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“Jaraguá é sentimento”: a história da torcida organizada que virou símbolo do futsal jaraguaense
Ao longo de 20 anos, a Barra Independente acompanhou as principais fases do Jaraguá Futsal e se tornou parte da história do clube dentro e fora das quadras.
Foto: Paulinho Sauer/Jaraguá Futsal
“Você nunca vai entender o que é nossa paixão. Não pedimos nada em troca, está dentro do coração…”
Quem já teve a oportunidade de assistir a um jogo do Jaraguá Futsal na Arena, provavelmente ouviu esse canto ecoar pelas arquibancadas. Assim como tantos outros entoados pela Torcida Barra Independente, ele faz parte da trilha sonora que motiva os jogadores dentro de quadra mas, principalmente, traduz a paixão por uma modalidade que colocou o nome de Jaraguá do Sul no cenário nacional e internacional.
A cada partida, a voz se mistura aos sons dos batuques, aos bandeirões e à energia de diferentes gerações de torcedores que construíram uma relação única com a equipe aurinegra. Uma história que começou há 20 anos, quando um grupo de jovens decidiu transformar o sentimento pelo time em uma identidade própria nas arquibancadas.
Em agosto de 2006, cerca de 8 torcedores se reuniram em frente ao ginásio do Sesi para apoiar o Jaraguá Futsal em um jogo de portões fechados contra o Umuarama, pelos playoffs da Liga Nacional. Naquele momento, eles tinham apenas uma certeza: queriam estar perto do clube para apoiá-lo, independentemente do que acontecesse.
O que eles provavelmente não imaginavam era que aquele encontro daria origem a um grande grupo que atravessaria diferentes fases – do auge à crise e à reformulação – e chegaria aos 20 anos ainda mais estruturado e reconhecido entre as principais torcidas da modalidade no país.
>> Para marcar o aniversário de 20 anos da Barra Independente, o JDV resgatou os principais capítulos da história desta torcida que ajudou a construir a identidade do Jaraguá Futsal e também da cidade.
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Os primeiros passos do grupo há 20 anos
Aquela pequena reunião no dia 14 de agosto, no lado de fora do ginásio, não nasceu com grandes planos, foi movida pelo sentimento. Era um grupo de apaixonados pelo futsal da cidade que, com a adesão de outros torcedores naquele mesmo dia dia, percebeu que poderia construir uma maneira própria de representar e apoiar o time aurinegro.
Na época, o grupo ainda carregava o nome Torcida Independente Malwee, a TIM, acompanhando o projeto que tinha a empresa jaraguaense como patrocinadora do clube. Mas a criação da torcida também carregava uma ideia de independência, tanto no sentido financeiro quanto estrurural.
Entre os primeiros integrantes estava Marcelo Heidemann, que assumiria a presidência inicial do grupo naquele período. Ele lembra que os primeiros meses foram marcados pela disponibilidade e investimento dos próprios membros.
“A ideia era fazer algo independente mesmo; não queríamos depender de dinheiro público, nada disso. As primeiras coisas que a gente fez ali foram por dinheiro próprio nosso. Eu lembro que mandei fazer a primeira faixa, de lona mesmo, impressa. A gente bancou, rachou entre os integrantes”, relembra Marcelo.

Naquele período, existia uma antiga torcida que acompanhava o time nos jogos realizados no ginásio da Malwee, a Torcida Organizada Malwee (TOM). Segundo Marcelo, o grupo encerrou suas atividades e alguns dos instrumentos utilizados por eles foram adquiridos pela Independente, que começava a estruturar a própria bateria. Assim, aos poucos, passaram a criar seus próprios símbolos dentro das arquibancadas.
Com a organização ganhando forma, vieram também os primeiros cantos e as primeiras experiências fora de Jaraguá do Sul. A presença da torcida começou a ultrapassar os limites dos jogos em casa, com o grupo levando sua faixa e seus símbolos para outros ginásios,

