Cotidiano | 12/06/2026 | Atualizado em: 12/06/26 ás 16:29

Arca do Centenário é aberta em Jaraguá do Sul e revela objetos guardados há 50 anos

Após quase 50 anos sob a Praça Ângelo Piazera, arca revelou objetos que ajudam a contar a história de Jaraguá do Sul.

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Arca do Centenário é aberta em Jaraguá do Sul e revela objetos guardados há 50 anos

Foto: prefeitura de Jaraguá do Sul

A Arca do Centenário, enterrada há quase 50 anos em Jaraguá do Sul, foi aberta na manhã desta sexta-feira (12) durante a programação dos 150 anos do município. Dentro dela, técnicos encontraram moedas, jornais, peças publicitárias, tecidos, um disco de vinil, chaveiros e outros objetos que ajudam a contar como era a cidade na década de 1970.

Mais do que os itens preservados, a abertura da chamada “cápsula do tempo” revelou lembranças, expectativas e mensagens deixadas por moradores que participaram das comemorações do centenário de Jaraguá do Sul, em 1976.

Objetos contam histórias de outra época

A abertura aconteceu na Estação Cultural e reuniu autoridades, representantes de entidades, imprensa e pessoas que acompanharam de perto as celebrações do centenário da cidade.

Entre elas estava Curt Ness, que lembrou de alguns dos objetos que ajudou a colocar na arca há cinco décadas.

“Deixei um cartão da minha empresa e um chaveiro”, recordou.

O momento foi marcado pelo reencontro entre o presente e o passado. Algumas das pessoas presentes ainda guardavam na memória os itens depositados na caixa metálica em 1976.

A arca foi criada para deixar uma mensagem ao futuro

A Arca do Centenário foi enterrada na Praça Ângelo Piazera durante as comemorações dos 100 anos de Jaraguá do Sul.

A proposta da época era reunir documentos, objetos e registros que representassem a cidade naquele momento, permitindo que futuras gerações tivessem contato com as memórias e os sentimentos de quem viveu aquele período.

Cinco décadas depois, a abertura mostrou que a iniciativa foi além da preservação de objetos. O conteúdo encontrado ajuda a compreender como os moradores enxergavam a cidade e quais expectativas tinham para o futuro.

Água danificou parte dos materiais

A abertura ocorreu em uma sala preparada especialmente para o procedimento e seguiu protocolos de biossegurança. Apenas a equipe técnica e pessoas autorizadas tiveram acesso direto ao interior da arca, enquanto os demais convidados acompanharam tudo através de uma porta de vidro.

Ao abrir a caixa, os técnicos encontraram água acumulada em seu interior, o que provocou danos em parte dos documentos armazenados.

Mesmo assim, diversos materiais permaneceram preservados. Entre eles estavam moedas, partes de tecidos, um chaveiro, o brasão do município, peças publicitárias do centenário, jornais da época, um disco de vinil, uma régua e um mini chapéu.

Memória ajuda a entender o caminho da cidade

Durante a cerimônia, autoridades destacaram o valor histórico do material encontrado e a importância da preservação da memória coletiva.

“Encontramos história, sentimentos, sonhos e o olhar daqueles que, no passado, pensaram no futuro da nossa cidade. Jaraguá do Sul é o que é hoje graças ao esforço coletivo daqueles que acreditaram na nossa cidade, trabalharam com empenho e coragem”, afirmou o prefeito Jair Franzner.

A secretária de Cultura, Esporte e Lazer, Ivana Atanásio Dias, ressaltou que a trajetória do município é resultado da soma de diferentes experiências e influências culturais.

Já o presidente da Comissão dos 150 anos, Luis Hufenüssler Leigue, destacou o significado simbólico da arca.

“O símbolo que a arca representa é o pensamento das pessoas daquele tempo de deixar um recado para a gente e também nos mostrar a importância de preservar a memória. Quem tem memória sabe para onde está indo.”

Próximos passos

Os materiais retirados da arca ainda não poderão ser expostos ao público.

Agora, a equipe técnica iniciará um trabalho de recuperação e preservação. Cada item será separado e colocado para secar em uma secadora de documentos do Arquivo Histórico.

Depois disso, os materiais passarão por processos de estabilização, tratamento, identificação técnica e registro fotográfico.

“Posteriormente, a gente vai fazer um tratamento com banho e desacidificação nesses documentos, com auxílio de outros técnicos. Na sequência, vamos fazer toda a identificação técnica, fotografar e expor o que for possível”, explicou Silvia Kitta, integrante da equipe técnica da Comissão de Memória e Repertório dos 150 anos.

Como isso impacta sua vida?

A abertura da Arca do Centenário permite que os moradores tenham contato direto com registros deixados por quem viveu um momento importante da história de Jaraguá do Sul. Mais do que objetos antigos, o material ajuda a preservar a memória coletiva da cidade e a compreender como diferentes gerações enxergaram o passado, viveram o presente e imaginaram o futuro.

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Marcio Martins

Profissional da comunicação desde 1992, com experiência nos principais meios de Santa Catarina e no poder público. Observador, contador e protagonista de histórias, conheço Jaraguá do Sul como a palma da mão

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