A história do goleiro jaraguaense que conquistou uma Copa do Mundo ao lado do rei Pelé
Nascido em Jaraguá do Sul, ele saiu da cidade ainda criança e décadas depois passou a integrar uma das seleções mais lembradas de todos os tempos.
Natural de Jaraguá do Sul, Ado integrou o elenco da Seleção Brasileira campeã da Copa do Mundo de 1970. | Foto: Arquivo/CBF
Resumo completo
Natural de Jaraguá do Sul, Ado nasceu em 4 de julho de 1946
Mudou-se para Londrina ainda criança após transferência profissional do pai
Iniciou a carreira nas categorias de base do Londrina Esporte Clube
Tornou-se profissional aos 16 anos
Foi contratado pelo Corinthians em 1969 e rapidamente assumiu a titularidade
As atuações no futebol paulista renderam convocação para a Seleção Brasileira
Permaneceu no grupo mesmo após a troca de João Saldanha por Zagallo
Fez parte do elenco campeão da Copa do Mundo de 1970, no México
Conviveu com nomes como Pelé, Jairzinho, Rivellino, Gérson e Tostão
Disputou 205 partidas pelo Corinthians entre 1969 e 1974
Também atuou por América-RJ, Atlético-MG, Portuguesa, Fortaleza e Bragantino
Encerrou a carreira em 1984
Depois do futebol, atuou como empresário e participou de projetos de formação esportiva
Segundo relato do próprio ex-goleiro, possui parentesco com Filipe Luís pelo ramo da família Stinghen
A Copa do Mundo de 1970 ficou marcada como uma das maiores exibições de futebol da história. Com nomes históricos como Pelé, Rivellino, Jairzinho e Carlos Alberto Torres, a Seleção Brasileira conquistou o tricampeonato mundial no México e entrou definitivamente para a memória do esporte.
Mas para Jaraguá do Sul, este é um título que tem um significado ainda mais especial; aquele elenco histórico tinha um representante da cidade.
Eduardo Roberto Stinghen, conhecido como Ado, integrou o grupo campeão mundial e se tornou o primeiro jaraguaense a conquistar uma Copa do Mundo pela Seleção Brasileira de Futebol. Um feito que, mais de 50 anos depois, ainda ocupa lugar de destaque na memória esportiva da cidade.
De Jaraguá do Sul para a Seleção Brasileira
Nascido em Jaraguá do Sul em 4 de julho de 1946, Eduardo Roberto Stinghen passou apenas parte da infância aqui no município. Aos 7 anos, mudou-se com a família para Londrina, no Paraná, após o pai, Júlio Schmitt Stinghen, professor de língua portuguesa, ser transferido para uma escola da cidade.
E foi em Londrina que começou a construir a trajetória que o levaria ao principal palco do futebol mundial. Dono de reflexos rápidos, boa colocação e segurança debaixo das traves, Ado iniciou sua formação na Escolinha de Futebol do Londrina Esporte Clube e logo se destacou entre os jovens atletas da época.

A evolução foi tão rápida que ele se profissionalizou em 1964, quando tinha apenas 16 anos. Em poucos anos, tornou-se um dos destaques da equipe paranaense e passou a chamar a atenção de clubes de maior expressão no cenário nacional.
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O salto definitivo na carreira aconteceu em 1969. Contratado pelo Corinthians, um dos maiores clubes do país, o goleiro assumiu rapidamente a posição de titular e viveu a melhor fase da carreira. As atuações consistentes, especialmente em clássicos paulistas, colocaram seu nome entre os principais goleiros do futebol brasileiro naquele momento.
O desempenho chamou a atenção do técnico João Saldanha, que o convocou para a Seleção Brasileira durante a preparação para a Copa do Mundo de 1970. Aos 23 anos, Ado passava a dividir espaço com alguns dos maiores jogadores da história da modalidade.

A Copa do Mundo de 1970
A caminhada até o Mundial não foi simples. Poucos meses antes da competição, João Saldanha deixou o comando da Seleção Brasileira e foi substituído por Mário Jorge Lobo Zagallo. Mudanças dessa magnitude costumam provocar cortes e reformulações, mas Ado manteve seu lugar entre os convocados.
Durante a preparação para a Copa, o goleiro catarinense chegou a ganhar força na disputa pela titularidade. Com Félix enfrentando problemas físicos, Ado participou de amistosos e chegou a ser considerado uma alternativa real para iniciar o torneio entre os titulares.