Construção da identidade da Barra Independente
Com a torcida começando a ganhar corpo, veio também uma nova preocupação: criar uma identidade visual própria. O grupo queria que as bandeiras, as cores e os símbolos representassem aquela forma diferente de viver o Jaraguá Futsal.
Naquele período, o próprio clube ainda não tinha uma identidade visual tão consolidada. As camisas mudavam de cores conforme as temporadas, e a torcida precisou encontrar uma combinação que tivesse relação com o time, mas também representasse o movimento que estava surgindo.
>> Leia também: Torcedor transforma paixão pelo Jaraguá Futsal em coleção com quase 200 camisas históricas
A primeira escolha veio com o azul e o amarelo. Segundo Marcelo Heidemann, as cores foram inspiradas nos uniformes utilizados pela equipe naquele período, principalmente nas camisas produzidas pela Umbro. A combinação apareceu na primeira faixa e também no bandeirão da raposa.

Com o passar do tempo, porém, uma nova combinação ganhou espaço. Quando a Umbro lançou uma camisa comemorativa do Jaraguá em tons de preto e dourado, a torcida encontrou uma nova referência. O preto representava uma cor forte, enquanto o dourado remetia às conquistas e ao caminho que o clube vinha construindo dentro do futsal.
Mas, dentre todos os símbolos presentes nessa trajetória, talvez o mais marcante seja a raposa.
A ideia nasceu dentro da própria Barra Independente. Marcelo conta que buscou referências em outras torcidas e encontrou inspiração em um grupo ligado ao Cruzeiro, de Minas Gerais, que utilizava uma raposa como símbolo. A escolha também dialogava com a rivalidade esportiva com Joinville, que tem o coelho como mascote.
O primeiro desenho, porém, passou por mudanças. A ideia inicial chegou a trazer a raposa segurando um coelho, mas a imagem acabou sendo considerada forte demais e foi modificada. Aos poucos, o desenho foi ganhando novas versões até chegar ao formato que se tornou conhecido pelos torcedores.
Curiosidade: outro animal chegou a ser cogitado como mascote da torcida: o cachorro, associado a características como lealdade, união e espírito de proteção. A raposa, além da relação com o maior rival, acabou escolhida por representar atributos como astúcia, inteligência, agilidade e capacidade estratégica.

Assim, o desenho que nasceu nas arquibancadas começou a aparecer em bandeiras, camisas e materiais da Barra Independente, ajudando a construir uma imagem que seria reconhecida pelos torcedores ao longo dos anos.
Mais tarde, ela foi incorporada oficialmente à identidade da equipe. Em 2015, o personagem ganhou vida própria com o Raposão, mascote que passou a acompanhar os jogos e se tornou uma das figuras mais marcantes da Arena Jaraguá.

>> Conheça mais detalhes da história do Raposão: Quem está por trás do mascote mais amado do esporte jaraguaense?
Era Malwee: a torcida na fase mais vitoriosa da história
Enquanto a torcida dava seus primeiros passos nas arquibancadas, o clube seguia construindo uma das fases mais vitoriosas da sua história. A parceria com a Malwee, iniciada em 2001, havia elevado o patamar do projeto, reunindo grandes nomes da modalidade e colocando o Jaraguá Futsal entre as principais equipes do país e da América do Sul.
A equipe que entrava em quadra naquele período não parava de acumular títulos que colocavam a cidade no mapa do futsal internacional. Foram conquistas de Liga Nacional, Taça Brasil, Libertadores e campeonatos estaduais, além de reconhecimentos como o de melhor clube de futsal do mundo, em 2008, pela Futsal Planet – plataforma online que organiza anualmente o Futsal Awards, com chancela da FIFA.





A camisa aurinegra chegou a ser vestida por alguns dos maiores jogadores da história da modalidade. Manoel Tobias, Falcão, Lenísio, Tiago, Chico, Leco, Valdin, Neto e outros craques fizeram parte de uma geração que transformou o Jaraguá em referência dentro das quadras.
E a Barra Independente crescia junto com a fase vitoriosa do clube, construindo uma forma própria de apoiar o time e fazendo a equipe sentir, das arquibancadas, a presença de quem estava ao seu lado.






