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Menos uma de amar, uma ao mar.

O Mar sempre tem bons conselhos a dar e entre uma onda e outra nos entendemos, dessa vez ele me disse algo que eu quero dividir com você.

23/05/2019

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Menos uma de amar, uma ao mar.

Fui visitar o mar. Como ele nunca pode vir me ver, eu fui até ele. Não somos amigos íntimos, mas nos respeitamos. Eu o adoro. Ele me faz muito bem. É  uma pena não poder retribuir da mesma maneira. Eu tento, pelo menos, ir até ele com boa energia, mas confesso que já fui em pedaços. Não raros os encontros em que me sentia menor que o grão de areia.

Nesta breve visita, nós dois conversamos. Eu falava e ele, entre uma onda e outra,  demonstrava que entendia. É engraçado porque o mar conhece toda a minha história. Eu vou, eu volto e, quando isso acontece, não preciso contar o causo desde o início ou atualizá-lo. Ele sabe. Eu sei que ele sabe.  Eu sei que ele me aconselha, pois sempre, depois que me despeço, volto pra casa com a nítida impressão de que encontrei o meu norte.

Ele estava calmo hoje. Li certa vez que o fato de o mar estar calmo na superfície não significa que alguma coisa não esteja acontecendo nas profundezas. Aí, fiquei matutando em tudo o que deve acontecer lá embaixo. Pensei nas inúmeras mágoas que ele já deve ter afogado.  Nas infinitas e eternas declarações de amor que as ondas varreram. Nas vidas que ele tomou pra si e nunca mais devolveu e, obviamente, nas coisas que ele já trouxe de volta à margem. Lembrei da sua gastronomia típica, dos seus próprios frutos.  No seu barulho de mar, que é uma trilha sonora perfeita pra embalar a gente numa levada silenciosa.

Entre todos os conselhos, guardei um que, segundo o mar, meu amigo, posso compartilhar. É o seguinte: navegue. Mergulhe.  Respire sempre e, principalmente, Aprenda a nadar. Mas nade para o além, para longe, para a parte mais profunda. Não hesite em sair da superfície. Desapegue-se. Perca a praia de vista, vá! Porque é muito triste saber nadar e morrer na praia.

 

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