Juventus Jaraguá | 01/05/2026 | Atualizado em: 01/05/26 ás 12:31

60 anos de Juventus: 6 batalhas que marcaram a história do clube dentro e fora de campo

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60 anos de Juventus: 6 batalhas que marcaram a história do clube dentro e fora de campo

Foto: Montagem JDV/IA

Para o jaraguaense que ama futebol, o Grêmio Esportivo Juventus representa algo que vai muito além do esporte. Em 60 anos de história, o clube atravessou o tempo entre vitórias, reviravoltas e momentos desafiadores, mas sempre apoiado na identidade guerreira que virou sinônimo de resistência por aqui.

Fundado em 1º de maio de 1966 por um grupo ligado à igreja e à vida comunitária de Jaraguá do Sul, o clube cresceu junto com a cidade. Viu gerações passarem pela Arena Topsun – antigo Estádio João Marcatto -, enfrentou momentos de euforia e também períodos em que simplesmente seguir existindo já era uma vitória.

E para marcar esta data do sexagenário do “Moleque Travesso”, resgatamos algumas das grandes batalhas que moldaram o time lá no início da sua caminhada – e outras mais recentes -, algumas dentro de campo, outras longe dele, mas todas decisivas para que o Juventus continuasse vivíssimo sendo o clube que Jaraguá tanto ama.

Bandeira do Juventus no estádio João Marcatto em Jaraguá do Sul durante treino da equipe
Foto: Divulgação/Juventus

1. As lutas de um clube que surgiu da comunidade

O Juventus nasceu na década de 1960, a partir de uma iniciativa coletiva que marcou o início da sua ligação com a cidade. A fundação do clube reuniu 27 pessoas, lideradas pelo Padre Elemar Scheid, em um momento em que Jaraguá do Sul ainda estruturava sua identidade social e esportiva.

Partida do Juventus nos anos 1970 com jogadores em disputa de bola e torcida ao fundo no estádio João Marcatto
Jogadores do Juventus em partida nos anos 1970 no estádio João Marcatto, em Jaraguá do Sul | Foto: Arquivo/Juventus Jaraguá

Naquele contexto, o futebol local refletia divisões presentes na própria sociedade. De um lado, clubes ligados a grupos mais estabelecidos; de outro, o Juventus surgia com forte apoio de trabalhadores e da comunidade católica, ocupando um espaço que até então não tinha representação direta dentro do esporte.

Esse vínculo com a base comunitária foi determinante nos primeiros anos. Sem grandes recursos financeiros ou estrutura consolidada, o clube dependia da mobilização local para existir. Paróquias, famílias e pequenos apoiadores formavam a sustentação do projeto, tanto dentro quanto fora de campo.

2. A briga por espaço no futebol profissional em 1976

A entrada no Campeonato Catarinense, em 1976, trouxe um desafio imediato fora das quatro linhas: adequar a Arena Top Sun – antigamente Estádio João Marcatto – às exigências da competição.

O prazo era curto, e o clube precisou realizar uma série de intervenções estruturais em poucas semanas. Foram feitas melhorias como instalação de iluminação, adequação de vestiários e ajustes no espaço para receber público e delegações, em um esforço concentrado da diretoria.

Sem orçamento amplo, a solução passou novamente pela mobilização local; rifas, eventos, ajuda de empresários e muito trabalho direto da comunidade. Dirigentes, apoiadores e trabalhadores da cidade participaram diretamente das obras, muitas vezes conciliando as atividades com suas rotinas profissionais. Em menos de um mês, o estádio estava pronto.

A conclusão das melhorias dentro do prazo garantiu não apenas a participação do Juventus no campeonato, mas também marcou um dos primeiros grandes testes de organização do clube.

>> Leia também: O segredo italiano por trás do manto: como um padre trouxe da Europa a “alma” do Juventus Jaraguá

3. Jogadores entre o trabalho e o futebol

A realidade do elenco do Juventus antes da virada do século era bem diferente dos padrões atuais do futebol profissional. Grande parte dos jogadores conciliava a rotina de treinos e jogos com outras atividades profissionais.

Com recursos limitados, o clube não tinha condições de manter um grupo totalmente dedicado ao futebol. Havia atletas que trabalhavam durante o dia em fábricas, comércios ou negócios próprios, e treinavam à noite, muitas vezes em condições climáticas adversas e com desgaste acumulado.