A inauguração da Arena Jaraguá, em 2007, abriu um novo capítulo dessa relação. A nova casa do clube trouxe uma estrutura compatível com o tamanho que o projeto havia alcançado e rapidamente se tornou um dos palcos mais marcantes do futsal brasileiro.
Naquele ano, de casa nova, os torcedores jaraguaenses lotaram a Arena e viveram um dos momentos mais gloriosos do esporte local até aquele momento.


Na final da Liga Nacional de 2007, o Jaraguá enfrentou o Joinville em uma decisão histórica. Depois de vencer o primeiro jogo por 6 a 1, fora de casa, a equipe confirmou o título diante da sua torcida com uma vitória por 5 a 3 na Arena Jaraguá, conquistando a segunda Liga Nacional da história do clube.
Para a Barra Independente, era a confirmação de que aquele movimento estava inserido em uma fase que entraria para a memória do esporte jaraguaense.
Em 2008, a torcida viveu mais uma temporada histórica. A Arena Jaraguá recebeu a decisão da Liga Nacional contra a Ulbra, e a conquista ficou marcada pelo histórico gol de bicicleta de Falcão, um dos lances mais lembrados do futsal mundial.
Naquele ano, a equipe Malwee/Jaraguá também levantou a Taça Brasil e a Libertadores, além de ser reconhecida pela Futsal Planet como o melhor clube de futsal do mundo.
Em 2010, o Jaraguá conquistou a Liga Nacional pela quarta vez, fechando a era Malwee com mais uma taça. A vitória contra Marechal Rondon, na Arena Jaraguá, marcou uma década de domínio e de uma parceria que havia conquistado mais de 40 títulos ao longo do projeto.
Mas o ciclo de ouro teria, ali, um encerramento doloroso.
Poucos dias depois de conquistar a Liga Nacional de 2010, a Malwee anunciou o fim da parceria com o futsal de Jaraguá do Sul. Durante o período de patrocínio, o projeto acumulou 47 títulos. Entre as principais conquistas estavam quatro Ligas Nacionais, seis Taças Brasil, seis Libertadores da América, seis títulos Sul-Americanos, quatro Superligas, além de campeonatos estaduais e outras competições.
O anúncio da empresa encerrou uma parceria que havia colocado Jaraguá do Sul no centro do cenário nacional e internacional do futsal. A própria Malwee classificou o projeto como um dos casos mais bem-sucedidos de marketing esportivo da modalidade, destacando os resultados alcançados dentro de quadra e o envolvimento construído com atletas, comissão técnica e torcida.


Na despedida oficial daquele período, jogadores deram uma volta pela quadra carregando parte dos troféus conquistados ao longo da trajetória. Nas arquibancadas, a torcida emocionada acompanhava um momento que misturava orgulho, mas também sentimento de perda.
A Barra Independente viveu aquele capítulo ao lado do clube. Depois de acompanhar anos de grandes conquistas, a torcida passaria a enfrentar um novo cenário. Uma prova de que sua relação com o Jaraguá Futsal não dependia apenas das vitórias.
O período de mudanças e a resistência da torcida
A saída da Malwee, em 2010, representou uma mudança profunda no caminho do clube. O Jaraguá precisou encontrar uma nova forma de seguir existindo.
Em 2011, pela primeira vez desde 2001, a equipe ficou fora da Liga Nacional de Futsal. O clube passou por uma fase de reorganização, com menos recursos e uma estrutura diferente daquela que havia marcado a década anterior.
Mesmo em um cenário diferente, o Jaraguá Futsal continuou revelando talentos e reunindo nomes importantes. A equipe contou com jogadores experientes, como Xoxo, que retornava ao clube após passagem pela era de grandes conquistas, e atletas que ganhariam destaque nos anos seguintes, como Dian Luka.

