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Os desafios da Bacia do Itapocu para garantir água de qualidade no futuro
Resumo da matéria
O medo da falta de água é um tema que ocupa o centro das discussões em todo o mundo. Mudanças climáticas, crescimento populacional e uso intensivo dos recursos naturais colocam pressão sobre rios e mananciais. E essa preocupação, como não poderia deixar de ser, também atinge todos que dependem da Bacia do Rio Itapocu, no […]
O medo da falta de água é um tema que ocupa o centro das discussões em todo o mundo. Mudanças climáticas, crescimento populacional e uso intensivo dos recursos naturais colocam pressão sobre rios e mananciais. E essa preocupação, como não poderia deixar de ser, também atinge todos que dependem da Bacia do Rio Itapocu, no Norte de Santa Catarina.
Neste episódio da série sobre o Rio Itapocu, realizada em parceria com a Associação dos Municípios do Vale do Itapocu (Amvali), trataremos dos desafios para o futuro e como garantir que a região não sofra com desabastecimento de água.
O futuro da água na Bacia do Itapocu
A Bacia Hidrográfica do Rio Itapocu, responsável pelo abastecimento de diversas cidades da região, participa de um debate cada vez mais urgente: como garantir água em quantidade e qualidade para as próximas gerações.
O Plano de Recursos Hídricos da bacia, considerado o plano diretor das águas, aponta que, em um cenário pessimista, a ausência de planejamento e gestão pode levar a situações críticas. Esse cenário considera o crescimento populacional acelerado, o aumento da demanda da indústria e da agricultura e a falta de práticas conservacionistas.
Nessas condições, os estudos indicam que pode não haver água suficiente para atender todos os usos. Em situações de escassez, a legislação brasileira estabelece prioridade para o consumo humano e a dessedentação animal, o que evidencia a importância de evitar que a crise se instale.

Crescimento urbano e pressão sobre os recursos
Um dos principais desafios dos municípios da Amvali está diretamente ligado ao avanço urbano e econômico. O aumento das atividades industriais, da agricultura e da geração de energia, somado à expansão das cidades, intensifica a chamada pressão antrópica sobre os recursos hídricos, ou seja, aquelas causadas pela atividade humana.
Além da quantidade, a qualidade da água também é um tema que preocupa.
De acordo com a presidente do Comitê da Bacia do Itapocu, Karine Holler, em períodos de chuva, é comum o aumento da turbidez dos rios, especialmente do Itapocu. “Esse fenômeno está associado à erosão do solo, que carrega sedimentos para os cursos d’água, dificultando o tratamento e contribuindo para o assoreamento”, explica.
Portanto, esse processo revela um ponto crítico: o uso do solo e a ocupação do território têm impacto direto sobre a água disponível.
Planejamento hídrico como caminho
Diante desse cenário, Karine Holler destaca que o planejamento hídrico é fundamental para evitar crises futuras. Isso envolve ações integradas que vão desde a gestão pública até mudanças de comportamento da população.
Entre as medidas consideradas essenciais estão:
- Redução de perdas nos sistemas de abastecimento
- Implantação do saneamento rural
- Difusão de tecnologias para o uso eficiente da água na agricultura e na indústria
- Planejamento adequado das cidades, observando a proteção de mananciais
- Monitoramento da quantidade e qualidade da água com ampliação da rede de estações fluviométricas e pluviométricas

A importância de proteger os mananciais
Outro ponto central para garantir a segurança hídrica está na preservação ambiental. A recuperação de matas ciliares, nascentes e áreas de recarga é considerada uma das estratégias mais eficazes para manter o equilíbrio dos rios.
“Nossas nascentes e toda a área de recarga dos cursos d’água devem ser preservadas ou recuperadas com as matas ciliares, pois esta floresta nativa protege e abastece os rios, riachos, córregos e os lençóis freáticos. Além disso, atuam no combate à erosão, protegendo o solo e o transporte de sedimentos para os rios”, diz Karine.
Ela também reforça que soluções baseadas na natureza são importantes para aumentar a resiliência climática. Práticas simples, como cultivar jardins com plantas e árvores, evitando a impermeabilização excessiva do solo, ajudam a absorver a água da chuva e reduzir problemas como alagamentos.
O papel das cidades e da sociedade
O desafio da água não é apenas técnico; ele também passa pelo planejamento urbano. Políticas de uso e ocupação do solo precisam considerar a proteção dos mananciais e a sustentabilidade hídrica.
Ao mesmo tempo, a participação da população é vista como peça-chave nesse processo. Acompanhamento de políticas públicas, participação em audiências e fiscalização de atividades potencialmente poluidoras são formas de contribuir para a preservação dos recursos.
Outro ponto de atenção é a poluição dos rios, ainda impactados pelo descarte inadequado de resíduos e pelo lançamento de efluentes sem tratamento, o que compromete não apenas o abastecimento, mas também a biodiversidade.
Um desafio que exige ação contínua
Embora o cenário traga alertas, especialistas destacam que há caminhos viáveis para evitar uma crise hídrica futura na Bacia do Itapocu. A combinação de planejamento, investimento, preservação ambiental e conscientização pode garantir que a região continue tendo água de qualidade no futuro.
Mais do que uma preocupação pontual, o tema exige uma visão de longo prazo, onde desenvolvimento e sustentabilidade caminhem juntos, assegurando um recurso essencial para a vida.
