De Barra Velha a Itapema: o que faz o litoral catarinense atrair cada vez mais investidores dos Estados Unidos
O litoral de Santa Catarina concentra 4 das 5 cidades mais valorizadas do Brasil, e o interesse já chega a brasileiros que vivem fora do país.
O interesse de brasileiros que vivem nos EUA pelo litoral catarinense cresce com o dólar valorizado. Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial
Resumo completo
Liderança nacional: Itapema assumiu em maio de 2026 o metro quadrado mais caro do Brasil, à frente de Balneário Camboriú
Concentração: SC tem 4 das 5 cidades mais valorizadas do país (FipeZap)
Salto em Barra Velha: VGV lançado passou de R$ 562 milhões (2021) para R$ 1,14 bilhão (2024)
Público no exterior: mais de 1,7 milhão de brasileiros vivem nos EUA, segundo o Itamaraty
Encontro em Boston: a estrategista de patrimônio Noeli Girasol leva o tema a investidores brasileiros nos EUA no segundo semestre de 2026
O trecho de praia entre Barra Velha e Itapema, no litoral norte de Santa Catarina, movimenta hoje uma das maiores cifras do mercado imobiliário brasileiro. Quem mede isso são os índices que acompanham o preço do metro quadrado no país, não as imobiliárias da região.
Santa Catarina reúne quatro das cinco cidades com os imóveis mais caros do Brasil, segundo o Índice FipeZap. E o movimento deixou de ser só de catarinense ou de investidor de outros estados. Brasileiros que moram nos Estados Unidos, com renda em dólar e vínculo afetivo com o país, passaram a olhar para esse litoral como destino de investimento.

Itapema tira de Balneário Camboriú o posto de metro quadrado mais caro
Por quatro anos, Balneário Camboriú liderou sozinha o ranking nacional. Isso mudou. Em maio de 2026, Itapema chegou a R$ 15.226 por metro quadrado e ultrapassou a vizinha, que registrou R$ 15.215. A diferença é de R$ 11, e marca a primeira vez que outra cidade catarinense assume o topo.
A virada acontece dentro de um quadro que já vinha se desenhando: Santa Catarina ocupa quatro das cinco primeiras posições do ranking nacional de preço do metro quadrado. Só Vitória, no Espírito Santo, quebra a sequência catarinense, em terceiro lugar.
| Cidade | Preço médio do m² | Posição nacional |
|---|---|---|
| Itapema (SC) | R$ 15.226 | 1º |
| Balneário Camboriú (SC) | R$ 15.215 | 2º |
| Florianópolis (SC) | R$ 13.288 | 4º |
| Itajaí (SC) | R$ 13.208 | 5º |
Fonte: Índice FipeZap, referência de maio de 2026. As quatro cidades catarinenses ocupam quatro das cinco primeiras posições nacionais; Vitória (ES) aparece em 3º.
A explicação que o mercado dá para a virada é de espaço. Balneário Camboriú consolidou seu ciclo de valorização e tem pouca área para crescer. Itapema ainda tem terreno, lançamentos novos e obras em andamento, como o alargamento da faixa de areia da Meia Praia, principal eixo imobiliário da cidade, com investimento estimado em R$ 60 milhões. Em 2025, Itapema liderou o Valor Geral de Vendas do país, com R$ 4,1 bilhões, segundo a plataforma DWV.
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Barra Velha entra no mesmo ciclo de valorização
Mais ao norte, Barra Velha entrou nesse mesmo movimento. A cidade fica às margens da BR-101 e virou destino de quem busca litoral com preço de entrada ainda abaixo do das praias do centro-norte.
Os números dão a dimensão. O Valor Geral de Vendas lançado em Barra Velha passou de R$ 562 milhões em 2021 para R$ 1,14 bilhão em 2024, segundo dados da Brain Inteligência. No mesmo período, o volume efetivamente vendido cresceu mais de dez vezes. Penha e Balneário Piçarras, cidades vizinhas, acumulam valorização acima de 55% no metro quadrado desde 2020. A posição na rodovia, entre praias já saturadas de lançamentos e os polos econômicos do norte catarinense e do Paraná, atrai quem busca preço de entrada menor com perspectiva de alta.

