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El Niño e as cidades do futuro: os desafios de Santa Catarina para conter as enchentes
Santa Catarina já sabe que não basta esperar a água baixar para começar a agir. Diante da possibilidade de eventos climáticos extremos, o desafio dos próximos anos é preparar as cidades antes que as enchentes aconteçam.
Com a influência do El Niño e a previsão de períodos de maior instabilidade, o Estado ampliou as ações de acompanhamento e preparação. A Defesa Civil de Santa Catarina criou uma página especial para reunir informações sobre o fenômeno, orientações de segurança e medidas de prevenção, além de reforçar a importância dos planos de contingência municipais e da atuação integrada entre órgãos públicos.
Dentro desse debate, uma experiência de Jaraguá do Sul passou a ser utilizada como referência para discutir novas formas de prevenção. A Via Verde, implantada durante a gestão de Antídio Lunelli como prefeito, uniu mobilidade, lazer, preservação ambiental e uma nova forma de convivência com o Rio Itapocu.
A discussão, portanto, ganhou força em um momento em que Santa Catarina busca equilibrar duas frentes: melhorar a resposta quando os eventos extremos acontecem e investir em soluções capazes de diminuir os danos antes das ocorrências.

Defesa Civil reforça preparação para eventos extremos
A atuação da Defesa Civil de Santa Catarina diante do El Niño envolve monitoramento meteorológico, emissão de alertas e preparação dos municípios.
O órgão estadual criou uma página especial sobre o fenômeno para reunir informações, orientações e medidas de autoproteção para a população. O material também reforça a importância de os municípios manterem seus Planos de Contingência atualizados e preparados para diferentes cenários.
O planejamento considera situações como chuvas intensas, temporais, alagamentos, enxurradas, inundações e deslizamentos, eventos que historicamente causam impactos em diferentes regiões catarinenses.
A estratégia envolve o acompanhamento das condições climáticas, emissão de alertas e integração entre órgãos públicos para que a resposta possa ocorrer de forma mais rápida quando houver necessidade.
Na Bacia Hidrográfica do Rio Itapocu, que abrange municípios como Jaraguá do Sul e Guaramirim, as estações hidrometeorológicas auxiliam no acompanhamento do comportamento dos rios, reunindo informações como nível da água, volume de chuva e variações que podem indicar situações de risco.

Esses dados ajudam órgãos públicos e entidades responsáveis pelo gerenciamento dos recursos hídricos a tomar decisões com mais antecedência, além de contribuir para o planejamento de ações preventivas.
O Rio Itapocu tem uma relação histórica de importância e preocupação para a região. Ao mesmo tempo em que é essencial para o abastecimento da população e para a economia local, também exige atenção em períodos de eventos extremos, tanto em situações de enchentes quanto de estiagens.
A combinação entre monitoramento, sistemas de alerta, preparação das equipes e obras estruturais forma uma estratégia mais ampla para lidar com os desafios impostos pelo clima.
Jaraguá do Sul e a relação com o Rio Itapocu
Em Jaraguá do Sul, o debate sobre prevenção passa diretamente pela relação da cidade com os rios que cortam o município.
O Rio Itapocu tem papel fundamental no desenvolvimento da região, mas também representa um ponto de atenção em períodos de chuva intensa, quando o aumento do volume de água pode trazer impactos para áreas urbanas.
Um dos principais exemplos dessa busca por adaptação é o Parque Linear Via Verde, implantado durante a gestão de Antídio Lunelli como prefeito de Jaraguá do Sul.
A iniciativa transformou uma área sujeita a alagamentos em um espaço de lazer, preservação ambiental e convivência, mas também com uma função estratégica em momentos de maior volume de água.
Segundo Lunelli, a experiência foi construída a partir de uma mudança na forma de enfrentar as cheias.
“Quando estive à frente da Prefeitura de Jaraguá do Sul, fizemos o primeiro Parque Via Verde no Estado de Santa Catarina. Transformamos uma área alagável em parque, desassoreamos todos os rios e ribeirões, trocamos tubos por galerias, e o nosso trabalho reduziu em 95% os problemas de cheias no município de Jaraguá do Sul”, afirma.
Do modelo local para uma proposta estadual
O conceito da Via Verde serviu de base para o Programa Parque Linear Barriga-Verde, apresentado por Antídio Lunelli na Assembleia Legislativa de Santa Catarina.
A proposta busca transformar essa experiência municipal em uma política estadual, incentivando municípios catarinenses a implantarem espaços semelhantes, unindo prevenção contra enchentes, preservação ambiental, lazer e planejamento urbano.
A iniciativa prevê que esses parques funcionem de forma integrada: em períodos sem grandes volumes de chuva, como áreas de convivência e valorização urbana; durante eventos extremos, como estruturas capazes de auxiliar na retenção da água e reduzir impactos nas regiões mais vulneráveis.

O programa acompanha uma tendência de planejamento urbano que busca adaptar as cidades às mudanças climáticas. Em vez de enxergar os rios apenas como uma ameaça, a proposta considera que eles fazem parte da dinâmica dos municípios e precisam ser incorporados ao crescimento urbano.
O futuro das cidades passa pela adaptação
Os eventos climáticos dos últimos anos mostraram que o enfrentamento das enchentes exige diferentes estratégias.
Obras tradicionais de infraestrutura continuam sendo importantes, assim como sistemas de monitoramento, alertas e preparação das equipes de emergência. Mas o planejamento urbano também passa a ter papel central.
A impermeabilização do solo, a ocupação de áreas próximas aos cursos d’água e a redução de espaços naturais de absorção aumentam os impactos quando grandes volumes de chuva chegam em pouco tempo.
Por isso, cidades mais preparadas são aquelas que conseguem antecipar riscos e criar estruturas para lidar com diferentes cenários.
O debate provocado pelo El Niño coloca uma questão para Santa Catarina: como os municípios querem crescer nas próximas décadas diante de um clima cada vez mais desafiador?
A experiência da Via Verde e a proposta do Parque Linear Barriga-Verde colocam Jaraguá do Sul dentro dessa discussão, mostrando que prevenção e planejamento urbano podem caminhar juntos na construção das cidades do futuro.

