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Os riscos ocultos à privacidade no uso diário da internet: por que a segurança digital começa com pequenos hábitos
Quando foi a última vez que você realmente leu uma solicitação de permissão antes de tocar em “Permitir”? Ou deixou de se conectar a uma rede Wi-Fi gratuita porque não sabia quem era o responsável por ela?
Para a maioria das pessoas, a resposta sincera é: nunca. Consultamos o saldo bancário na fila da padaria, abrimos links que os amigos encaminham pelo WhatsApp e fornecemos nosso e-mail para ganhar 10% de desconto em um tênis. Nada disso parece arriscado, porque é assim que a vida funciona hoje.
E é justamente aí que está o problema. Fazemos tanta coisa pela internet que deixamos de perceber a quantidade de informações que compartilhamos pelo caminho. As notícias falam dos grandes vazamentos de dados e dos ataques sofisticados, mas boa parte dos riscos está nas situações mais comuns do dia a dia.
A praticidade do Wi-Fi gratuito nem sempre compensa
Imagine que você está em uma cafeteria. Seu pacote de dados está quase acabando e há uma rede Wi-Fi aberta disponível. É claro que você vai querer se conectar.
Na maioria das vezes, nada acontece. Você lê algumas notícias, responde à sua irmã, paga a conta e vai embora. Mas chegou a conferir se aquela rede realmente pertence à cafeteria?
Qualquer pessoa por perto pode criar uma rede com um nome muito parecido. Se você se conectar por engano, essa pessoa poderá interferir em parte da sua atividade online, especialmente se você estiver usando aplicativos ou sites pouco seguros.
Isso não significa que você deva desconfiar de toda rede pública. A maioria dos sites confiáveis utiliza HTTPS, que criptografa os dados transmitidos entre o navegador e o site. Mesmo assim, perguntar a um funcionário qual é o nome correto da rede antes de se conectar leva apenas dez segundos e vale a pena.
Uma VPN (rede virtual privada) é outra camada de proteção que você pode adicionar. Ela criptografa o tráfego entre seu dispositivo e o servidor da VPN, dificultando bastante que outras pessoas conectadas à mesma rede vejam o que você está fazendo. Se essa tecnologia ainda é novidade para você, o guia da ExpressVPN explica os pontos essenciais de forma simples.
Só não se esqueça das limitações. Uma VPN não impede que você digite sua senha em um site falso, nem resolve o problema se você transferir dinheiro para alguém que se passa por seu banco.
Uma mensagem familiar pode representar o maior risco
O Pix tornou as transferências de dinheiro no Brasil incrivelmente fáceis. Dividir a conta do jantar, pagar o encanador ou mandar dinheiro para sua mãe: tudo isso leva poucos segundos.
Os golpistas perceberam isso.
Chega uma mensagem no WhatsApp do seu “primo”. Ele diz que mudou de número, está passando por um aperto e precisa de dinheiro ainda hoje. A foto é dele. Ele chama você pelo nome. Talvez até mencione sua tia.
Você está ocupado, o valor não é tão alto e, afinal, também gostaria que alguém ajudasse você numa situação dessas. Então faz a transferência.
Mais tarde, descobre que seu primo usa o mesmo número há seis anos.
Ninguém precisou invadir sistema nenhum. O golpe funcionou porque a história parecia verdadeira e a transferência foi instantânea.
Já publicamos uma matéria sobre 7 dos golpes virtuais mais comuns em Jaraguá do Sul e sobre como se proteger de cada um deles. Vários deles exploram justamente esse tipo de confiança.
A solução é simples, mas muita gente ainda a ignora: ligue antes de pagar. Use o número que você já tinha salvo, não o novo informado na mensagem. Dois minutos ao telefone podem poupar semanas de tentativa de recuperar o dinheiro.
Confira o que seus aplicativos sabem sobre você
Alguns problemas de privacidade não têm nada a ver com criminosos.
Abra as configurações do celular e veja quais aplicativos têm acesso à sua localização. A lista provavelmente será maior do que você imagina.
O Google Maps precisa dessa informação. Tudo bem. Um aplicativo de previsão do tempo também. Mas por que um aplicativo de filtros de fotos precisa saber onde você está? Ou aquele aplicativo de uma loja que você baixou só para aproveitar uma promoção no Natal passado?
Os aplicativos costumam pedir várias permissões logo na instalação. Aceitamos porque queremos começar a usar o serviço e, depois, esquecemos completamente o assunto.
Algumas dessas permissões são necessárias para que determinadas funções funcionem. Muitas não são. E outras parecem não ter relação alguma com o que o aplicativo oferece.
O mesmo vale para os dados que informamos ao criar contas. Nome completo, telefone, e-mail, CPF. Nas mãos erradas, essa combinação pode ser muito útil para um golpista.
Em outubro de 2026, o G1 publicou uma matéria sobre como as fraudes de identidade pressionam o processo de cadastro digital e sobre o que avaliar antes de escolher uma plataforma de verificação. O conteúdo é voltado principalmente às empresas, mas também interessa aos consumidores. As empresas precisam de maneiras confiáveis de confirmar a identidade de seus usuários, enquanto quem se cadastra tem o direito de saber como seus dados são coletados e armazenados.