Por que o brasileiro que vive nos EUA entra nessa conta
Há um público específico de olho nesse litoral: o brasileiro que mora fora. Mais de 1,7 milhão de brasileiros vivem nos Estados Unidos, segundo o Itamaraty, e parte deles mantém o plano de aplicar parte do patrimônio em solo brasileiro.
O câmbio explica boa parte do interesse. Quem ganha em dólar e investe em real tem poder de compra ampliado quando a moeda americana está valorizada. Quem acompanha esse público de perto é Noeli Girasol, estrategista de patrimônio à frente de uma imobiliária Noelíssima, voltada a imóveis de alto padrão no litoral norte catarinense.
“Já atendi e vendi para brasileiros que moram lá, e o que mais pesou foi a valorização e a oportunidade de compra por conta do câmbio.” — Noeli Girasol, estrategista de patrimônio
Segundo ela, o que esse cliente procura varia entre dois objetivos: valorização, para revenda, ou renda, com aluguel short stay. O investidor de fora chega, em geral, por indicação de quem já fez negócio na região, embora o alcance digital amplie esse mapa. Noeli atende atualmente uma cliente na Malásia, que a encontrou pelo Instagram.

O estudo por trás de cada imóvel apresentado
O ponto que Noeli destaca como diferencial é o risco de investir de longe sem informação. “O erro mais comum de quem investe sem conhecimento é não ter segurança e valorização real”, diz. Para reduzir esse risco, ela monta um estudo individualizado por empreendimento, unidade e localização, com base em dados de mercado em tempo real.
Esse estudo projeta o cenário do investimento desde a compra até o pós-entrega: retorno estimado, melhor momento de revenda e comportamento da valorização ao longo dos anos. “O cliente passa a ter uma projeção real, sem achismo, onde entende os cenários desde o momento da compra até a entrega ou até mesmo pós-chaves”, afirma. A ideia é dar ao comprador uma base de números antes de ele fechar negócio.

A ponte entre o litoral catarinense e os brasileiros em Boston
É nesse contexto que entra a viagem programada para o fim de agosto e início de setembro de 2026. Noeli vai a Boston, nos Estados Unidos, ao lado de uma incorporadora, para apresentar o litoral catarinense a investidores brasileiros que vivem na região.
O encontro será um jantar para um grupo selecionado de cerca de 20 convidados. A viagem partiu de um convite: um cliente que já investiu no litoral catarinense quis levar a oportunidade a amigos da comunidade brasileira onde mora. A região de Boston concentra uma das maiores populações de brasileiros nos Estados Unidos, formada por trabalhadores de vários setores e comerciantes, muitos com família no Brasil e interesse em alavancagem patrimonial ou renda passiva.
A proposta da iniciativa vai além de fechar negócios pontuais.
“O que eu espero da viagem, além de fazer negócios, é criar um canal onde o brasileiro que mora fora do país possa ter oportunidades de alavancar patrimônio.” — Noeli Girasol
Ela estuda ainda um segundo encontro na região de Miami e Orlando, que reúne grande concentração de brasileiros e latinos interessados em investir.
Como isso impacta sua vida?
Para quem pensa em investir no litoral, a leitura é direta: as praias do norte catarinense estão num ciclo de valorização que já colocou Itapema à frente de Balneário Camboriú e levou o interesse para fora do país. Entender o momento de cada cidade, e entrar com estudo na mão em vez de palpite, separa o investidor que aproveita a curva de valorização de quem chega depois que o preço já subiu.
Max Pires
Já criei blog, portal, startup… e agora voltei pro que mais gosto: contar histórias que fazem sentido pra quem vive aqui. Entre um café e um latido dos meus cachorros, tô sempre de olho no que importa pra nossa cidade.