A torcida também sentiu os efeitos desse período. O movimento que havia crescido junto com uma equipe campeã perdeu integrantes e precisou se adaptar a esta nova realidade.
Apesar disso, aquele período foi decisivo para formar o grupo organizado que a cidade conhece hoje. Durante os últimos anos da parceria com a Malwee, além da TIM (Torcida Independente Malwee), surgiu uma segunda organizada do Jaraguá Futsal: a Barra Malwee.
O grupo ocupava o anel superior da Arena Jaraguá – onde hoje fica a torcida visitante -, e tinha uma proposta inspirada nos conjuntos de “barra brava”, modelo bastante comum no futebol de campo, em países da América Latina e também em algumas regiões do Brasil.
Com o fim do patrocínio da Malwee e a mudança no cenário do clube, as duas torcidas também passaram por um período de transformação.
Com menos integrantes e sem uma definição clara sobre os próximos passos, os dois grupos passaram a buscar uma forma de fortalecer novamente a presença nas arquibancadas. Foi quando os Integrantes começaram a conversar sobre uma união. Alguns membros da Barra Malwee passaram a fazer parte da Torcida Independente Jaraguá e, depois de debates entre os torcedores, a decisão foi juntar forças.
Foi desse processo que nasceu a Torcida Barra Independente (TBI) que se faz presente até hoje em cada partida do Jaraguá Futsal.

A crise que colocou o futuro do clube em dúvida
Mesmo com uma estrutura menor e longe do investimento da década anterior, o clube encontrou maneiras de continuar competitivo e manter sua presença no cenário nacional. Logo naquele ano de 2011, conquistou os Jogos Abertos de Santa Catarina e manteve viva a tradição de uma equipe acostumada a disputar títulos. Em 2012, voltou à Liga Nacional e, nos anos seguintes, retomou gradualmente o protagonismo, chegando novamente às fases decisivas das principais competições.
Em 2015, veio um momento especial na história do time: diante da torcida na Arena Jaraguá, o clube conquistou a Taça Brasil de Futsal, seu sétimo título da competição, justamente em uma temporada marcada pelo retorno de nomes importantes da história aurinegra.

Mas o cenário mudaria novamente. Em 2016, o Jaraguá Futsal enfrentou uma das maiores crises da sua história. O clube acumulava dificuldades financeiras, dívidas e incertezas sobre a continuidade do projeto.
Foi nesse momento que Márcio Hafemann entrou em cena. Torcedor apaixonado pelo Jaraguá Futsal desde os tempos áureos e ex-integrante da torcida organizada, ele assumiu a presidência do clube em 2017 com a missão de reconstruir uma instituição que acumulava mais de R$ 2 milhões em dívidas, pouca confiança no mercado e até a vaga na Liga Nacional ameaçada.

O trabalho começou nos bastidores. A nova gestão precisou renegociar o que devia, reorganizar contratos, recuperar a confiança de antigos parceiros e reconstruir a imagem do clube diante da comunidade. O objetivo era devolver ao Jaraguá Futsal uma estabilidade que permitisse voltar a sonhar com grandes conquistas.
>> Saiba mais sobre a história do torcedor que salvou o Jaraguá Futsal da falência e ajudou a torná-lo o maior campeão do Brasil
A relação de Márcio com a torcida ficou ainda mais forte durante esse processo. Para Giovani Leoni, o Gigio, presidente da Barra Independente, a coragem do ex-presidente foi fundamental para a continuidade do projeto.
“Além de ser um amigo pessoal, ele é apaixonado por esse time como todos nós. Se não fosse a coragem e determinação dele, esse projeto talvez nem existiria mais. Para a torcida, Márcio é um ídolo.”


Assim, aos poucos, a torcida foi acompanhando esse processo de retomada. Mesmo com menos pessoas nas arquibancadas, os torcedores continuaram fazendo sua parte. As viagens ficaram menores e menos frequentes, mas a presença da Barra Independente seguiu nos jogos.