Ninguém está sugerindo que você apague tudo e volte a usar um celular antigo, daqueles que só serviam para ligar e mandar SMS. Reservar cinco minutos para revisar permissões, excluir aplicativos que você nunca abre e ajustar algumas configurações de privacidade é um esforço bem pequeno.
Uma senha para tudo? Continua sendo uma péssima ideia
Pergunte a um amigo se ele usa a mesma senha em várias contas e observe a expressão de culpa.
Até dá para entender. E-mail, Netflix, Mercado Livre, dois bancos, Instagram, aplicativo da academia. Ninguém consegue decorar uma senha diferente para cada serviço.
Então as pessoas reutilizam. Trocam o último número, colocam um “!” no final e torcem para que dê certo.
Até que um desses sites sofre um vazamento de dados. Os criminosos obtêm as credenciais expostas e tentam usá-las em outros serviços, pois sabem que é comum reutilizar senhas.
Se a senha da sua loja online também for a do seu e-mail, um vazamento na loja poderá expor sua caixa de entrada.
Um gerenciador de senhas resolve boa parte desse problema. Ele cria senhas longas e exclusivas e as guarda para que você não precise memorizá-las todas.
Ative também a autenticação de dois fatores sempre que possível. As chaves de acesso, conhecidas como passkeys, e os aplicativos autenticadores costumam ser opções mais seguras do que os códigos enviados por SMS.
Se você só conseguir melhorar a segurança de uma conta nesta semana, comece pelo e-mail. É por meio dele que você consegue redefinir as senhas de quase todos os outros serviços.
Os golpistas sabem quando você está distraído
Você acabou de sair do trabalho, está preso no trânsito e o celular vibra.
“Sua encomenda não pôde ser entregue. Endereço incompleto. Atualize seus dados aqui.”
Você está esperando uma entrega, então a mensagem parece normal. E toca no link.
Era exatamente isso que o golpista queria.
Essas mensagens imitam pequenos problemas do cotidiano: uma entrega que não deu certo, uma conta atrasada, um suposto problema bancário ou um desconto que termina naquela noite.
Muitas nem parecem suspeitas. Algumas são bem escritas e usam o logotipo correto. Outras simplesmente chegam quando você está ocupado demais para prestar atenção.
Também temos orientações práticas para identificar um golpe virtual e se proteger. O principal é aprender a reconhecer comportamentos suspeitos, em vez de tentar decorar cada nova modalidade de golpe.
Portanto, quando uma mensagem inesperada pressionar você a agir imediatamente, não siga as instruções sem antes conferi-las.
Abra o aplicativo oficial da empresa. Se a mensagem disser que é do seu banco, ligue para um número que você já sabe que é verdadeiro.
E se um parente pedir dinheiro com urgência, pegue o telefone e ligue para ele.
Sim, dá um pouco mais de trabalho. Mas é justamente por isso que funciona. Os golpistas apostam que você vai escolher o caminho mais rápido.
Privacidade também significa conhecer seus direitos
Muita gente acha que privacidade digital é assunto para quem entende de tecnologia. Não é. Se você tem um smartphone, faz compras online ou fornece seus dados a alguma empresa, o assunto também diz respeito a você.
A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) estabelece regras para que as organizações tratem dados pessoais. Entre outras coisas, ela permite que você solicite acesso aos seus dados e, em determinadas situações, peça a correção ou a exclusão desses dados.
Isso é importante numa época em que parece necessário fornecer informações pessoais para fazer praticamente qualquer coisa.
E os números mostram como os golpes se tornaram comuns. Em agosto de 2026, a Agência Brasil informou que 32% dos brasileiros com 16 anos ou mais que usam a internet haviam enfrentado tentativas de golpe envolvendo seus dados pessoais, enquanto 20% afirmaram ter sido vítimas de fraude.
Portanto, não é algo que acontece apenas com pessoas descuidadas. É uma situação com a qual milhões de brasileiros convivem diariamente.
E a responsabilidade também não deve ficar toda nas mãos dos usuários. As empresas têm o dever de proteger os dados dos clientes, manter sistemas seguros e deixar de solicitar informações desnecessárias.
Ainda assim, conhecer seus direitos e questionar formulários que pedem dados além do necessário ajuda bastante.
O hábito que faz mais diferença
Você não precisa ser especialista em segurança digital para navegar com mais tranquilidade.
Mantenha o celular atualizado. Pare de reutilizar senhas. Confira qualquer pedido inesperado de dinheiro. Revise as permissões dos aplicativos de vez em quando. E lembre-se de que um logotipo ou uma foto de perfil conhecida não prova que a pessoa por trás da mensagem é realmente quem diz ser.
Nada disso é complicado. O difícil é lembrar dessas precauções quando estamos cansados, com pressa ou simplesmente querendo resolver alguma coisa logo.
É nessas horas que acabamos pegando atalhos.
Então, da próxima vez que seu celular pedir uma permissão que você não entende muito bem, ou uma mensagem insistir que você precisa agir imediatamente, pare por um instante antes de responder.
Alguns segundos não vão torná-lo imune a todos os riscos. Mas podem evitar muitos erros que nem precisariam acontecer.


