[Opinião] Autismo em Santa Catarina: 91 mil pessoas com TEA e 3 leis que podem ajudar famílias em Jaraguá do Sul
| Mais de 91 mil pessoas vivem com autismo em Santa Catarina, reforçando a importância do diagnóstico precoce e de políticas públicas de apoio.

[Opinião] Autismo em Santa Catarina: 91 mil pessoas com TEA e 3 leis que podem ajudar famílias em Jaraguá do Sul

Vicente Caropreso

/ Por Vicente Caropreso

Diagnóstico precoce, identificação dos sinais e novas leis buscam ampliar apoio e garantir direitos às mais de 91 mil pessoas com TEA em Santa Catarina.

O autismo, também conhecido como Transtorno do Espectro Autista (TEA), é uma condição do neurodesenvolvimento que afeta milhares de famílias em Santa Catarina. Atualmente, mais de 91 mil catarinenses vivem com TEA, realidade que reforça a importância do diagnóstico precoce, do acesso a direitos e da criação de políticas públicas eficientes para garantir qualidade de vida e inclusão.

Diferentemente do que muitas pessoas ainda acreditam, o autismo não é uma doença. Trata-se de uma condição caracterizada principalmente por dificuldades na interação social, na comunicação e por comportamentos repetitivos. Cada pessoa com TEA apresenta características próprias, o que explica a definição de “espectro”.

Diagnóstico precoce é fundamental

Uma das principais bandeiras na defesa das pessoas com autismo é o diagnóstico nos primeiros anos de vida. Identificar os sinais precocemente permite iniciar intervenções e estratégias que podem ampliar a autonomia e melhorar significativamente a qualidade de vida.

Entre alguns dos sinais que podem indicar o transtorno estão:

  • Atrasos na fala ou dificuldades no desenvolvimento da linguagem
  • Dificuldade nas relações sociais e na interação com outras pessoas
  • Comportamentos repetitivos ou interesses muito específicos
  • Hipersensibilidade a estímulos, como sons ou ruídos intensos

Em muitos casos, essas características exigem suporte especializado e adaptações em ambientes como escolas e espaços públicos, garantindo melhores condições de desenvolvimento.

Entenda os níveis do Transtorno do Espectro Autista

O autismo pode se manifestar em diferentes níveis de suporte, definidos conforme as necessidades de cada pessoa.

Autismo nível 1 – precisa de apoio
A pessoa consegue se comunicar, mas apresenta dificuldades nas interações sociais e na transição entre atividades.

Autismo nível 2 – precisa de muito apoio
Há déficits mais evidentes na comunicação verbal e não verbal, além de grande dificuldade em lidar com mudanças de rotina.

Autismo nível 3 – precisa de apoio total
Caracteriza-se por dificuldades graves de comunicação e grande limitação de autonomia nas atividades do dia a dia.

Essa classificação ajuda profissionais e famílias a compreender melhor as necessidades individuais e definir estratégias de acompanhamento e suporte.

Leis criadas para proteger pessoas com autismo

Além do diagnóstico precoce, outro ponto fundamental é garantir direitos e políticas públicas voltadas às pessoas com TEA e suas famílias.

Entre as iniciativas já aprovadas e em vigor estão:

1️⃣ Lei do diagnóstico tardio
Permite que adultos que passaram anos sem compreender sua condição tenham acesso ao diagnóstico.

2️⃣ Selo “Autista a Bordo”
Criado com caráter educativo, o selo identifica veículos que transportam pessoas com autismo, alertando motoristas para evitar buzinas e estímulos sonoros que possam desencadear crises.

3️⃣ Pensão especial para famílias de baixa renda
Voltada a famílias com crianças autistas de nível 3, que necessitam de apoio total.

Essas medidas buscam reduzir barreiras e ampliar a proteção social, garantindo suporte às famílias que enfrentam desafios diários no cuidado e acompanhamento das pessoas com TEA.

Autismo exige rede de apoio e políticas permanentes

Com mais de 91 mil pessoas com autismo em Santa Catarina, o tema se torna cada vez mais relevante para a sociedade. A construção de uma rede de apoio eficiente, que acompanhe as pessoas desde a infância até a fase adulta, é essencial para garantir inclusão, respeito e dignidade.

Isso envolve acesso a diagnóstico, acompanhamento especializado, políticas públicas e conscientização da sociedade sobre as necessidades das pessoas dentro do espectro.


Como isso impacta sua vida?

Para famílias de Jaraguá do Sul e de toda a região, compreender os sinais do autismo e conhecer os direitos garantidos por lei pode fazer grande diferença no dia a dia. O diagnóstico precoce, o acesso a apoio especializado e políticas públicas efetivas ajudam a garantir mais autonomia às pessoas com TEA e mais segurança às famílias que convivem com essa realidade.

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