Foto: Reprodução/Livro Henrique Sudatti Porto

Essa rotina exigia um nível de comprometimento elevado. Além dos treinos, o grupo ainda enfrentava viagens longas para disputar partidas em outras regiões do estado, frequentemente em condições logísticas mais simples do que as encontradas hoje.

Era com essa demonstração de luta e farra que público se via representado em campo por jogadores que compartilhavam a mesma realidade do dia a dia, o que fortalecia o vínculo com o clube e dava um significado maior a cada partida disputada.

4. A vitória em Lages e a superação com elenco reduzido

Ainda em 1976, a partida contra o Internacional de Lages, fora de casa, é lembrada como uma das maiores demonstrações de superação do Juventus naquele período inicial. Com um grupo reduzido e enfrentando limitações no banco de reservas, o time precisou se reorganizar durante o jogo para suportar a pressão do adversário, que atuava diante da sua torcida.

Há registros de que membros da comissão técnica chegaram a ser utilizados em situações emergenciais.

Mesmo com essas dificuldades, o Juventus conseguiu segurar o adversário e marcar o gol que garantiu a vitória por 1 a 0. O resultado teve grande repercussão e reforçou a imagem de um time competitivo, capaz de enfrentar equipes mais estruturadas fora de casa.

5. O dia em que o Juventus calou o Joinville fora de casa

O confronto contra o Joinville Esporte Clube, ainda na década de 1970, marcou um dos momentos mais emblemáticos da trajetória inicial do Juventus no futebol catarinense.

Na época, o JEC era considerado uma das equipes mais estruturadas do estado e entrava como favorito na partida disputada em seus domínios. A expectativa local era de superioridade do time da casa, diante de um Juventus que ainda dava seus primeiros passos no cenário estadual.

Jogadores do Juventus disputam bola em partida nos anos 1970 durante jogo do Campeonato Catarinense
Jogo JEC x Juventus em 1976, única derrota do JEC no campeonato daquele ano foi para o time jaraguaense. | Foto: A Notícia/Arquivo/Blog Memória Tricolor

Dentro de campo, o roteiro foi diferente. Com organização tática e forte disciplina defensiva, o Juventus conseguiu equilibrar o jogo e explorar as oportunidades. O gol da vitória veio no segundo tempo, em finalização de Nelo, garantindo o triunfo por 1 a 0.

Na volta para Jaraguá do Sul, a recepção foi marcada por mobilização de torcedores e clima de comemoração.

6. O retorno ao cenário nacional após mais de 25 anos

O Juventus voltou a disputar uma competição nacional em 2021, encerrando um intervalo de mais de 25 anos sem presença em torneios organizados pela Confederação Brasileira de Futebol.

Jogadores do Juventus comemoram gol durante partida da Série D do Campeonato Brasileiro em 2021
Jogadores do Juventus comemoram gol durante partida contra o Caxias na Série D do Campeonato Brasileiro em 2021 | Foto: Arquivo/Arthur Netto/Juventus

A última participação antes disso havia sido em 1995, quando o clube disputou o Campeonato Brasileiro da Série C. Na ocasião, o Juventus teve desempenho competitivo, avançando de fase e chegando até as oitavas de final da competição.

O longo período fora do cenário nacional reflete as dificuldades enfrentadas pelo clube ao longo das décadas seguintes, com oscilações esportivas e limitações financeiras que impactaram diretamente a continuidade em competições de maior alcance.

O retorno em 2021, com a disputa da Série D, representou um sinal de retomada esportiva e de reorganização, recolocando o Juventus novamente no mapa do futebol brasileiro após mais de duas décadas.

A recuperação judicial como novo capítulo da história do Juventus

O processo de recuperação judicial do Grêmio Esportivo Juventus marca uma nova fase na trajetória do clube fora das quatro linhas, com impacto direto também no momento esportivo.

Com o plano aprovado pela Justiça, o Juventus passa a ter um caminho definido para reorganizar suas finanças, estruturando o pagamento de dívidas e garantindo a continuidade das suas atividades. A aprovação ocorreu no início deste ano, sem necessidade de assembleia de credores, já que não houve contestações relevantes ao plano apresentado.

Desta forma, o clube entra em uma fase de maior previsibilidade, o que já começa a refletir no dia a dia. Para a temporada 2026, o Juventus iniciou a disputa da Série B do Campeonato Catarinense com um elenco reformulado, marcado pela chegada de reforços e pela intensificação da preparação, em um movimento claro de fortalecimento esportivo.

