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Bebida produzida em Jaraguá do Sul impressiona especialista francês de uma das maiores empresas do mundo
Acostumado a analisar aromas e sabores de alguns dos rótulos mais conhecidos do mundo, o francês François Hautekeur não esperava que um gin produzido em Jaraguá do Sul pudesse chamar a sua atenção. Com mais de duas décadas de atuação no grupo Moët Hennessy e passagens por marcas como Moët & Chandon e Veuve Clicquot, ele se surpreendeu ao provar o Gin Mondlicht.
O encontro com o rótulo aconteceu durante uma apresentação da bebida no Rio Grande do Sul. E a surpresa foi ainda maior porque François admite que o gin nunca esteve entre suas bebidas de preferência.
“Eu não sou de gin. Normalmente não é a minha praia. Foi uma grande complexidade, justamente um fato fora do comum, uma sensação de centenas de ervas e aromas”, contou o enólogo.
Segundo ele, a expectativa inicial era encontrar uma bebida com aquele aroma mais farmacêutico comum em alguns gins, mas a experiência foi outra.

Da engenharia mecânica ao mundo dos grandes vinhos
Antes de se tornar um dos nomes ligados à comunicação enológica da Moët Hennessy, François seguiu um caminho diferente. Formado em engenharia mecânica, trabalhou na área por quase nove anos.
A paixão pelo vinho fez com que ele mudasse de trajetória profissional. Entre 2001 e 2003, estudou enologia durante dois anos e iniciou uma nova fase da carreira aos 35 anos.
Há mais de duas décadas, passou a trabalhar com o grupo Moët Hennessy. A primeira experiência veio na Moët & Chandon, onde participou da vindima de 2003, trabalhando na elaboração de vinhos tintos.
Depois, passou quase nove anos na Veuve Clicquot, uma das marcas mais tradicionais de champanhe do mundo.

A função envolve traduzir conhecimento técnico para consumidores, profissionais do setor e apaixonados por bebidas, aproximando a complexidade da enologia do público.
A história do champanhe encontrado no Mar Báltico
Entre as experiências vividas por François ao longo da carreira, uma das mais curiosas está ligada a uma descoberta no Mar Báltico.
Em um navio naufragado, foram encontradas cerca de 160 garrafas de champanhe. François teve a oportunidade de degustar todas elas, entre as quais estavam 47 garrafas de Veuve Clicquot produzidas na década de 1840.
Na prática, o enólogo provou bebidas com quase dois séculos de história, uma experiência que também permitiu observar como o champanhe pode evoluir depois de tanto tempo.
Para François, episódios como esse ajudam a explicar por que uma bebida pode ir além do sabor e carregar também história, memória e diferentes experiências.
O que faz uma bebida ser inesquecível
Ao longo da carreira, François conheceu produtores e bebidas de diferentes partes do mundo. Para ele, um dos principais critérios que diferenciam uma bebida está na complexidade aromática.
Segundo o enólogo, alguns vinhos conseguem criar uma conexão emocional com quem degusta. A bebida pode trazer lembranças, provocar sensações e até criar uma combinação especial com a gastronomia.
É essa capacidade de despertar diferentes percepções por meio dos aromas que pode transformar uma degustação em uma experiência marcante.

E foi justamente essa característica que, segundo ele, encontrou no Mondlicht.
O que chamou atenção no gin de Jaraguá do Sul
O encontro com o Mondlicht também criou uma relação pessoal entre François e o produtor da bebida.
O enólogo conta que passou a admirar não apenas o gin, mas também o trabalho e a trajetória do produtor jaraguaense.
“Ele se tornou um pouco como um amigo ou irmãozinho”, disse.
Desde então, François já apresentou a bebida para escolas de sommeliers e grandes bares de São Paulo, além de continuar ajudando na divulgação do trabalho desenvolvido em Jaraguá do Sul.
Para ele, fazer uma nova bebida conquistar espaço no mercado não é simples, mas acredita no potencial do produto.

Como isso impacta sua vida?
A experiência de François mostra como um produto desenvolvido em Jaraguá do Sul pode ultrapassar o mercado local e chegar a profissionais com décadas de atuação no setor de bebidas. No caso do Gin Mondlicht, o encontro não terminou na primeira degustação. François afirma que passou a apresentar a bebida a escolas de sommeliers e estabelecimentos de São Paulo, ampliando a circulação de um produto criado na cidade.
