Licor de queijo e cebola? Conheça a artesã de Guaramirim que produz mais de 60 sabores diferentes da bebida
Foto: Arquivo Pessoal de Chirley Dancker
Já imaginou provar um licor de cebola roxa? Ou quem sabe um de linguiça? Em Guaramirim, essas possibilidades diferentonas viraram realidade nas mãos de uma produtora artesanal que decidiu transformar ideias improváveis em sabores únicos.
Aos 67 anos, Chirley Maria Dias Dancker transformou a curiosidade herdada da família em um negócio artesanal cheio de personalidade. Com mais de 60 sabores diferentes, incluindo opções pouco convencionais, os produtos dela chamam a atenção pela criatividade e pela forma tradicional de produção.
A história dela começa muito antes dos licores ganharem forma. Nascida em Guaramirim, onde hoje fica o colégio Lauro Zimmermann, ela cresceu cercada por referências que ajudaram a moldar sua paixão pelas bebidas artesanais.
A inspiração veio do avô, que produzia bebidas antigas. “Eu sempre fui muito curiosa, meu avô fazia aquelas bebidas antigas, aí comecei fazer licores e dar pros meus amigos”, conta.

Sem planejamento formal, o que começou como uma curiosidade virou prática. Primeiro, ela produzia licores para amigos, depois, percebeu que poderia ir além e começou a comercializar. E hoje ela, ao lado do marido, ela toca a marca Vovô Nicola Bebidas Artesanais que se destaca na cidade quando o assunto é licor.
O nome da marca é uma homenagem ao avô materno, justamente o responsável por despertar o interesse que hoje virou negócio.
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Tradição, criatividade e desafios
Desde o início dos anos 2000, Chirley mantém a produção ativa, sempre guiada por ideias próprias e desafios que recebe de amigos ou de si mesma.
“As receitas são todas criações minhas. Eu aceito o desafio e faço. Se tenho uma ideia, vou até o final, e não desisto enquanto não colocar em prática e chegar num resultado satisfatório”, afirma.
Hoje, são cerca de 60 sabores de licores, praticamente todos autorais. Entre eles, alguns chamam atenção pela originalidade, como os feitos com linguiça, cebola roxa e queijo.

Confira a lista com alguns dos sabores de licor produzidos pelo casal:
- Goiaba vermelha
- Cointreau (laranja)
- Cereja Ice
- Guaraná
- Maracujá
- Limão
- Pêssego
- Café
- Canela
- Gengibre
- Ervas
- Cebola roxa
- Abacaxi
- Uva
- Morango
- Amora
- Curaçao
- Banana
- Menta
- Figo
- Linguiça
Além disso, ela também trabalha com cachaça de cana e bebidas destiladas de frutas como carambola, pera e tangerina. Parte da produção segue métodos antigos, respeitando o tempo de preparo.
Tempo e cuidado no preparo
Um dos diferenciais das bebidas artesanais da corupaense está no processo. Chirley busca, sempre que possível, utilizar frutas sem agrotóxicos. E, dependendo da receita, o tempo de maturação pode chegar de seis a oito meses.
“Tem alguns que demoram de seis a oito meses para curtir o produto. Não posso tirar antes desse prazo para manter a qualidade e intensidade do sabor”, explica.
Esse cuidado é essencial para garantir o resultado final. Segundo ela, não é possível apressar esse processo sem comprometer a qualidade.
Além dos licores, ela também já produziu hidromel, aproveitando o mel de um apiário próprio, embora alguns produtos já estejam esgotados. Porém a bebida é produzida nas épocas mais frias, pois precisa de uma temperatura de até 20 °C para ser produzida.

Produção artesanal em Guaramirim
O negócio funciona de forma simples e com venda direta. Os produtos podem ser encontrados na própria casa da produtora, localizada na Rua Agostinho Valentin do Rosário, 75, em Guaramirim, na rua do colégio Lauro Zimmermann.
Também é possível fazer pedidos pelo WhatsApp: (47) 99979-0104. No entanto, como se trata de produção artesanal, nem todos os sabores estão disponíveis para pronta entrega, já que muitos ainda estão no processo de maturação.

Como isso impacta sua vida?
Histórias como a de Chirley mostram como tradição, curiosidade e iniciativa podem se transformar em oportunidade, mesmo sem planejamento inicial. Além disso, reforçam o valor da produção artesanal local, que preserva técnicas antigas e traz novos sabores para a região.
Maria Eduarda Günther
Jornalista em formação na FURB, nascida em Jaraguá. Cresci entre filmes, livros e peças teatrais. Após criar conteúdo para redes socias sobre Formula 1 e esportes descobri a paixão por jornalismo e a área de comunicação. Nunca perco a oportunidade de conhecer novos lugares e novas histórias por ai.