Matéria Especial
Por que o Centro de Jaraguá do Sul era chamado de Margem do Capim no fim do século 19?
Antes de se transformar no coração comercial da cidade, a região central de Jaraguá do Sul abrigou um canavial que acabou abandonado e deu origem a um apelido curioso.
Resumo da matéria
Apelido: "Capin Seite", Margem do Capim Onde: atual centro de Jaraguá do Sul, na margem do Rio Itapocu Época: fim do século 19, após 1888 Origem: canavial abandonado de Emílio Carlos Jourdan que virou matagal Contraponto: "Goiaben Seite", a Margem das Goiabeiras, do outro lado do rio Fonte: material "Jaraguá do Sul, Cento e Cinquenta Anos", de Egon L. Jagnow
O Centro de Jaraguá do Sul concentra hoje o comércio, os prédios públicos e parte importante da movimentação econômica da cidade. Mas nem sempre foi assim. No fim do século XIX, aquela mesma faixa de terra na margem do Rio Itapocu carregava um apelido curioso: “Capin Seite”, a Margem do Capim. E a explicação tem relação com uma tentativa de colonização que não deu certo.
A história foi contada no documento Jaraguá do Sul, Cento e Cinquenta Anos, escrito pelo historiador Egon L. Jagnow e publicado pela Secretaria Municipal de Educação. Ele explica como uma plantação de cana-de-açúcar acabou dando nome à região e por que a margem oposta do rio ficou conhecida como Margem das Goiabeiras.
O canavial que virou capinzal
A história começa com Emílio Carlos Jourdan, responsável pela primeira tentativa de colonização de Jaraguá do Sul, iniciada em 1876. Pouco abaixo da atual ponte Olavo Marquardt – que atravesa o rio atrás da escola de idiomas CNA -, ele montou um grande pavilhão com engenho, olaria, ferraria, moinho e serraria, tudo movido a vapor.
Ao redor, seus trabalhadores cultivaram cana-de-açúcar em uma área que se estendia do pavilhão até o Ribeirão Chico de Paulo.
O plano não vingou. Cercada por quilômetros de mata densa e sem uma ligação terrestre ou fluvial adequada até o porto de São Francisco, a colônia enfrentava dificuldades para transportar a produção de açúcar. Os problemas de escoamento, somados às dificuldades financeiras do empreendimento, contribuíram para o fracasso da iniciativa.
Em 1888, Jourdan assinou a escritura de desistência e encerrou a primeira tentativa de colonização do Jaraguá.

De engenho a matagal
Depois que Jourdan desistiu da primeira tentativa de colonização, as terras ficaram abandonadas. O engenho foi depredado e caiu em ruínas. Segundo o relato do historiador Egon Jagnow, o canavial que um dia prometeu açúcar se transformou em capinzal e matagal, com a vegetação tomando conta da área antes cultivada.
“O canavial se transformou em capinzal e matagal. Tanto que o apelido, jocosamente dado ao atual centro da cidade, foi ‘Capin Seite’ (Margem do Capim), pois nada havia além de capim e capoeira.”
Foi desse abandono que nasceu o apelido. Com a retomada do projeto por Jourdan, em 1895, a região que hoje corresponde ao Centro ficou marcada pela vegetação que havia ocupado o antigo canavial. Foi nesse contexto, no fim do século XIX, que surgiu a denominação Margem do Capim.
A outra margem tinha goiabas
Enquanto a antiga área do canavial permanecia marcada pelo abandono, a ocupação avançava do outro lado do Rio Itapocu. Por volta de 1890, colonizadores ligados à antiga Colônia Dona Francisca chegaram à margem esquerda do rio, ocupando terras que hoje integram os bairros Vila Lalau, Baependi, Czerniewicz, Amizade, Três Rios do Norte e Santo Antônio.
Ali, mudas de goiabeira trazidas da região de Piraquara, no Paraná, adaptaram-se ao local e começaram a produzir frutos. As árvores chamaram tanta atenção que renderam à margem esquerda o apelido de “Goiaben Seite”, a Margem das Goiabeiras.

Como a antiga Margem do Capim se tornou o Centro
As terras que Jourdan havia arrendado pertenciam originalmente à Princesa Dona Isabel, filha de Dom Pedro II. Após a Proclamação da República, em 1889, a situação dessas terras mudou, e a área passou a integrar os planos de colonização administrados pelo poder público.

Jourdan não havia desistido do projeto de colonização. Em 1895, ele conseguiu uma nova concessão de dez mil hectares e voltou a colonizar a área, agora sob o nome de Colônia Jaraguá.
Na escritura da sociedade que formou depois, ficou reservada uma área de 1.600 hectares para os lotes urbanos. Conforme registra Jagnow, é justamente essa reserva que se transformou no centro da cidade.
Como isso impacta sua vida?
Quem circula hoje pelo Centro de Jaraguá do Sul talvez não imagine que parte daquela região já foi ocupada por um canavial e, depois, por um terreno tomado pelo mato. A história da Margem do Capim mostra como a paisagem da cidade mudou desde o fim do século XIX. E revela que, antes dos prédios, lojas e ruas movimentadas, até a vegetação servia para identificar os lugares onde Jaraguá do Sul começava a se formar.
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>> Nota da redação: Ferramentas de inteligência artificial foram utilizadas como apoio editorial na organização de informações e cruzamento de dados. Porém, a apuração, análise e edição do conteúdo foram realizadas pela equipe jornalística do JDV. É importante destacar que os documentos apresentados trazem apenas a perspectiva dos colonizadores, sem os relatos específicos dos povos indígenas envolvidos.
*Sobre a foto principal: Travessia de balsa no Rio Itapocu, diante da margem direita, onde hoje fica o Centro de Jaraguá do Sul. O registro é possivelmente anterior a 1895. Crédito: Acervo Egon Jagnow/Reprodução Correio do Povo (1999)/Restauração IA.

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