Tanto faz | 22/08/2026 | Atualizado em: 22/08/26 ás 16:08

Bananeira: o homem que virou ícone do rock no Norte de SC entre os anos 1990 e 2000

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Bananeira: o homem que virou ícone do rock no Norte de SC entre os anos 1990 e 2000

Foto: Raphael Günther

Quem frequentou shows de rock em Guaramirim entre os anos 1990 e 2000 certamente lembra da cena. Em meio ao som alto, luz baixa e guitarras distorcidas, havia um personagem que chamava atenção sem dizer uma palavra.

Marcos Klein, conhecido como Bananeira, assistia a apresentações inteiras de cabeça para baixo, apoiado no chão, com os pés erguidos. O gesto simples virou símbolo de aprovação, liberdade e pertencimento na cena underground do Norte de Santa Catarina.

Ele acabou se transformando em um personagem que marcou gerações, atravessou cidades e se tornou referência afetiva para músicos e público.

De Guaramirim para os palcos do rock independente

Marcos Klein nasceu em Guaramirim e era filho de Osmar e Leonora Klein, pioneiros do comércio local. Fora dos palcos, era conhecido como empresário, dono de uma empresa de cortinas e persianas. Carismático, acessível e sempre disposto a conversar, fazia parte do cotidiano da cidade.

No Curupira Rock Clube e em diversos espaços alternativos da região, Marcos se tornava o Bananeira. Presença constante nos shows, era tratado como um irmão por músicos e frequentadores. Para ele, aqueles ambientes iam além do entretenimento, eram uma extensão da própria casa.

Foto: Raphael Günther

A bananeira que virou linguagem dentro dos shows

O hábito de “plantar bananeira” não nasceu nos palcos. Desde criança, Marcos fazia a brincadeira na praia, ao lado do pai. Com o tempo, levou o gesto para os shows que frequentava com assiduidade. Quando gostava de uma banda, subia ao palco e, silenciosamente, se colocava de cabeça para baixo enquanto a música seguia.

No início, a cena causava estranhamento. Com o passar do tempo, ganhou significado. A bananeira virou um sinal claro de aprovação. Artistas passaram a interpretar a presença de Marcos como um termômetro da apresentação. Quando ele não aparecia, algo parecia fora do lugar.

Questionado sobre o motivo, respondia de forma simples: gostava de ver o mundo de um jeito diferente.

Um personagem que ultrapassou fronteiras

A figura do Bananeira logo ultrapassou Guaramirim. Marcos ficou conhecido em toda a região e também fora de Santa Catarina. Frequentador incansável da cena independente, reunia fotos como prova de que havia participado de mais de mil shows.

Entre amigos, falava do sonho de entrar para o Guinness Book como o homem que mais plantou bananeiras em apresentações de rock. Imaginava viajar pelo mundo repetindo o gesto, levando consigo a mesma mensagem de liberdade, entrega e amor à música.

Casado desde 1990 com Rosa Ana, levava a vida com leveza e bom humor. No bar, entre risadas, soltava frases que viraram marca registrada, como o pedido para não contar à mãe onde ele estava. Esse jeito espontâneo e sem pose ajudou a construir o carinho coletivo em torno da sua figura.

A despedida e a comoção na cena cultural

Na madrugada de 21 de outubro de 2010, Marcos Klein morreu aos 45 anos, vítima de um infarto fulminante, a mesma causa que havia levado sua mãe e seu avô. A notícia se espalhou rapidamente e gerou grande comoção.

Redes sociais, blogs e veículos de imprensa registraram homenagens. No Twitter, frases atribuídas a ele circularam com a hashtag #bananeira. Entre as mais lembradas estavam pedidos feitos nos shows, sempre com humor e simplicidade, além da frase que sintetizava sua essência: ele não plantava bananeira para ficar famoso, mas como forma de liberdade de expressão.

A repercussão foi tão forte que Marcos virou notícia em veículos de alcance nacional, como a Folha de S. Paulo, que o descreveu como uma lenda catarinense do rock independente.

Um legado que segue vivo em Guaramirim

Mesmo após sua morte, o Bananeira continuou presente. Shows tributo, festivais e homenagens passaram a carregar seu nome, reunindo bandas, amigos e admiradores. Os eventos mantiveram viva a memória de um personagem que ajudou a moldar a identidade cultural de uma cena inteira.

Marcos Klein não deixou filhos, mas deixou algo que atravessa o tempo. Um legado afetivo construído a partir da autenticidade, do pertencimento e da paixão pela música.

Como isso impacta sua vida?

Histórias como a do Bananeira mostram que a cultura local também é feita por personagens anônimos, que constroem sentido, identidade e memória coletiva. Em Guaramirim e no Norte de Santa Catarina, lembrar de Marcos Klein é lembrar que a música vai além do palco. Ela cria laços, acolhe diferenças e transforma gestos simples em símbolos duradouros.

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Marcio Martins

Profissional da comunicação desde 1992, com experiência nos principais meios de Santa Catarina e no poder público.

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