Jogador do Juventus comemora gol em partida da Série B do Campeonato Catarinense
Foto: Divulgação/Juventus

Entre as novidades, o clube anunciou contratações para diferentes setores e também o retorno de atletas com identificação local, buscando dar mais consistência ao grupo dentro de campo.

Outro passo recente foi a venda dos naming rights do estádio, que passou a se chamar Arena TopSun. O acordo representa uma nova fonte de receita e reforça a tentativa de estruturar o clube com base em parcerias e projetos de longo prazo.

“A recuperação judicial é um marco histórico para o Juventus. Ela permite que o clube reorganize sua situação financeira, pague seus credores e preserve seu patrimônio”, afirmou o presidente Paulo Ricardo Raimondi Marcelino.

Mais do que resolver dívidas, o momento atual indica uma tentativa de reorganização mais ampla, que envolve gestão, estrutura e desempenho esportivo, e pode definir os próximos passos do clube dentro e fora de campo.

Entrada da Arena Top Sun WEG em Jaraguá do Sul com novo nome do estádio do Juventus
Nova identidade da Arena Top Sun WEG na entrada do estádio do Juventus | Foto: Divulgação/Juventus

O futuro de um clube guerreiro, que busca se reconectar com a cidade

Se existe um padrão na história do Juventus, ele passa pela capacidade de recomeçar. Mas, aos 60 anos, o desafio vai além disso. A atual diretoria entende que o principal ponto a ser resgatado é o vínculo com a cidade.

“O Juventus é o clube de Jaraguá do Sul, é parte da história da cidade e um motivo de orgulho. O principal valor que precisamos resgatar é o amor da cidade pelo clube e a confiança do jaraguaense na instituição”, destaca o presidente Paulo Ricardo.

Esse distanciamento aparece principalmente na relação com as novas gerações. Hoje, grande parte da torcida ainda é formada por quem viveu os momentos mais marcantes do clube, especialmente nas décadas passadas. O desafio, agora, é fazer com que o Juventus volte a ser referência para o público mais jovem.

Jogadores do Juventus reunidos em campo com uniforme grená da temporada 2026
Foto: Divulgação/Grêmio Esportivo Juventus

Entre as estratégias adotadas estão o investimento nas categorias de base, a criação de projetos com aulas gratuitas e parcerias com escolinhas de futebol, numa tentativa de reconstruir esse vínculo desde cedo.

Ao mesmo tempo, o clube trabalha em um novo modelo de gestão, mais estruturado e com foco em sustentabilidade financeira. A possibilidade de entrada de investidores e a criação de uma SAF fazem parte desse processo, já aprovado internamente e em análise pela diretoria.

A perspectiva, segundo o clube, é de reconstrução gradual. E a meta é voltar a ser competitivo dentro de campo, mas com uma base mais sólida fora dele, evitando os ciclos de instabilidade que marcaram parte da sua trajetória.

“O futebol hoje é um esporte caro, e o investimento é essencial. Mas temos diferenciais importantes: um estádio próprio, com capacidade relevante, uma torcida apaixonada e uma cidade com grande potencial econômico. A junção desses fatores é o que pode permitir a reconstrução do clube.”

Aos 60 anos, o Juventus olha para frente com um objetivo definido: deixar de apenas resistir e voltar a se consolidar como um clube forte, conectado com a cidade e presente no dia a dia de Jaraguá do Sul.

“O Juventus é o clube de Jaraguá do Sul, é parte da história da cidade e um motivo de orgulho para todos nós. O torcedor pode esperar trabalho sério, transparência e um clube que não vai desistir de voltar a ser protagonista no futebol catarinense”, conclui o presidente.

Como isso impacta sua vida?

O Juventus segue presente no dia a dia de Jaraguá do Sul, seja nos jogos, no estádio ou nos projetos ligados ao esporte. Com o clube passando por um processo de reorganização, cresce a expectativa de mais estabilidade e de continuidade dessa história junto com a cidade.

>> Agradecimento especial ao jornalista e pesquisador Henrique Sudatti Porto, que cedeu fotos e informações a partir de pesquisas que realizou para o livro “A Primeira Vez do Moleque”.

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Gabriela Bubniak

Jaraguaense de alma inquieta e jornalista apaixonada por contar boas histórias. Tenho fascínio por livros, música e viagens, mas o que me move é viver a energia de um bom futsal na Arena e explorar o que há de melhor na nossa terrinha.

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