Naquele período, o grupo reunia cerca de 50 pessoas e buscava manter a mobilização fora das quadras. Continuavam realizando eventos, como feijoadas e encontros, que aproximavam torcedores, jogadores e comissão técnica, preservando a ligação entre quem estava nas arquibancadas e o Jaraguá Futsal.





A volta dos títulos e uma Arena novamente protagonista
A retomada do Jaraguá Futsal começou a ganhar novos contornos a partir de 2021. Depois de anos de reconstrução administrativa e financeira, o clube passou a projetar uma volta ao protagonismo da modalidade.
Um dos movimentos simbólicos daquele momento foi o retorno de Leco. Depois de uma década defendendo o maior rival jaraguaense, o Joinville, o atleta voltou ao Jaraguá Futsal com a missão de ajudar a retomar a identidade vencedora do time.

A decisão não era simples. Leco estava em uma situação confortável no Joinville, com contrato e reconhecimento dentro do clube, mas aceitou o convite da diretoria do Jaraguá. Ele comentou sobre o assunto em 2025 no podcast Investidor com Propósito.
“Eu estava muito bem estabilizado em Joinville em 2020, carteira assinada, um dos maiores salários da equipe, capitão da equipe, tudo andando tranquilamente. E aí veio o Wandair Garcia, me chamou para uma conversa. Eles queriam reestruturar o Jaraguá Futsal, iam fazer o Jaraguá Futsal gigante novamente. Ele falou para mim: ‘Eu preciso de alguém com identidade com a cidade, com a torcida. E esse alguém é você’.”

O retorno de jogadores identificados com a história da equipe fazia parte de uma estratégia deste processo de reconstrução iniciado na gestão de Márcio Hafemann e mantido pela diretoria de Wandair Garcia. A ideia era aproximar novamente o Jaraguá Futsal das suas raízes, reunindo pessoas que conheciam a importância do clube para a cidade e que ajudassem a recuperar a conexão com a torcida.
A pandemia atrasou parte desse planejamento e exigiu paciência para que o projeto voltasse a crescer. Ainda assim, o clube seguiu fortalecendo sua estrutura, recuperando credibilidade e montando uma equipe novamente capaz de disputar títulos maiores.
Em 2024, depois de 14 anos, o Jaraguá voltou a conquistar a Liga Nacional de Futsal. A campanha coroou um processo iniciado anos antes, com a reorganização administrativa, a recuperação da credibilidade e a retomada de uma estrutura capaz de recolocar o clube entre as principais forças da modalidade.
A decisão contra o Praia Clube, em Carlos Barbosa (RS), resumiu a trajetória recente do Jaraguá. Em uma partida equilibrada, a equipe empatou em 2 a 2 no tempo normal, ficou no 1 a 1 na prorrogação e conquistou o título nos pênaltis, com o goleiro Nicolas defendendo a cobrança decisiva.
Em 2025, o Jaraguá confirmou a retomada do protagonismo nacional. Diante da própria torcida, na Arena Jaraguá, a equipe venceu o Corinthians por 3 a 0 na decisão e conquistou o sexto título da Liga Nacional de Futsal, tornando-se o maior campeão da história da competição.

Nas arquibancadas, a Barra Independente viveu uma nova fase de grandes momentos. Bandeiras, balões, papel picado e ações preparadas pelos torcedores marcaram as decisões recentes na Arena Jaraguá e reforçaram a ligação com o clube.
Nas arquibancadas, a Barra Independente acompanhou essa retomada de perto e ajudou a transformar cada conquista em verdadeiras festas. Com direito a diversos bandeirões tremulando, balões, papel picado e ações que ajudaram a transformar as finais em momentos marcantes.

