Vereadora denuncia influenciadores de Pomerode ao MP/SC por xenofobia
| Vereadora-Ingrid-Satare-Mawe Foto: Redes Sociais

Vereadora denuncia influenciadores de Pomerode ao MP/SC por xenofobia

Marcio Martins

/ Por Marcio Martins

Um vídeo publicado nas redes sociais por um casal de influenciadores de Pomerode, no Vale do Itajaí, gerou forte repercussão e acabou sendo denunciado ao Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). A denúncia foi feita na última segunda-feira (14) pela vereadora Ingrid Sateré Mawé (PSOL), a primeira parlamentar indígena da história de Florianópolis.

Vídeo polêmico e acusações de xenofobia

No vídeo que viralizou nas redes, a influenciadora Jenifer Stainzack aparece ao lado do marido, Cleiton Stainzack, fazendo declarações sobre Santa Catarina. O casal apresenta o conteúdo como um “alerta” para quem pensa em se mudar para o estado. Em um dos trechos, Jenifer afirma que “tem gente que nunca deveria ter vindo”.

Na sequência, os influenciadores destacam que o estado preserva a cultura, tem costumes conservadores e nunca foi governado pela esquerda, o que, segundo eles, seria o motivo pelo qual Santa Catarina permanece firme e produtiva.

As declarações foram consideradas xenofóbicas e criminosas pela vereadora Ingrid, que sustenta que o conteúdo do vídeo viola o artigo 20, §2º, da Lei 9.459/97, que trata de crimes resultantes de discriminação ou preconceito, além de infringir princípios da Constituição Federal.

“Migrar dentro do Brasil é um direito constitucional, não é favor nem concessão de quem se acha dono de terra alheia”, afirmou a vereadora.

Ingrid também reforçou sua condição de nortista e migrante. “Eu estou aqui, construindo, trabalhando, existindo. E não vou aceitar que nos tratem como se fôssemos invasores ou peso”, publicou em suas redes sociais. Nas postagens, chegou a se referir ao casal como “casal europeu da Shopee”.

Denúncia formal ao Ministério Público

Em entrevista ao portal ND Mais, a vereadora destacou que está atenta a esse tipo de situação. “Enquanto parlamentar estou vigilante nos casos, fazendo os encaminhamentos necessários, pois preconceito não é opinião”, declarou.

O caso foi encaminhado à 40ª Promotoria de Justiça da Comarca da Capital. Segundo o documento enviado ao MPSC, Ingrid solicita que o Ministério Público investigue o casal e determine a retirada da postagem do ar. O Ministério Público confirmou o recebimento da denúncia, que agora segue em análise pela Comarca de Florianópolis.

Como isso impacta sua vida?

Para quem vive em Santa Catarina, essa situação reacende o debate sobre intolerância, preconceito e o direito constitucional de migrar dentro do país. O caso também reforça a vigilância da sociedade e das autoridades para coibir conteúdos que possam reforçar estigmas ou discriminação contra quem escolhe o estado para viver, trabalhar e contribuir com seu desenvolvimento.

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