Jovens de Jaraguá do Sul transformam brincadeira de escola em banda cover dos Mamonas
| Divulgação/Creuzebeck

Jovens de Jaraguá do Sul transformam brincadeira de escola em banda cover dos Mamonas

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Creuzebeck nasceu em 2024 durante uma gincana escolar e hoje leva aos palcos a música, o humor e a irreverência que marcaram uma das bandas mais populares do Brasil.

A história da Creuzebeck Mamonas Cover começou há dois anos, durante uma gincana escolar em Jaraguá do Sul, quando Roni, vocalista e intérprete de Dinho, reuniu alguns amigos para apresentar um cover dos Mamonas Assassinas.

A apresentação despertou nele a vontade de levar a ideia adiante. Depois de algumas apresentações utilizando playback, começou a busca por músicos para transformar o projeto em uma banda de verdade. Aos poucos, novos integrantes foram chegando, indicados por amigos e conhecidos, até que a formação atual fosse reunida.

Mas a história que os jovens da Creuzebeck hoje levam aos palcos tem uma ligação direta com Jaraguá do Sul. Três décadas antes da criação da banda cover, os próprios Mamonas Assassinas estiveram na cidade.

Os Mamonas fizeram história no Brasil e em Jaraguá do Sul também

Na noite chuvosa de 16 de novembro de 1995, o Estádio João Marcatto, em Jaraguá do Sul, recebeu os Mamonas Assassinas, que viviam o auge de uma carreira meteórica.

A chuva não impediu que uma multidão fosse ao estádio para acompanhar de perto o fenômeno que havia conquistado o Brasil. Entre letras irreverentes, figurinos extravagantes, brincadeiras e uma performance cheia de energia, a banda transformou aquela noite em uma lembrança que permanece na memória de muitos jaraguaenses.

A combinação de chuva, lama, risadas e a energia característica dos Mamonas tornou o espetáculo ainda mais marcante. Para quem esteve lá, foi uma oportunidade de assistir de perto a uma banda que, naquele momento, parecia apenas começar uma trajetória que seria interrompida poucos meses depois.

Hoje, 30 anos depois daquela apresentação, uma nova geração de músicos jaraguaenses mantém parte daquela história viva, mesmo sendo formada por pessoas que sequer eram nascidas quando os Mamonas estiveram no palco do João Marcatto.

Uma paixão descoberta em família

Embora tenham conhecido os Mamonas em momentos diferentes, os integrantes compartilham uma admiração pela banda que marcou a música brasileira nos anos 1990.

O baixista Matheus teve contato com as músicas ainda na infância e, posteriormente, passou a conhecer melhor a história do grupo pela internet. Já Roni conheceu os Mamonas por meio do filme, mas a influência também veio de casa: foi o pai quem apresentou mais sobre a banda e ajudou a despertar essa paixão.

Para o baterista Richael, a ligação também começou dentro da família. Seu pai, fã dos Mamonas, foi quem apresentou as músicas. Anos depois, aquela influência ajudou a formar uma nova conexão com o grupo.

E existe ainda um objeto que aproxima ainda mais a Creuzebeck da história original dos Mamonas. A banda do pai de Richael possui uma jaqueta original que pertenceu a Samuel Reoli, baixista dos Mamonas Assassinas.

Do improviso de escola a uma banda de verdade

O nome Creuzebeck nasceu diretamente do universo dos Mamonas. A referência aparece no universo da banda e em falas como a abertura de “1406”: “Atenção, Creuzebeck…”.

A escolha foi uma forma encontrada pelos jovens para homenagear a história do grupo e manter viva a irreverência que marcou os Mamonas.

Foto: Divulgação/Creuzebeck Mamonas Cover.

O que começou como uma apresentação em uma gincana escolar, portando, ganhou novos contornos. Depois dos primeiros covers com playback, veio a vontade de montar uma banda de verdade.

Músicos foram sendo convidados e indicados por amigos até que a formação atual se consolidasse. Hoje, o objetivo é reproduzir não apenas as músicas, mas também parte da experiência que os Mamonas proporcionavam ao público.

Muito além de tocar as músicas

Para a Creuzebeck, fazer um cover não significa apenas reproduzir as canções. A proposta é transportar para o palco a energia que marcou os shows dos Mamonas.

Foto: Divulgação/ Creuzebeck Mamonas Cover.

Os integrantes ensaiam as músicas, mas também se preocupam com os trejeitos, brincadeiras, fantasias e a interação com o público. Tudo para criar um espetáculo marcado por alegria, humor e nostalgia.

Cada integrante encontra inspiração em diferentes membros da formação original. Matheus destaca o guitarrista Bento Hinoto, pela habilidade, criatividade, humildade e simpatia. Lucas também admira o virtuosismo de Bento, mas aponta Dinho como sua principal inspiração pelo carisma, humor e presença de palco.

Para Roni, que assume justamente o papel de Dinho, a inspiração está na capacidade do vocalista de interagir com o público e transformar o show em uma grande celebração.

Richael diz se inspirar na banda como um todo, mas destaca a habilidade e a técnica do baterista Sérgio Reoli.

Do primeiro show a um baixo com a corda estourada

O primeiro show da Creuzebeck aconteceu no Guaralama Fest, em Guaramirim, e acabou se tornando uma das histórias favoritas dos integrantes.

Durante a música “1406”, a corda do baixo estourou. Em vez de interromper a apresentação, o baixista improvisou e continuou tocando. A situação, que poderia virar um problema, acabou conquistando o público e se transformou em uma lembrança marcante para a banda.

Uma banda de 1995 apresentada por uma nova geração

Os Mamonas Assassinas tiveram uma trajetória curta, mas deixaram músicas que continuam sendo conhecidas por diferentes gerações. Para os integrantes da Creuzebeck, poder tocar essas canções décadas depois é também uma maneira de apresentar a banda para quem não teve a oportunidade de acompanhá-la na época.

“É muito gratificante ver que músicas de 1995 continuam conquistando novas gerações. Para nós, é uma honra poder apresentar os Mamonas para quem ainda não teve a oportunidade de conhecê-los e ajudar a manter essa história viva”, afirmam.

É justamente nesse encontro entre gerações que a Creuzebeck encontra seu espaço: jovens que não viveram a época dos Mamonas, mas que descobriram suas músicas, se identificaram com o humor e decidiram levar essa história para os palcos.

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