegeu o dinheiro, mas não o transformou muito. A comparação ajuda a entender por que a trajetória da WEG marcou tanto a memória de quem acompanhou a empresa de perto.

Logotipo da WEG em equipamento industrial com gráficos de crescimento e notas de real ao fundo
Dividendos da WEG disparam atenção de investidores após anúncio de R$ 1,9 bilhão – Foto divulgação / montagem

O peso dos dividendos no bolo

Porém, os números acima ignoram um detalhe que faz diferença no longo prazo: os dividendos, a parcela do lucro que a empresa distribui aos acionistas. Quem reinveste esses proventos, comprando mais ações ao longo dos anos, termina com um resultado maior do que quem olha só para a cotação.

Dados de reinvestimento da WEG desde 2004 dão uma referência dessa diferença. Nesse período, reaplicar os dividendos resultou num ganho cerca de dois terços maior do que o da valorização pura do papel.

Aplicando essa mesma proporção, de forma aproximada e sem comprovação, à janela que começa em 2002, os R$ 1 mil iriam para perto de R$ 236 mil, os R$ 10 mil para cerca de R$ 2,36 milhões e os R$ 100 mil para algo em torno de R$ 23,6 milhões. São estimativas, não medições exatas.

Estação de recarga WEMOB da WEG conectada a ônibus elétricos em via pública arborizada
Imagem: Divulgação/WEG – Estação WEMOB HPC conectada a ônibus elétricos

A empresa que ajudou a moldar a economia da cidade

A WEG nasceu em Jaraguá do Sul em 1961, criada por Werner Ricardo Voigt, Eggon João da Silva e Geraldo Werninghaus. O nome reúne as iniciais dos três fundadores. Começou fabricando motores elétricos e se tornou uma das maiores fabricantes globais de equipamentos elétricos, automação e soluções para energia.

>> Leia também: Conheça o jaraguaense apaixonado por motores que conquistou a WEG e milhares de seguidores nas redes

O crescimento da companhia também construiu grandes fortunas. As famílias ligadas à fundação da WEG figuram com frequência entre as mais ricas de Santa Catarina e do Brasil em levantamentos de patrimônio, o que alimenta na cidade a percepção de que a empresa “criou bilionários”.

Layon Dalcanali, especialista de investimentos com certificação CFP, em ambiente de escritório
Layon Dalcanali, especialista de investimentos (CFP). Foto: Arquivo pessoal

Por que poucos chegaram ao fim com o papel na mão

O desafio nunca foi descobrir a WEG. Em 2002, a empresa já era conhecida e respeitada na região. O difícil era outra coisa: segurar o investimento por mais de duas décadas.

Nesse intervalo, quem manteve as ações atravessou a crise financeira de 2008, a recessão brasileira de 2015, a pandemia e vários períodos de forte oscilação na Bolsa. Muita gente vendeu depois de dobrar o capital. Outros realizaram lucro após ganhos de 500% ou 1.000%. Poucos seguraram o papel do começo ao fim.

Para Layon Dalcanali, especialista de investimentos com certificação CFP®, a proximidade com a empresa foi só metade da história.

“O jaraguaense teve a vantagem de acompanhar de perto a empresa e ver seu crescimento, mas mesmo assim o mercado de ações era pouco conhecido e com acesso muito mais complexo que hoje. De qualquer forma, a disciplina de manter uma ação no longo prazo é o que captura a valorização de 140x. Isso sim é uma atitude de investidor, digna de um hexa!”

Como isso impacta sua vida?

Este texto não é recomendação de compra, e ninguém prevê o comportamento futuro de uma ação. O caso da WEG olha para trás, não para frente: rentabilidade passada não se repete por decreto, e o que valorizou 140 vezes pode seguir qualquer caminho daqui em diante. Para quem mora em Jaraguá do Sul, o valor da história é outro. Ela mostra, com números, o tamanho do que a cidade construiu, e por que tanta gente por aqui ainda comenta a fortuna que passou perto.

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Max Pires

Já criei blog, portal, startup… e agora voltei pro que mais gosto: contar histórias que fazem sentido pra quem vive aqui. Entre um café e um latido dos meus cachorros, tô sempre de olho no que importa pra nossa cidade.

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