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Envelhecimento, IA e clima: os 8 temas que vão guiar Jaraguá do Sul até os 200 anos, em 2076
Geralmente um plano de governo municipal costuma mirar quatro anos. Mas Jaraguá do Sul mira nos próximos cinquenta. O primeiro seminário do planejamento estratégico aconteceu na última terça-feira (25), no Centro Empresarial de Jaraguá do Sul, e colocou na mesa oito perguntas que a cidade vai ter de responder antes de chegar ao bicentenário, em 2076.
O encontro reuniu representantes dos conselhos municipais, vereadores, secretários, integrantes do Comitê de Desenvolvimento e do Conselho Pró-Jaraguá. Os participantes se dividiram em grupos temáticos, e cada grupo trabalhou sobre um recorte diferente do futuro da cidade.

Entre os temas avaliados estão o envelhecimento populacional, os impactos da inteligência artificial e da automação, as mudanças climáticas, a reforma tributária, novas formas de mobilidade, transformações econômicas, novas profissões e questões sanitárias.
A partir das discussões, o planejamento deverá definir de duas a três diretrizes para cada eixo temático.
Os desafios que fazem parte do Jaraguá 200 anos
O planejamento estratégico considera oito eixos principais:
- Envelhecimento populacional: como cuidar de uma cidade que envelhece, mantendo qualidade de vida e capacidade fiscal.
- IA e automação: quais trabalhos permanecerão diante das mudanças tecnológicas e quais novas ocupações poderão surgir.
- Mudanças climáticas: como lidar com um clima mais instável e os impactos sobre a bacia do Itapocu.
- Reforma tributária: como antecipar possíveis impactos sobre a receita municipal.
- Novas formas de mobilidade: como movimentar pessoas de maneira eficiente e reduzir a dependência do automóvel.
- Transformações econômicas: como diversificar a economia sem perder a força da indústria.
- Novas profissões: como preparar a população para as necessidades profissionais do futuro.
- Questões sanitárias: como garantir serviços de água, esgoto e saúde para toda a população.
Oito perguntas que a cidade terá de responder
Os eixos não são áreas administrativas, como saúde ou educação. São pressões externas que a cidade não controla e vai ter de absorver de algum jeito. Cada grupo temático discutiu um deles.
A lista mistura problemas que já bateram na porta com outros que ainda estão a alguns anos de distância:
- Envelhecimento populacional: como cuidar de uma cidade que envelhece mantendo qualidade de vida e capacidade fiscal
- IA e automação: quais trabalhos resistem às mudanças tecnológicas e quais ocupações novas precisam existir
- Mudanças climáticas: como conviver com um clima instável e com os impactos sobre a bacia do Itapocu
- Reforma tributária: como antecipar os efeitos sobre a receita do município
- Novas formas de mobilidade: como mover pessoas reduzindo a dependência do automóvel
- Transformações econômicas: como diversificar a economia sem perder a força da indústria
- Novas profissões: para quais ocupações do futuro a cidade deve preparar sua população
- Questões sanitárias: como garantir água, esgoto e serviços de saúde para toda a população
De diretriz a plano de ação
O secretário de Planejamento e Urbanismo, Aselmo Luiz Jorge Ramos, afirmou que um segundo seminário acontece no fim de 2026. De cada eixo temático devem sair duas a três diretrizes.
“Com a conclusão dessa etapa, o planejamento será estruturado e, posteriormente, discutido com as secretarias municipais e demais órgãos envolvidos, que deverão transformar as diretrizes em ações e planos de ação”, disse o secretário.
A ideia é que o documento final funcione como bússola para as próximas gestões, independentemente de quem esteja na prefeitura. O planejamento estabelece direções de longo prazo e cabe a cada administração converter isso em obra, política pública ou investimento.

Cenários que vão do otimista ao pessimista
A base técnica do trabalho veio de fora do poder público. Segundo o empresário Luis Hufenüssler Leigue, a consultoria Bubbleless doou o estudo que subsidia o planejamento. O material considera tendências de mercado, geopolíticas, tecnológicas e comportamentais, além de projeções que vão do cenário mais otimista ao mais pessimista.
“A partir dessas projeções, são analisadas questões como população, economia, meio ambiente, sustentabilidade e mobilidade, oferecendo parâmetros para a definição das diretrizes de longo prazo”, explicou.
Cartas que só serão lidas em 2076
O projeto tem ainda um componente que não depende de secretaria nenhuma. Uma cápsula do tempo vai ficar junto ao Memorial da Celebração, na Praça da Celebração, guardando 3 mil cartas escritas pela população de hoje para quem morar em Jaraguá do Sul daqui a cinquenta anos.
As mensagens podem trazer preocupações, desejos e recados para as futuras gerações. Todo o conteúdo também será digitalizado e preservado em um sistema que só libera o acesso em julho de 2076, no ano do bicentenário. Quem escrever uma carta agora provavelmente não estará na praça no dia da abertura, e é exatamente esse o ponto.
Como isso impacta sua vida?
Os oito eixos descrevem a Jaraguá do Sul que seu filho vai herdar: uma cidade mais velha, com menos emprego industrial repetitivo, mais calor e menos receita tributária previsível. O segundo seminário, no fim de 2026, é quando essa conversa vira diretriz escrita. Até lá, o que existe é uma lista de perguntas em aberto.


