El Niño e as cidades do futuro: os desafios de Santa Catarina para conter as enchentes
| Vista aérea da enchente em 2014 | Foto: Águia

El Niño e as cidades do futuro: os desafios de Santa Catarina para conter as enchentes

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Estado reforça monitoramento e prepara plano de resposta para eventos extremos, enquanto municípios buscam soluções de prevenção. Em Jaraguá do Sul, Via Verde inspirou projeto estadual de parques alagáveis apresentado por Antídio Lunelli

Santa Catarina já sabe que não basta esperar a água baixar para começar a agir. Diante da possibilidade de eventos climáticos extremos, o desafio dos próximos anos é preparar as cidades antes que as enchentes aconteçam.

Com a influência do El Niño e a previsão de períodos de maior instabilidade, o Estado ampliou as ações de acompanhamento e preparação. A Defesa Civil de Santa Catarina criou uma página especial para reunir informações sobre o fenômeno, orientações de segurança e medidas de prevenção, além de reforçar a importância dos planos de contingência municipais e da atuação integrada entre órgãos públicos.

Dentro desse debate, uma experiência de Jaraguá do Sul passou a ser utilizada como referência para discutir novas formas de prevenção. A Via Verde, implantada durante a gestão de Antídio Lunelli como prefeito, uniu mobilidade, lazer, preservação ambiental e uma nova forma de convivência com o Rio Itapocu.

A discussão, portanto, ganhou força em um momento em que Santa Catarina busca equilibrar duas frentes: melhorar a resposta quando os eventos extremos acontecem e investir em soluções capazes de diminuir os danos antes das ocorrências.

Jaraguá do Sul tornou-se referência após a inauguração da Via Verde, durante a gestão de Antídio Lunelli | Fotos: Divulgação

Defesa Civil reforça preparação para eventos extremos

A atuação da Defesa Civil de Santa Catarina diante do El Niño envolve monitoramento meteorológico, emissão de alertas e preparação dos municípios.

O órgão estadual criou uma página especial sobre o fenômeno para reunir informações, orientações e medidas de autoproteção para a população. O material também reforça a importância de os municípios manterem seus Planos de Contingência atualizados e preparados para diferentes cenários.

O planejamento considera situações como chuvas intensas, temporais, alagamentos, enxurradas, inundações e deslizamentos, eventos que historicamente causam impactos em diferentes regiões catarinenses.

A estratégia envolve o acompanhamento das condições climáticas, emissão de alertas e integração entre órgãos públicos para que a resposta possa ocorrer de forma mais rápida quando houver necessidade.

Na Bacia Hidrográfica do Rio Itapocu, que abrange municípios como Jaraguá do Sul e Guaramirim, as estações hidrometeorológicas auxiliam no acompanhamento do comportamento dos rios, reunindo informações como nível da água, volume de chuva e variações que podem indicar situações de risco.

Desde setembro de 2025, Jaraguá do Sul com uma Estação Hidrometeorológica instalada próxima à ponte Abdon Batista | Foto: Divulgação

Esses dados ajudam órgãos públicos e entidades responsáveis pelo gerenciamento dos recursos hídricos a tomar decisões com mais antecedência, além de contribuir para o planejamento de ações preventivas.

O Rio Itapocu tem uma relação histórica de importância e preocupação para a região. Ao mesmo tempo em que é essencial para o abastecimento da população e para a economia local, também exige atenção em períodos de eventos extremos, tanto em situações de enchentes quanto de estiagens.

A combinação entre monitoramento, sistemas de alerta, preparação das equipes e obras estruturais forma uma estratégia mais ampla para lidar com os desafios impostos pelo clima.

Jaraguá do Sul e a relação com o Rio Itapocu

Em Jaraguá do Sul, o debate sobre prevenção passa diretamente pela relação da cidade com os rios que cortam o município.

O Rio Itapocu tem papel fundamental no desenvolvimento da região, mas também representa um ponto de atenção em períodos de chuva intensa, quando o aumento do volume de água pode trazer impactos para áreas urbanas.

Um dos principais exemplos dessa busca por adaptação é o Parque Linear Via Verde, implantado durante a gestão de Antídio Lunelli como prefeito de Jaraguá do Sul.

A iniciativa transformou uma área sujeita a alagamentos em um espaço de lazer, preservação ambiental e convivência, mas também com uma função estratégica em momentos de maior volume de água.

Segundo Lunelli, a experiência foi construída a partir de uma mudança na forma de enfrentar as cheias.

“Quando estive à frente da Prefeitura de Jaraguá do Sul, fizemos o primeiro Parque Via Verde no Estado de Santa Catarina. Transformamos uma área alagável em parque, desassoreamos todos os rios e ribeirões, trocamos tubos por galerias, e o nosso trabalho reduziu em 95% os problemas de cheias no município de Jaraguá do Sul”, afirma.

Do modelo local para uma proposta estadual

O conceito da Via Verde serviu de base para o Programa Parque Linear Barriga-Verde, apresentado por Antídio Lunelli na Assembleia Legislativa de Santa Catarina.

A proposta busca transformar essa experiência municipal em uma política estadual, incentivando municípios catarinenses a implantarem espaços semelhantes, unindo prevenção contra enchentes, preservação ambiental, lazer e planejamento urbano.

A iniciativa prevê que esses parques funcionem de forma integrada: em períodos sem grandes volumes de chuva, como áreas de convivência e valorização urbana; durante eventos extremos, como estruturas capazes de auxiliar na retenção da água e reduzir impactos nas regiões mais vulneráveis.

Projeto de Lunelli foi inspirado no sucesso da Via Verde em Jaraguá do Sul | Foto: Divulgação

O programa acompanha uma tendência de planejamento urbano que busca adaptar as cidades às mudanças climáticas. Em vez de enxergar os rios apenas como uma ameaça, a proposta considera que eles fazem parte da dinâmica dos municípios e precisam ser incorporados ao crescimento urbano.

O futuro das cidades passa pela adaptação

Os eventos climáticos dos últimos anos mostraram que o enfrentamento das enchentes exige diferentes estratégias.

Obras tradicionais de infraestrutura continuam sendo importantes, assim como sistemas de monitoramento, alertas e preparação das equipes de emergência. Mas o planejamento urbano também passa a ter papel central.

A impermeabilização do solo, a ocupação de áreas próximas aos cursos d’água e a redução de espaços naturais de absorção aumentam os impactos quando grandes volumes de chuva chegam em pouco tempo.

Por isso, cidades mais preparadas são aquelas que conseguem antecipar riscos e criar estruturas para lidar com diferentes cenários.

O debate provocado pelo El Niño coloca uma questão para Santa Catarina: como os municípios querem crescer nas próximas décadas diante de um clima cada vez mais desafiador?

A experiência da Via Verde e a proposta do Parque Linear Barriga-Verde colocam Jaraguá do Sul dentro dessa discussão, mostrando que prevenção e planejamento urbano podem caminhar juntos na construção das cidades do futuro.

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