Cidade de SC instala placas às margens de rodovia para proteger felinos selvagens de atropelamento
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Cidade de SC instala placas às margens de rodovia para proteger felinos selvagens de atropelamento

Marcio Martins

/ Por Marcio Martins

Quem passa por um trecho de rodovia em Campo Erê, no Oeste de Santa Catarina, agora dá de cara com uma onça-parda gigante olhando direto para a pista. A cena chama atenção de longe, mas o recado é ainda mais forte: “Reduza a velocidade. Este animal vive aqui”.

As novas placas instaladas no município tentam combater um problema que há anos mata animais silvestres em silêncio nas estradas catarinenses. O trecho sinalizado corta áreas usadas por espécies ameaçadas e funciona como corredor ecológico para a fauna da região.

Entre os animais que inspiraram as placas estão a onça-parda e o gato-maracajá, felinos que vivem próximos da rodovia e acabam vulneráveis ao trânsito intenso.

Campo Erê tenta reduzir atropelamentos de animais silvestres

A ação reúne Ar Livre Ecoturismo, Natú Experiências, NEVS Unoesc, Prefeitura de Campo Erê, o biólogo Jackson Preuss e a família Tonatto.

Além de alertar motoristas sobre a presença de animais na pista, a iniciativa busca criar consciência ambiental em uma região cercada por áreas naturais importantes para a biodiversidade catarinense. As placas foram instaladas justamente em pontos considerados críticos para travessia de fauna silvestre.

Há mais de uma década, o biólogo Jackson Preuss acompanha atropelamentos de animais no extremo Oeste catarinense. Segundo ele, o projeto representa um momento simbólico depois de anos de pesquisas e registros feitos nas rodovias da região.

“Ver essas placas instaladas representa muito mais do que sinalização. Representa um sonho realizado. Um sonho de transformar conhecimento em ação”, afirmou.

Onças e felinos ameaçados vivem perto da rodovia

As imagens usadas nas placas chamam atenção pelo tamanho e pelo impacto visual. Uma delas mostra uma onça-parda encarando motoristas em meio à paisagem rural de Campo Erê. Outra traz o gato-maracajá, espécie rara e ameaçada.

Segundo os envolvidos, o trecho conecta remanescentes florestais utilizados por diferentes espécies da fauna silvestre.

“Lugares assim não podem ser vistos apenas como estradas. São territórios compartilhados entre pessoas e biodiversidade”, destacou Jackson Preuss.

A intenção é simples: fazer o motorista desacelerar antes que o próximo animal vire estatística no asfalto.

Projeto une ciência, turismo e preservação ambiental

A iniciativa também tenta fortalecer o turismo de natureza em Campo Erê, valorizando áreas preservadas e incentivando uma convivência mais equilibrada entre desenvolvimento e conservação ambiental.

O projeto contou ainda com apoio de produtores rurais locais e da administração municipal.

“Talvez uma placa não mude tudo. Mas ela educa. Faz refletir. Chama atenção. Salva vidas”, afirmou o pesquisador.

Como isso impacta sua vida?

Mesmo para quem nunca viu uma onça na natureza, o problema passa direto pela rotina de quem dirige nas rodovias catarinenses. Reduzir a velocidade em áreas de travessia animal pode evitar acidentes graves, proteger espécies ameaçadas e preservar corredores naturais fundamentais para o equilíbrio ambiental da região.

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