Venezuelanos somam mais de 70 mil em SC e representam 75% das contratações de estrangeiros em 2024
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Venezuelanos somam mais de 70 mil em SC e representam 75% das contratações de estrangeiros em 2024

Marcio Martins

/ Por Marcio Martins

Sete em cada dez estrangeiros contratados com carteira assinada em Santa Catarina em 2024 são da Venezuela. O dado impressiona, mas tem explicação: os venezuelanos não apenas chegaram ao estado em busca de uma nova vida. Eles se estabeleceram de forma definitiva, com trabalho, qualificação e presença marcante em diversos municípios catarinenses.

Ao todo, mais de 70 mil venezuelanos vivem hoje em SC, o que faz deles o maior grupo de imigrantes no estado. A movimentação ganhou força nos últimos anos, impulsionada pela crise política e econômica na Venezuela, e hoje é visível nas ruas, nas fábricas e nos serviços.

Por que escolher Santa Catarina?

A escolha por SC não foi aleatória. O estado oferece três atrativos poderosos para quem busca recomeçar:

  • Economia diversificada
  • Alta oferta de empregos
  • Qualidade de vida acima da média

Essa combinação fez de cidades como Chapecó, Joinville e Florianópolis destinos estratégicos para os recém-chegados — especialmente para quem está em idade produtiva e busca inserção rápida no mercado formal. Em Jaraguá do Sul a presença venezuelana pode ser percebida em diversos ambientes, quando pode-se escutar conversas em espanhol, o idioma nacional. Eles ocupam diversas funções na economia local, seja na indústria ou no comércio.

Perfil de quem chega: jovens, preparados e prontos para contribuir

A maior parte dos imigrantes venezuelanos que chegam ao estado tem entre 25 e 40 anos, o que significa uma população jovem e economicamente ativa. E mais: 55% têm Ensino Médio completo e 12% possuem formação superior — um diferencial importante no momento de disputar vagas de emprego, especialmente em áreas técnicas e operacionais.

Liderança nas contratações em 2024

Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), os trabalhadores venezuelanos lideraram as admissões formais entre estrangeiros em Santa Catarina ao longo de 2024. De todos os contratados de fora do Brasil, 74,7% eram venezuelanos — o que representa 14.135 novas vagas ocupadas com carteira assinada.

Ou seja, não é apenas uma presença numérica: trata-se de uma força de trabalho ativa, integrada e cada vez mais relevante para a economia catarinense.

Onde eles estão e como são acolhidos

A maior concentração de venezuelanos está em regiões onde a economia é mais dinâmica:

  • Oeste (com destaque para Chapecó)
  • Litoral (especialmente Florianópolis)
  • Norte (Joinville puxa a fila)

Assim que chegam, os migrantes recebem atendimento pela rede socioassistencial, nos equipamentos públicos como CRAS e CREAS, exatamente como qualquer cidadão local.

Além disso, o Governo do Estado, por meio da Secretaria da Assistência Social, atua junto à Polícia Federal para facilitar a documentação, e conta com o apoio de organizações como:

  • OIM Migrações
  • Pastoral do Migrante
  • Círculos de Hospitalidade
  • Federação das Indústrias de SC (FIESC)

Essas entidades ajudam desde a confecção de currículos e acesso a cursos até o encaminhamento para vagas de trabalho.


Como isso impacta sua vida?

Se você mora em Santa Catarina, já deve ter cruzado com alguém que veio da Venezuela — no transporte público, no restaurante, na escola do seu filho ou mesmo no seu ambiente de trabalho. Essa presença crescente não apenas muda o perfil social das cidades, mas também movimenta a economia, preenche vagas em setores carentes de mão de obra e amplia a diversidade cultural do estado.

Mais do que números, são histórias de recomeço, e SC tem sido o palco dessa transformação silenciosa, mas profunda.

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