>> Leia também: 34 coisas que todo torcedor do Jaraguá Futsal precisa saber
A relação torcida x time
A arquibancada sempre foi o principal ponto de encontro entre Barra Independente e Jaraguá Futsal, mas essa relação foi se ampliando ao longo dos anos. Hoje, a torcida mantém um diálogo próximo com diretoria, jogadores e comissão técnica, participando também de ações que fazem parte da rotina do clube.

Para o superintendente do Jaraguá Futsal, Junai Roza, essa proximidade é um dos diferenciais do projeto.
“A gente tem uma relação de muito respeito e diálogo com a torcida. Valorizamos muito essa paixão que eles têm pelo clube. Não é só no dia dos jogos, todas as ações que fazem, toda a mobilização que acontece, com ações sociais, inclusive, que conversa também com os valores do Jaraguá Futsal.”
Segundo Junai, a presença da torcida também tem impacto direto no ambiente criado na Arena Jaraguá, algo que é reconhecido pelos próprios adversários.
“Eles são importantíssimos dentro da Arena para criar a atmosfera que a gente sabe que tem, essa sinergia que sempre acontece com o torcedor, com o time dentro de quadra. Todos os adversários reconhecem como é difícil jogar em Jaraguá, porque tem essa força do time dentro da quadra e empurrado pela arquibancada.”

Para Leco, capitão e um dos grandes ídolos do Jaraguá Futsal, essa conexão é justamente um dos principais fatores que tornam o time diferente. A presença dos torcedores influencia diretamente a motivação dos atletas e cria uma relação especial entre quem está dentro e fora da quadra.
“Nossa Arena junto com a nossa torcida organizada é algo que não se encontra em qualquer lugar. Eu credito muito da performance de um atleta à sua inspiração, e ter uma torcida como essa certamente nos deixa mais motivados e dispostos a darmos o nosso melhor.”
O capitão também ressalta a relação construída ao longo dos anos e a responsabilidade de vestir uma camisa que tem uma torcida tão presente.
“Sempre fui respeitado e tive o reconhecimento pelas conquistas e entrega em quadra. Me sinto privilegiado e sempre que entro em quadra penso em retribuir e preservar essa história. Jogar em um time com uma torcida como a nossa também tem essa responsabilidade, porque existe uma cobrança por postura e entrega.”

O presidente da TBI, Giovane Leoni reforça que essa proximidade entre clube e torcida é fundamental para fortalecer a identidade do Jaraguá Futsal.
“Temos um acesso ótimo com presidência, diretoria e jogadores. Creio que essa sinergia seja fundamental, porque quanto maior identificação com o clube, mais a torcida vai estar ali para apoiar.”







Muito além da arquibancada, a solidariedade
A relação da Barra Independente com o Jaraguá Futsal sempre foi marcada pela forte presença nas arquibancadas. Nos últimos anos, porém, a torcida também passou a desenvolver ações de solidariedade.
Um dos momentos mais marcantes aconteceu em 2024, durante as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul. O que começou como uma mobilização entre os próprios torcedores ganhou proporções maiores e envolveu muitas pessoas da cidade dispostas a ajudar as comunidades afetadas.
A campanha arrecadou e encaminhou aproximadamente 200 toneladas de doações, entre alimentos, água, roupas, colchões, produtos de limpeza e outros materiais. Integrantes da Barra Independente também participaram das entregas, acompanhando de perto parte do trabalho realizado nas cidades atingidas.
Em 2025, outra iniciativa ganhou destaque. Durante uma viagem a Erechim (RS), para acompanhar o Jaraguá Futsal em uma partida da Liga Nacional, a torcida levou quase uma tonelada de doações para moradores afetados por um forte temporal de granizo que havia atingido a cidade.
A ação reuniu alimentos, produtos de higiene e outros itens arrecadados pelos torcedores antes da viagem. O deslocamento, que tinha como objetivo acompanhar o time em quadra, também levou ajuda para uma comunidade que enfrentava as consequências do temporal.

