Matéria Especial
Fim de uma era: a Brazfox vai fechar após 33 anos de história em Jaraguá do Sul
Dalvino Coelho relembra o começo da loja, os jogos que fizeram sucesso e as amizades construídas antes da despedida, em 5 de novembro.
Resumo da matéria
A Brazfox encerra as atividades em 5 de novembro, após 33 anos em Jaraguá do Sul. Em entrevista ao JDV, Dalvino Coelho relembra a origem da loja, os jogos que marcaram diferentes gerações e as amizades construídas entre os frequentadores. Aos 60 anos, o empresário explica que chegou a hora de descansar.
Alugar um jogo para o fim de semana, reunir os amigos para uma partida de Counter-Strike ou conhecer gente que gostava dos mesmos games que você. Durante 33 anos, a Brazfox foi endereço desses encontros em Jaraguá do Sul. Agora, a loja que acompanhou a infância e a adolescência de gerações de jaraguaenses se prepara para fechar as portas no dia 5 de novembro.
À frente da loja desde maio de 1993, Dalvino Coelho viu o negócio crescer de uma pequena sala no Edifício Piccoli para o endereço na Rua Guilherme Weege, no Centro. Entre videogames, jogos de cartas, livros de RPG e computadores para partidas em rede, a loja chegou a ser “point” dos jovens no auge da ‘era das lan houses’.
Para falar sobre a despedida e revisitar as histórias deste endereço que marcou tanta gente, o JDV conversou com Dalvino. Ele relembrou os primeiros dias da loja, os jogos mais disputados e as amizades que nasceram por ali. Bora conosco nesse túnel do tempo? 😉

Um Fusca capotado e o começo da Brazfox
O começo da Brazfox passou longe de um plano convencional de negócios. Em 1993, uma viagem para Ituporanga terminou com o Fusca de Dalvino capotado em uma ponte de Indaial. Ao volante estava o amigo que mais tarde se tornaria seu sócio, Dírio Moresco.
Dalvino vendeu o carro para um ferro-velho e usou o dinheiro para registrar a empresa e comprar os primeiros produtos. Os dois primeiros videogames vieram de um leilão. Para colocar o negócio em funcionamento, ele também precisou recorrer ao que tinha em casa.
“Deixei minha mãe sem TV em casa, mas foi só por um tempo”, lembra Dalvino.

A Brazfox abriu em maio daquele ano, em uma sala de aproximadamente 28 metros quadrados no Edifício Piccoli. Ali, os clientes podiam jogar no local ou alugar para levar a diversão para casa.
A curiosidade da garotada parecia que antecipava o sucesso que a loja seria. Dias antes da loja abrir, grupos de meninos já se reuniam junto ao vidro da loja, olhando para dentro e pedindo para entrar um pouquinho. Ao relembrar os 33 anos do negócio, Dalvino aponta esse momento como um dos mais inesquecíveis.
E foi a influência dos games que ajudou a construir a identidade da loja. Dalvino conta que levou quase um mês para chegar ao nome Brazfox, associado à ideia de “raposa Brasil”. O logotipo exigiu mais de um mês de criação e teve como inspiração o dragão de Mortal Kombat.
Dos cartuchos às partidas em rede
Com o tempo, a primeira sala ficou pequena para a Brazfox. Em 1995, dois anos depois da abertura, a loja mudou para a Rua Guilherme Weege, 34, em um espaço de 162 metros quadrados que seria comprado mais tarde pelos proprietários.


As opções de diversão também foram aumentando. Vieram os jogos de cartas, como Magic e Pokémon, os livros de RPG e os computadores para partidas em rede. Por um período, o automodelismo também teve espaço por ali.
Na fase da lan house, Battlefield 1942 e Counter-Strike estavam entre os jogos que mais faziam sucesso, segundo Dalvino. Nos videogames, os favoritos mudavam conforme as plataformas e os lançamentos: Need for Speed, Pro Evolution Soccer, Ridge Racer, 007, Tekken, Mortal Kombat, Street Fighter e Mario Kart estão entre os títulos que ele recorda.

As amizades que nasceram na Brazfox
Enquanto os jovens viam na Brazfox um lugar para jogar e encontrar os amigos, Dalvino se preocupava também com a confiança dos pais que deixavam os filhos ali. Ele conta que procurava fazer da loja uma extensão de casa, onde a garotada pudesse passar o tempo e se divertir em um ambiente saudável, sem drogas ou bebedeira.
Ainda hoje, Dalvino encontra antigos clientes que fazem questão de contar o quanto gostavam de passar o tempo na loja. As lembranças vão das partidas aos amigos que conheceram por lá e que continuam por perto até hoje.
As amizades também renderam encontros fora dos videogames e computadores. Dalvino guarda com carinho a lembrança do time de futebol que reunia jovens que frequentavam a Brazfox. Outro momento marcante foi um campeonato de xadrez que, segundo ele, reuniu 120 pessoas jogando ao mesmo tempo na loja da Guilherme Weege.




Na hora de lembrar os frequentadores mais assíduos, surgem nomes e apelidos como Dudu, Camila, Zeldinha, Fox, Nando, e os irmãos Aly, JR, Allan. Além deles, também lembra de nomes como Paulo, Aramis, Marcos, Deminha, Demão, Fábio, Fabinho, Diogo, João Paulo e Sasse.
A lista, porém, está longe de dar conta de todos que fizeram parte dessa história. “Cada cliente tinha algo de especial”, resume.

Uma despedida com gratidão
A decisão de encerrar as atividades vinha sendo amadurecida há alguns anos. Aos 60 anos, Dalvino conta que chegou a hora de descansar, depois de uma rotina que, segundo ele, teve média de 14 horas diárias, de domingo a domingo.
“Hora de tirar o pé e dar uma descansada”, afirma.
Depois de acompanhar tantos jovens crescerem, Dalvino chega ao momento da despedida com um agradecimento que se estende às famílias. Ele lembra dos pais que confiaram em seu trabalho e deixaram os filhos passar parte da infância e da adolescência na Brazfox.


Desses 33 anos, guarda os abraços, as comemorações, os choros e os sorrisos de quem passou pela loja. Também reconhece que pode ter falhado em algum momento e pede desculpas por isso, mas considera positivo o saldo de tudo o que construiu com os clientes.
O encerramento da Brazfox deixa espaço para outras atividades e planos que ele ainda poderá descobrir.
“Muito obrigado Jaraguá do Sul. Continuarei com novas atividades e quem sabe, novos desafios”, conclui.
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E você, frequentou a Brazfox? Qual jogo ou lembrança marcou sua passagem por lá? Conte nos comentários ou envie-nos um e-mail para redacao@nascecom.com.br.
Como isso impacta sua vida?
Para quem cresceu alugando jogos ou reunindo os amigos na Brazfox, o fechamento é também a despedida de um endereço cheio de lembranças. Até o dia 5 de novembro, ainda dá tempo de passar pela loja na Rua Guilherme Weege, 34, rever Dalvino e recordar as histórias que começaram por ali.

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