A recuperação de Félix às vésperas da competição, porém, fez Zagallo optar pela experiência do arqueiro mais velho. Ado acabou permanecendo como reserva, mas viveu de dentro uma das campanhas mais emblemáticas da história do esporte.
No México, a Seleção Brasileira venceu os seis jogos que disputou. Na fase de grupos, superou Tchecoslováquia, Inglaterra e Romênia. Depois eliminou Peru e Uruguai até chegar à decisão contra a Itália.
Em 21 de junho de 1970, diante de mais de 100 mil torcedores no Estádio Azteca, o Brasil venceu os italianos por 4 a 1 e conquistou o tricampeonato mundial. A campanha terminou com 19 gols marcados e apenas sete sofridos, números que ajudaram a eternizar aquela equipe como uma das maiores seleções de todos os tempos.
Mesmo sem entrar em campo durante o torneio, Ado integrou oficialmente o elenco campeão ao lado de lendas como Pelé, Jairzinho, Rivellino, Gérson, Tostão, Clodoaldo e Carlos Alberto Torres.
Anos depois, o ex-goleiro recordaria – em entrevista ao jornalista Lucas Pavin, do portal Avante! Esportes, em 2020 – a experiência de conviver diariamente com atletas que já eram referências mundiais do esporte.
“É difícil descrever a felicidade que tivemos, mas conhecer craques do futebol mundial como Pelé, Gérson, Rivellino, entre tantos outros, foi surreal. Não conseguia acreditar.”

Para Jaraguá do Sul, o feito teve um significado especial. Afinal, um atleta nascido no município passou a fazer parte da conquista mais importante da história do futebol brasileiro até aquele momento.
Carreira consolidada no futebol brasileiro
Após a conquista do tricampeonato mundial, Ado retornou ao Corinthians e seguiu como uma das referências da equipe paulista. Entre 1969 e 1974, disputou 205 partidas pelo clube e consolidou seu nome na história alvinegra em um período marcado por grandes clássicos e forte identificação com a torcida.
O goleiro viveu alguns dos melhores momentos da carreira no Parque São Jorge, mas também começou a enfrentar um adversário difícil de superar: as lesões. Problemas recorrentes nos punhos passaram a comprometer sua sequência dentro de campo e influenciaram diretamente os rumos da carreira.

Com o encerramento do ciclo no Corinthians, Ado seguiu atuando em outras equipes tradicionais do futebol brasileiro. Ao longo da década de 1970, vestiu as camisas de América-RJ, onde conquistou a Taça Guanabara de 1974, Atlético-MG, Portuguesa, Fortaleza e Bragantino, entre outros clubes.
A experiência acumulada ao longo de quase duas décadas como profissional permitiu que permanecesse em atividade até 1984, quando decidiu encerrar a carreira aos 38 anos.

A aposentadoria, no entanto, não significou o fim da vida profissional. Convidado por clubes para seguir no futebol como treinador, Ado optou por um caminho diferente. Preferiu dedicar-se ao empreendedorismo e investiu em diversos segmentos ao longo dos anos.
Como empresário, atuou em diferentes áreas, mantendo negócios ligados à indústria, alimentação e serviços. Mais tarde, voltou a se aproximar do esporte ao participar da criação de uma rede de escolinhas de futebol em São Paulo ao lado de Rivellino, companheiro da histórica Seleção de 1970.
Décadas depois de conquistar o mundo com a camisa da Seleção Brasileira, o jaraguaense passou a viver uma rotina bem mais tranquila. Em entrevistas, costuma brincar que trocou os gramados pela função de avô em tempo integral.
Duas gerações de Jaraguá na Seleção Brasileira
O futebol de alto nível atravessa gerações na família Stinghen. Décadas depois de Ado integrar a Seleção Brasileira campeã da Copa do Mundo de 1970, outro nome com raízes em Jaraguá do Sul também chegaria ao principal palco do futebol mundial.
Segundo relato do próprio Ado, ele descobriu há alguns anos que possui parentesco com Filipe Luís pelo ramo da família Stinghen, do lado materno do ex-lateral. A informação foi revelada ao ex-goleiro pelo próprio neto, já durante a carreira do jogador na Seleção Brasileira.
Nascido no município em 1985, Filipe Luís construiu uma carreira de destaque no futebol europeu, com passagens por clubes como Deportivo La Coruña, Atlético de Madrid e Chelsea, além de uma trajetória vitoriosa no Flamengo – como jogador e também técnico.

Pela Seleção Brasileira, disputou a Copa do Mundo de 2018, na Rússia, e conquistou títulos como a Copa das Confederações de 2013 e a Copa América de 2019.
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A coincidência ajuda a contar um capítulo curioso da história esportiva de Jaraguá do Sul. Em um intervalo de menos de 50 anos, a cidade viu dois integrantes da mesma família chegarem à Seleção Brasileira e participarem de Copas do Mundo.
Como isso impacta sua vida?
A trajetória de Ado ajuda a preservar uma parte importante da memória esportiva de Jaraguá do Sul. Em uma cidade reconhecida por formar atletas e conquistar títulos em diferentes modalidades, o goleiro segue como o único jaraguaense a integrar um elenco campeão mundial pela Seleção Brasileira, um feito que coloca o município em um dos capítulos mais marcantes da história do futebol brasileiro.
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Gabriela Bubniak
Jaraguaense de alma inquieta e jornalista apaixonada por contar boas histórias. Tenho fascínio por livros, música e viagens, mas o que me move é viver a energia de um bom futsal na Arena e explorar o que há de melhor na nossa terrinha.