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Coluna: “Caramelo”, o símbolo da resistência!

Cavalo Caramelo resistiu por quatro dias “ilhado” em Canoas. Reprodução: TV Globo

12/05/2024

 

Não, nunca foi só um cavalo! O “Caramelo”, que permaneceu “ilhado” em cima de um telhado por quatro dias, em Canoas, no Rio Grande do Sul, até a chegada do resgate, essa semana, comoveu o país.

 

O animal, visivelmente exausto pelo extremo esforço em se manter em pé, sem comida, água e exposto ao sol e à chuva, passou a simbolizar a resistência do povo gaúcho em meio às tragédias das enchentes.

 

Era impossível não se comover com o sofrimento daquele cavalo solitário, cercado de água, lá no alto, sem conseguir se mover, numa súplica silenciosa por socorro. E como esse socorro demorou! Enquanto isso, a imagem do “Caramelo” comoveu a web e a pressão para que fosse resgatado com vida mobilizou não somente as ONGs de Defesa Animal, mas o Brasil todo!

A mobilização foi tão grande que resultou na formação de uma força-tarefa de militares, bombeiros e veterinários. À medida que as horas passavam, o medo tomava conta das pessoas, indignadas com a demora no salvamento do cavalo. “Será que vão salvar o Caramelo a tempo?”, “Vão deixar o cavalo morrer em frente às câmeras?”, perguntava no Instagram um defensor da causa animal do Norte do Brasil.

 

Caramelo apresenta quadro de saúde estável, atendido por veterinário na Ulbra. Reprodução: RBS TV

 

Para alívio geral, o resgate aconteceu a tempo em um bote (e não de helicóptero, como chegou a ser cogitado!), na última quinta-feira (8). Magérrimo, com as costelas à mostra, machucado e visivelmente debilitado, finalmente foi conduzido pela Cavalaria da Brigada Militar para hospital veterinário, se recupera bem e ganha peso. Virou “celebridade” e não faltam interessados em serem tutores. Sem dúvida, um desfecho feliz que ameniza a tristeza e traz alento ao coração, especialmente aos riograndenses! Bem poderia ser chamado de “Valente Caramelo”, não é mesmo? Nem quero imaginar a revolta que causaria se o “Caramelo” tivesse morrido antes da chegada dos socorristas!…

 

A ligação histórica do gaúcho com o cavalo

 

 

O cavalo é patrimônio cultural do Rio Grande do Sul pela importância histórica, no trabalho, lazer e nas batalhas

 

Para quem nasceu e vive no Extremo Sul do Brasil, o cavalo tem uma importância histórica relacionada ao trabalho, lazer e até em relação às batalhas que marcaram a defesa das fronteiras e a formação do Estado. Não por acaso, o cavalo é considerado patrimônio cultural do Rio Grande do Sul.

 

A ligação do gaúcho com o cavalo é de companheirismo e afeto. De tão significativa, essa relação é retratada em obras de arte e manifestações artísticas de trovadores e cancioneiros tradicionalistas, nas tertúlias e “invernadas”. Nos CTGs (centros de tradições gaúchas), muitos optam por comparecer utilizando os cavalos como meio de transporte.

 

Um dos eventos que atrai centenas de pessoas, em Porto Alegre, é a “Semana Farroupilha”, em setembro, em que os peões se vestem pilchados (com vestimenta típica). Vale lembrar que a data comemorativa da Revolução Farroupilha é 20 de novembro, também chamada de “Dia do Gaúcho”. As cavalgadas costumam reunir dezenas de cavaleiros entre os tradicionalistas.

 

Por tudo isso, não é de se estranhar que salvar o “Caramelo” na terra dos pampas foi especialmente comovente para os gaúchos, como um sopro de esperança…

 

Toda a vida importa!

 

O sentimento de solidariedade com o drama das cerca de 2,1 milhões de pessoas atingidas pela catástrofe ambiental no RS tem mobilizado ajuda humanitária de todos os cantos do Brasil e repercute no exterior.

 

Ainda bem que, paralelamente, também há um grande empenho no salvamento dos animais de todos os portes, nas áreas rurais e urbanas. Esses esforços, tão louváveis, em muitos momentos batem de frente com os que criticam o resgate de pets. Esquecem que para muitos, um animal de estimação faz parte da família e pode ser, comprovadamente, terapêutico para o tutor. Toda a vida importa!

 

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Por

Sônia Pillon é jornalista e escritora, formada em Jornalismo pela PUC-RS e pós-graduada em Produção de Texto e Gramática pela Univille. Integra a AJEB Santa Catarina. Fundadora da ALBSC Jaraguá do Sul.

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