Bebida produzida em Jaraguá do Sul impressiona especialista francês de uma das maiores empresas do mundo
| Gin produzido em Jaraguá do Sul chamou a atenção do enólogo francês François Hautekeur. Foto: Divulgação/Arquivo pessoal

Bebida produzida em Jaraguá do Sul impressiona especialista francês de uma das maiores empresas do mundo

Fenisio Pires

Publicada em 28/09/2026 / Por Fenisio Pires

François Hautekeur, que construiu carreira no mundo dos vinhos e espumantes, se surpreendeu ao provar uma bebida produzida na cidade.

Acostumado a analisar aromas e sabores de alguns dos rótulos mais conhecidos do mundo, o francês François Hautekeur não esperava que um gin produzido em Jaraguá do Sul pudesse chamar a sua atenção. Com mais de duas décadas de atuação no grupo Moët Hennessy e passagens por marcas como Moët & Chandon e Veuve Clicquot, ele se surpreendeu ao provar o Gin Mondlicht.

O encontro com o rótulo aconteceu durante uma apresentação da bebida no Rio Grande do Sul. E a surpresa foi ainda maior porque François admite que o gin nunca esteve entre suas bebidas de preferência.

“Eu não sou de gin. Normalmente não é a minha praia. Foi uma grande complexidade, justamente um fato fora do comum, uma sensação de centenas de ervas e aromas”, contou o enólogo.

Segundo ele, a expectativa inicial era encontrar uma bebida com aquele aroma mais farmacêutico comum em alguns gins, mas a experiência foi outra.

Garrafa do Gin Mondlicht produzido em Jaraguá do Sul
Foto: Divulgação/Mondlicht

Da engenharia mecânica ao mundo dos grandes vinhos

Antes de se tornar um dos nomes ligados à comunicação enológica da Moët Hennessy, François seguiu um caminho diferente. Formado em engenharia mecânica, trabalhou na área por quase nove anos.

A paixão pelo vinho fez com que ele mudasse de trajetória profissional. Entre 2001 e 2003, estudou enologia durante dois anos e iniciou uma nova fase da carreira aos 35 anos.

Há mais de duas décadas, passou a trabalhar com o grupo Moët Hennessy. A primeira experiência veio na Moët & Chandon, onde participou da vindima de 2003, trabalhando na elaboração de vinhos tintos.

Depois, passou quase nove anos na Veuve Clicquot, uma das marcas mais tradicionais de champanhe do mundo.

Enólogo francês François Hautekeur durante degustação
François Hautekeur tem mais de duas décadas de experiência no setor de vinhos e espumantes. Foto: Arquivo pessoal

A função envolve traduzir conhecimento técnico para consumidores, profissionais do setor e apaixonados por bebidas, aproximando a complexidade da enologia do público.

A história do champanhe encontrado no Mar Báltico

Entre as experiências vividas por François ao longo da carreira, uma das mais curiosas está ligada a uma descoberta no Mar Báltico.

Em um navio naufragado, foram encontradas cerca de 160 garrafas de champanhe. François teve a oportunidade de degustar todas elas, entre as quais estavam 47 garrafas de Veuve Clicquot produzidas na década de 1840.

Na prática, o enólogo provou bebidas com quase dois séculos de história, uma experiência que também permitiu observar como o champanhe pode evoluir depois de tanto tempo.

Para François, episódios como esse ajudam a explicar por que uma bebida pode ir além do sabor e carregar também história, memória e diferentes experiências.

O que faz uma bebida ser inesquecível

Ao longo da carreira, François conheceu produtores e bebidas de diferentes partes do mundo. Para ele, um dos principais critérios que diferenciam uma bebida está na complexidade aromática.

Segundo o enólogo, alguns vinhos conseguem criar uma conexão emocional com quem degusta. A bebida pode trazer lembranças, provocar sensações e até criar uma combinação especial com a gastronomia.

É essa capacidade de despertar diferentes percepções por meio dos aromas que pode transformar uma degustação em uma experiência marcante.

Foto: Arquivo pessoal

E foi justamente essa característica que, segundo ele, encontrou no Mondlicht.

O que chamou atenção no gin de Jaraguá do Sul

O encontro com o Mondlicht também criou uma relação pessoal entre François e o produtor da bebida.

O enólogo conta que passou a admirar não apenas o gin, mas também o trabalho e a trajetória do produtor jaraguaense.

“Ele se tornou um pouco como um amigo ou irmãozinho”, disse.

Desde então, François já apresentou a bebida para escolas de sommeliers e grandes bares de São Paulo, além de continuar ajudando na divulgação do trabalho desenvolvido em Jaraguá do Sul.

Para ele, fazer uma nova bebida conquistar espaço no mercado não é simples, mas acredita no potencial do produto.

Garrafa do Gin Mondlicht ao lado de taça com drink
Gin Mondlicht é produzido em Jaraguá do Sul. Foto: Divulgação/Mondlicht

Como isso impacta sua vida?

A experiência de François mostra como um produto desenvolvido em Jaraguá do Sul pode ultrapassar o mercado local e chegar a profissionais com décadas de atuação no setor de bebidas. No caso do Gin Mondlicht, o encontro não terminou na primeira degustação. François afirma que passou a apresentar a bebida a escolas de sommeliers e estabelecimentos de São Paulo, ampliando a circulação de um produto criado na cidade.

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