Loja, cafeteria e espaço cultural: saiba tudo sobre o novo momento do casarão histórico no calçadão de Jaraguá
Depois de anos fechada, a casa histórica volta a ganhar vida com proposta que mistura moda, café e experiências culturais.
Vista da lateral do edifício que dá para o calçadão. | Foto: Max Pires / JDV
Resumo completo
Casarão histórico no Calçadão de Jaraguá do Sul será reaberto em 20 de maio
Espaço terá loja da A. Marie, cafeteria da Padocaria e ativações culturais
Imóvel passou anos fechado antes do processo de restauração
Projeto preservou elementos originais da construção centenária
Casarão foi construído por volta de 1912 no Centro de Jaraguá do Sul
Espaço já funcionou como hotel, restaurante, comércio e fábrica de bombons
Primeira missa da Paróquia São Sebastião aconteceu no imóvel
Projeto busca devolver circulação e convivência ao casarão histórico
Quem passa com frequência pelo Calçadão de Jaraguá do Sul já deve ter percebido que o casarão histórico da esquina entre as ruas Marechal Deodoro e a Procópio Gomes voltou a ganhar movimento.
Depois de anos fechado, o imóvel centenário passou meses cercado por obras de restauro. E agora que está completamente reformado, o espaço está sendo preparado para voltar a fazer parte da rotina diária da cidade.
A nova ocupação será liderada pela empresária Anne Marie Werninghaus Tavares, que pretende transformar o lugar em um ambiente voltado para moda, cultura, convivência e experiências.
Além da boutique de roupas e acessórios femininos da A. Marie, o casarão também abrigará uma cafeteria assinada pela Padocaria, conhecida em Jaraguá do Sul pela proposta artesanal e ambiente acolhedor. A nova fase ainda prevê ambientes de convivência, ativações culturais, experiências ligadas à moda e um espaço de leitura, atualmente em fase final de negociação.
A inauguração está marcada para o dia 20 de maio, em um evento voltado para convidados, parceiros e clientes. Já a abertura oficial ao público será no dia seguinte, 21 de maio, a partir das 9h.
O casarão como espaço de encontro
Segundo Anne Marie, a ideia surgiu a partir da vontade de transformar a loja em um espaço mais imersivo e conectado ao comportamento atual.
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“Sempre enxerguei a moda como uma forma de expressão, de conexão e de experiência. Além disso, as pessoas buscam muito mais do que comprar um produto. Elas querem se identificar com lugares, viver experiências e criar memórias”, afirma.
Anne conta que teve uma conexão imediata com o casarão assim que o conheceu, em agosto de 2025. Um mês depois, ela viajou para Nova York em busca de referências sobre tendências do varejo internacional, experiência que ajudou a consolidar a nova fase que imaginava para a própria loja – voltada não apenas para a venda, mas também para permanência e conexão com o público.
“Assim que entrei na casa senti que ela tinha alma; e um potencial enorme para algo diferente do convencional. O casarão sempre teve movimento, encontros e circulação de pessoas ao longo da história. Acho bonito poder devolver isso para a cidade de uma forma contemporânea, mas respeitando toda a essência do imóvel”, destaca.
Estrutura preserva o passado para respirar o presente
Depois da recuperação estrutural do casarão – executada pela Cúbica Construções -, o imóvel, então, entrou em uma nova etapa: a adaptação dos espaços para a operação que passará a funcionar ali. Responsável pelo projeto interno, a arquiteta Beatriz Fruet explica que o principal desafio foi justamente criar equilíbrio entre funcionalidade e memória histórica.
Segundo ela, a proposta do projeto nunca foi competir com a arquitetura original da casa, mas criar um diálogo entre passado e presente.
“Adaptar um casarão de 1912 exige um olhar que respeite o tempo da estrutura e as exigências da vida moderna. Nosso maior desafio era não competir com a arquitetura externa existente e sim criar um diálogo com o passado”, explica.
A arquiteta conta que o conceito interno buscou referências no estilo predominante da época em que a edificação foi construída. No início do século passado, as residências mais sofisticadas seguiam influências da Belle Époque e do Ecletismo, marcadas pela mistura de materiais, texturas e elementos decorativos.
“Não queríamos reproduzir o antigo de forma artificial. A ideia era criar uma atmosfera contemporânea, mas compatível com a história e com a personalidade do casarão”, destaca.

Diversos elementos originais da estrutura foram preservados durante o processo, incluindo escada de madeira, assoalhos, forros e os arcos de tijolos maciços presentes no imóvel. Um dos detalhes mantidos no projeto fica no espaço do café: um vidro instalado no piso permite observar parte da estrutura original da casa.
“O maior erro da preservação antiga era transformar casarões em museus intocáveis e, muitas vezes, vazios. Ao colocar uma loja, um café e um programa cultural, você garante a sobrevivência do imóvel pelo uso”, avalia.
Natural de Jaraguá do Sul, a arquiteta afirma que o projeto também carrega um significado afetivo para a cidade.
“No meu ver, a Anne não está apenas abrindo uma loja. Ela está entregando um presente urbanístico para Jaraguá do Sul. É um ato de respeito ao passado e de investimento inteligente no futuro”, conclui.
Para a empresária Anne Marie, a revitalização também parte da ideia de manter o casarão conectado à rotina da cidade, sem transformar o patrimônio em um lugar parado no tempo.
“Preservar não significa congelar um espaço no tempo, mas sim mantê-lo vivo e relevante para as pessoas. Quando um imóvel histórico ganha novos usos e volta a fazer parte da rotina da cidade, ele cria novas memórias sem perder sua essência”, afirma.
Um casarão que atravessou gerações no Centro de Jaraguá
Construída por volta de 1912, a casa atravessa gerações no coração de Jaraguá do Sul. Muito antes de a cidade se tornar oficialmente um município, o prédio já fazia parte da paisagem urbana e acompanhou diferentes fases do desenvolvimento da região.

Ao longo das décadas, o espaço teve diferentes funções. Além de residência da família Emmendörfer, o casarão também já abrigou hotel, restaurante, comércio e até uma fábrica de bombons, considerada uma das primeiras da cidade. O imóvel ainda sediou a primeira missa da Paróquia São Sebastião nos anos iniciais da formação religiosa de Jaraguá.
>> Leia também: De hotel a fábrica de bombons: a história do casarão centenário que coroa o Calçadão de Jaraguá do Sul
Nos últimos anos, porém, o casarão passou por um longo período de abandono até ser iniciado o processo de restauração, que devolveu ao imóvel características originais da construção. Agora, mais de um século depois, o espaço se prepara para iniciar esta nova fase no coração da cidade.
Como isso impacta sua vida?
A proposta de devolver circulação, convivência e permanência ao casarão faz com que o imóvel volte a exercer uma função que acompanha sua trajetória desde o início do século passado: ser um espaço de encontro e movimento no coração da cidade.
Gabriela Bubniak
Jaraguaense de alma inquieta e jornalista apaixonada por contar boas histórias. Tenho fascínio por livros, música e viagens, mas o que me move é viver a energia de um bom futsal na Arena e explorar o que há de melhor na nossa terrinha.