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25 evidências de que você virou um jaraguaense
Você virou jaraguaense? Essa foi a pergunta que fiz no meu primeiro texto que ‘viralizou’, em 2004. Naquela época, era fisicamente. O jornal impresso, em que publiquei a crônica, foi vendido por 3 dias seguidos.
A “culpa” foi das professoras(es) de Jaras, que levaram minha provocação para discussão em sala – e todo mundo queria ter o jornal em casa. Vez por outra, uma fotografia daquela página 2, ressurge, agora compartilhada por e-mail ou WhatsApp.

Passados 22 anos(!), recebo da professora Eduarda uma carta dos seus alunos do 2º ano, do ensino médio. Eles fizeram uma releitura do meu método de “medir” se o forasteiro já pode ser considerado um jaraguaense:
- Trabalhar ou ter um parente na WEG.
- Ficar preso no trânsito por conta do trem.
- Aproveitar uma noite no NUVEM.
- Passear na Via Verde como quem passeia na beira-mar.
- Levar os parentes de fora no Parque Malwee ou Pico Malwee.
- Subir o Pico do Jaraguá.
- Ir, ao menos uma vez, no jogo do Jaraguá, na Arena.
- Reclamar da mudança do trânsito.
- Ignorar a existência da seta no carro.
- Assistir aos stories do Fritzke – mesmo sem segui-lo.
- Achar que toda festa (casamento, formatura, etc) tem que ter a Centopéia.
- Comprar Trimania toda semana.
- Arrumar-se para sair no Centro.
- Pegar uma choupana no Parque da Inovação.
- Incentivar o filho (menor de idade) a trabalhar mesmo sem ser uma necessidade financeira da família.
- Atirar na Schützen (mesmo que muito mal).
- Falar para todos de fora que a coxinha do Grid é a melhor do mundo inteiro.
- Estressar-se com as motinhas elétricas.
- Ver as capivaras e achar legal todas as vezes, ainda que aconteça sempre.
- Ir ao bar na quinta e não na sexta-feira.
- Pegar-se falando a expressão “meu pau” e receber olhares de estranhamento dos de fora.
- Achar que a Spessato é melhor que qualquer marca grande de sorvete.
- Falar mal de Jaraguá mas não gostar de ouvir outra pessoa falando mal da cidade, afinal, “só eu posso”.
- Ouvir dos parentes de fora que você está mudando o sotaque.
- Ficar feliz ao ver vendendo em outras cidades os chopps daqui.
Assim como no texto original, caso você não tenha nascido aqui, mas tenha se reconhecido em pelo cinco itens da lista, parabéns, você é um jaraguaense!
Notas do Autor: Agradeço à professora Duda pela lembrança deste longevo cronista para trabalhar em aula e ao texto coletivo – acima – produzido pelos estudantes do 2º ano, do Ensino Médio, da E. E. B. Valdete Inês Piazera Zindars – fiquei emocionado (assim como vocês, também fiz minha formação em escola pública).
A crônica original está publicada no livro “Mulheres Casadas têm Cheiro de Pólvora” (Prêmio Elisabete Anderle / SC – Ministério da Cultura 2009), disponível na Biblioteca Municipal Ruy Barbosa.
Parafraseando Edith Wharton (1862-1937): A verdadeira originalidade não consiste em uma nova maneira, mas em uma nova visão.
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Marcelo Lamas é cronista. Autor de Papo no cafezinho, Indesmentíveis, Arrumadinhas e Mulheres casadas têm cheiro de pólvora. Quer contatá-lo? Escreva para: marcelolamasbr@gmail.com.
