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Mortes no trânsito dobram de um ano para outro
Levantamento realizado pela Secretaria Municipal de Saúde aponta que, em comparação com o mesmo período do ano passado, houve aumento de 100% no número de mortes no trânsito
Um levantamento realizado pela Secretaria Municipal de Saúde de Jaraguá do Sul apontou que Jaraguá do Sul voltou a ter índices extremamente violentos no trânsito. O número de mortes ocasionadas por acidentes duplicou no último ano. De outubro do ano passado a outubro de 2019 foram registrados 22 óbitos. No mesmo período de 2018 o índice foi de 11 mortes. O mês de fevereiro foi o que registrou mais óbitos: três, em 2018, e quatro, em 2019.
Desrespeito à sinalização como causa principal
O Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), que registra os dados de morte, aponta que dos 22 óbitos de 2019, 15 ocorreram em vias urbanas e os sete restantes na SC 110 e BR 280, vias que ligam Jaraguá do Sul a cidades vizinhas. O diretor de trânsito de Jaraguá do Sul, Gildo Martins Andrade entende que os acidentes de trânsito com vítimas fatais têm ocorrido sobretudo pelo desrespeito à sinalização e aos demais usuários da via. “Especificamente em relação ao desrespeito à sinalização observamos que significativa parcela dos condutores tem conduzido em excesso de velocidade. Não por acaso o número de pedidos de implantação de lombadas é enorme. Temos que investir na educação para crianças. Lamentavelmente, mudar o modo errôneo de dirigir de um adulto é muito difícil”, destaca. Andrade defende a educação para crianças como um investimento válido, mesmo que de médio a longo prazo. E informou ainda que há tratativas de uma parceria com a Polícia Militar e Polícia Civil para criação de uma escolinha de trânsito para o ano que vem.

“50% das vítimas fatais tinham entre 21 e 39 anos e 59,09% eram do sexo masculino.”
Internações de ciclistas dobraram em um ano
Conteúdos em alta
Os dados do SIH/SUS – Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde – revelam que houve um aumento de 43,23% nas internações hospitalares de setembro de 2018 para este ano. Dentre os registros de internação, o número de ciclistas vítimas de acidentes dobrou de um ano para outro.

A luta por um trânsito melhor
Por e-mail, o coordenador do Comitê Trânsito Mais Seguro, Rolf Dieter Teske, lamentou profundamente os números alarmantes do último ano (veja o e-mail na íntegra no editorial desta edição). Para ele, verificar estes números é humanamente inaceitável e deplorável, ainda mais para uma cidade como Jaraguá do Sul, que sustenta altos índices de qualidade de vida em vários aspectos. “Como aceitar que a maior parte das mortes tenham ocorrido em vias urbanas onde o limite de velocidade é de 60 km/h e onde as vias estão bem sinalizadas e conservadas?”, questiona.

O coordenador chama a atenção para a luta por um trânsito melhor: “Para nós do Comitê TRÂNSITO + SEGURO que desde 2016 acompanhamos de perto os problemas e desafios do trânsito em Jaraguá do Sul, fica claro que a ausência quase total das Campanhas de Conscientização resulta nos números apresentados”. Ele destaca que no final de 2016 e durante 2017, com o envolvimento das Entidades que compõem o Comitê, foram realizadas inúmeras Campanhas de Educação no Trânsito, com envolvimento de empresas, entidades, instituições, com iniciativas voluntárias como Blitz Educativas e Ações em Escolas, Empresas e Entidades diversas. Este esforço resultou numa clara redução dos números apresentados até então.
Teske lembra ainda que, em 2018 e 2019, praticamente nenhuma campanha foi realizada, em consequência da falta de definição e destinação de verbas públicas. “A fonte poderia ser uma pequena parte das receitas apuradas através do Convênio de Trânsito (Multas de Trânsito). Em 2018, menos de R$ 100 mil reais foram destinados no ano para serem aplicados em campanhas de trânsito. Este é um claro sinal de que algo urgente e inteligente precisa ser realizado”, finaliza.
No comparativo de 2017 com 2016, tivemos uma clara e significativa redução nos Acidentes de Trânsito, sendo: redução de -9% no Total de Acidentes, -10% nas Internações Hospitalares e -67% nas Mortes.
O servidor público Rogério Marodim é membro da União dos Ciclistas do Brasil e voluntário da Bike Anjos Brasil. Especialista em Urbanismo e Meio ambiente e educador sobre postura do ciclista no trânsito, Marodim faz do ciclismo um modo de vida. Segundo ele, o aumento de 100% no número de internações hospitalares e as três mortes de ciclistas no trânsito é o reflexo de um conjunto de fatores como a falta de civilidade e respeito no trânsito que deveriam existir (sejam motoristas, ciclistas ou pedestres). “A situação se agrava ainda mais pela total falta de conhecimento das regras de postura no trânsito e o aumento significativo no número de usuários de bicicletas, que não tem conhecimento das normas de conduta”, enfatiza. O servidor público comenta ainda que o incremento na estrutura cicloviária na cidade, que representou um estímulo ao uso da bike, ainda está muito aquém do necessário e adequado física e logisticamente para atender aos padrões adequados aos ciclistas.

Vidas interrompidas, famílias que choram
Dados do último Boletim do 14º Batalhão de Policía Militar apontam que 85% dos acidentes de trânsito nas vias urbanas ocorridos até setembro de 2019 em Jaraguá do Sul tiveram como causa a falta de atenção e em segundo lugar – com 8% – a desobediência à sinalização. Quando estes e outros fatores estão associados ao excesso de velocidade as consequências são as vidas perdidas e as lesões graves com sequelas, as vezes permanentes.
Especialista em Avaliação em Saúde, Luís Fernando Medeiros, responsável pela área de Planejamento da Secretaria de Saúde, foi quem realizou este levantamento. Para ele, mais que números nas estatísticas, são vidas, famílias e pessoas que sofrem pela perda de entes queridos para o trânsito. “Não dá para aceitar passivamente as mortes de jaraguaenses na nossa cidade e fora dela. Somemos a estes números as internações hospitalares pelo SUS de pessoas residentes em Jaraguá do Sul cuja estatística de sequelas após as internações não possuímos.
Qual o impacto destes números para nossa sociedade? E não me refiro somente ao financeiro, mas muito mais ao emocional, das vítimas que estão carregando alguma sequela, de todos os familiares e pessoas próximas destes e dos que perderam algum familiar”, ressalta. “A responsabilidade para diminuir estes números é de todos nós, usuários das vias, administração pública, autoridades policiais, ou seja, da sociedade em geral”.