Essas mobilizações fizeram com que a Barra Independente ampliasse a percepção sobre o papel que poderia exercer dentro da comunidade. E, a partir disso, estruturou um setor de Assistência Social e passou a organizar ações voltadas também para Jaraguá do Sul, com campanhas de arrecadação – como o caso da ação de Páscoa, em que o grupo arrecadou doces para entregar a quase 800 crianças em situação de vulnerabilidade.
A história continua sendo escrita
Duas décadas depois daquele encontro em frente ao Sesi, a Barra Independente vive uma realidade muito diferente. Passou por um processo de institucionalização e, desde 2025, funciona oficialmente como uma entidade com CNPJ.
A presidência está com Giovani Leoni, o Gigio, e a diretoria conta ainda com André Luis Massaneiro, Itacir José Knechtel, João Paulo Bomm e Vinicius Raineri da Silva. A estrutura atual é dividida em setores como arquibancada, patrimônio, financeiro, marketing, bateria, assistência social, eventos e resenha.
Para Gigio, a evolução do grupo de torcedores acompanha também a transformação do próprio clube.
“Inicialmente, apesar de a torcida sempre ter sido algo organizado na medida do possível para cada época, a gestão era mais como um grupo de amigos unidos para torcer pelo seu time. Nos últimos anos temos tentado cada vez mais ter uma gestão mais estruturada e mais profissional, trabalhando com austeridade financeira e responsabilidade com as pessoas, principalmente com nossos sócios e também com o Jaraguá Futsal, motivo da torcida existir.”
O reconhecimento dessa trajetória também veio de fora de Jaraguá do Sul. Em 2025, a Barra Independente foi eleita a melhor torcida de futsal do Brasil pelo BR Futsal, considerada uma das maiores páginas sobre a modalidade no país.

Atualmente, a Barra Independente reúne cerca de 130 membros e já projeta os próximos passos. Entre os objetivos está a conquista de uma sede própria, um espaço que possa servir como ponto de encontro, organização de materiais e desenvolvimento das atividades da entidade.
“Fazer parte da TBI significa, acima de tudo, ser apaixonado por futsal. Somos uma instituição séria, que tem papéis fundamentais em relação ao clube, suas conquistas e a também com nossa comunidade. E quando falamos em fazer parte, é fazer parte de verdade, apoiando, frequentando, arregaçando as mangas e fazendo acontecer”, finaliza Gigio.
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Galeria de fotos
Confira alguns registros históricos e recentes da Barra Independente ao lado do Jaraguá Futsal, desde os primeiros anos da torcida até os momentos mais marcantes vividos nas arquibancadas.

















Uma festa para celebrar duas décadas de história
Para marcar os 20 anos de TBI, a torcida organizou uma festa reunindo integrantes, familiares e pessoas que fizeram parte da trajetória da organizada desde a fundação. O evento está marcado para 27 de setembro, a partir das 11h, na Sociedade Desportiva Acaraí, em Jaraguá do Sul.
A programação terá churrasco, música e apresentações de Adriano Oliveira, DJ Tubarão, Gustavo Bardim e Tomaz.
Os ingressos custam R$ 50 por pessoa e incluem o almoço no dia do evento. Crianças de até 8 anos não pagam. A compra pode ser feita online pela plataforma Sympla ou com integrantes da torcida.
Como isso impacta sua vida?
A história da Barra Independente ajuda a contar uma parte da própria relação da cidade com o futsal. A torcida acompanhou momentos que ficaram registrados na memória esportiva do município e ajudou a transformar os jogos do Jaraguá Futsal em encontros que reúnem diferentes gerações. Uma trajetória que mostra como uma paixão esportiva pode criar vínculos que vão além da competição. De 2006 até hoje a TBI segue fazendo aquilo que motivou seus primeiros integrantes: estar ao lado do time que amam, haja o que houver.
Gabriela Bubniak
Jaraguaense de alma inquieta e jornalista apaixonada por contar boas histórias. Tenho fascínio por livros, música e viagens, mas o que me move é viver a energia de um bom futsal na Arena e explorar o que há de melhor na nossa terrinha.