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Coluna: A Ilha da Magia

Desesperada, a tripulação lutava para evitar que o navio afundasse e os carregasse para o fundo do oceano

03/04/2022

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Sônia Pillon é jornalista e escritora, formada em Jornalismo pela PUC-RS e pós-graduada em Produção de Texto e Gramática pela Univille. É Presidente de Honra da ALBSC Jaraguá do Sul.

Coluna: A Ilha da Magia

O céu estava cinzento e assustador na naquele dia fatídico. A tempestade, com seus raios e trovões, não deu trégua para a marujada, que se desdobrada em conter as velas da força dos ventos, enquanto o navio era sacudido pela fúria do mar. Apavorados e supersticiosos, aqueles homens acreditavam que forças sobrenaturais estavam agindo. Seria a vingança de Netuno?

Desesperada, a tripulação lutava para evitar que o navio afundasse e os carregasse para o fundo do oceano. Foram horas intermináveis  até que o mar bravio se acalmasse e os marujo pudessem retomar os trabalhos e contabilizar os prejuízos.

Felizmente para eles, apesar das avarias no casco e das velas rasgadas, o navio pirata ainda podia seguir singrando pelas águas, causando terror, promovendo pilhagens e deixando um rastro de morte e dor. Carregamentos de ouro, joias, rum e tudo o mais que fosse valioso estavam sempre na mira.

Mesmo com as vidas salvas, a tempestade havia levado grande parte dos tesouros roubados na última pilhagem e até dos víveres. Com isso, o capitão, um pirata mal-encarado, ríspido e cruel, estava preocupado. Joe, o Terrível, tinha um corte à espada no lado direito da face (estava mais para “Capitão Gancho” do que para “Jack Sparrow”). Ele não largava a luneta em busca da clássica “terra à vista”…

Joe sabia que os peixes pescados em alto-mar não seriam suficientes por muito tempo para “sossegar” os marujos. A comida estava racionada e o risco de um motim a bordo era iminente.

Foi somente com o retorno do sol e das aves aquáticas que, após sete dias de incertezas, foi possível avistar a ilha mais próxima. Estavam na América do Sul e tudo parecia exótico para eles.

Ao atracarem e pisarem na areia, os piratas mal podiam parar em pé. Cambaleantes de fraqueza, sede e fome, reuniram as últimas forças em busca de água e comida. A fartura em frutas e a caça rapidamente fortaleceram aqueles homens movidos pela ambição.

Descansados e de barriga cheia, a marujada perdeu a conta dos dias naquela ilha, aparentemente deserta, que para eles era mágica, não somente pela comida farta e múltiplas possibilidades de sobrevivência,  mas sobretudo pelas belezas daquele lugar paradisíaco.

Mas chegou o dia em que o temível comandante, ao ver a tripulação lagarteando ao sol, gritou a todos de que era chegada a hora de embarcar em busca de novos saques e aventuras pelos sete mares.

E foi assim que Joe, o Terrível, se despediu da magia da ilha, ou melhor,  da Ilha da Magia!

E é por isso que até hoje temos barcos piratas pela orla catarinense, lembrando aqueles dias em que piratas  desembarcaram e se fartaram na Ilha da Magia…

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