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Quem pintou o Caminho das Artes? Os significados por trás dos murais de Jaraguá do Sul
Artistas talentosíssimos transformaram 600 m de ciclovia em uma galeria a céu aberto em Jaraguá do Sul, com murais que revelam diferentes formas de enxergar a cidade.
Foto: Nicolas Cani
Resumo completo
30 artistas participam do Caminho das Artes: projeto reúne nomes locais e convidados em uma galeria a céu aberto no Centro de Jaraguá do Sul.
600 metros de percurso artístico: murais ocupam cerca de 1.500 metros quadrados de paredes e muros ao longo da ciclovia próxima à linha férrea.
Obras com diferentes inspirações: painéis abordam temas como memória, natureza, identidade, passado, presente e futuro do município.
Artistas revelam conceitos dos murais: reportagem apresenta as trajetórias dos criadores e os significados por trás de cada obra.
Projeto foi viabilizado pela SCAR: iniciativa teve curadoria de Beto Shibata e Denyse Silva e integrou as comemorações dos 150 anos de Jaraguá do Sul.
Uma cidade é feita de pessoas, paisagens, tradições e histórias, mas também daquilo que escolhe preservar, revelar e compartilhar. Ao longo dos anos, Jaraguá do Sul construiu uma identidade diversa, reunindo memórias do passado, experiências do presente e possibilidades para o futuro. E a arte encontra espaço para expressar diferentes formas de enxergar tudo isso.
Assim surgiu o Caminho das Artes, projeto que transformou um trecho da ciclovia no Centro em uma galeria a céu aberto. Ao todo, cerca de 30 artistas participaram da iniciativa, levando para os muros diferentes linguagens, referências e interpretações sobre o município.
O percurso reúne histórias e expressões de quem criou cada obra. São artistas com trajetórias distintas, técnicas próprias e formas particulares de enxergar elementos que fazem parte de Jaraguá do Sul.

>> Esta reportagem integra uma exposição artística e histórica promovida pela A.marie, que reúne memórias de Jaraguá do Sul por meio de diferentes linguagens e manifestações culturais. A mostra está aberta à visitação no Casarão Emmendorfer, no Centro da cidade.
*Antes de continuar, um adendo: embora tenha sido inaugurado oficialmente com a maior parte dos painéis concluídos, o Caminho das Artes ainda está em fase de finalização, com dois painéis ainda em execução.
Artistas jaraguaenses
Abraão Souza e Kauê Felipe Bento
Painel: O Arquitecto do Horizonte
Inspirações: Homem-Pássaro, liberdade, futuro, imaginação, possibilidades e construção do destino
Conteúdos em alta

Conheça o artista Abraão Souza: Artista plástico, muralista e arte-educador de Jaraguá do Sul. A trajetória no grafite começou aos 15 anos, quando transformou a paixão pela arte urbana em grandes projetos de muralismo pelo Brasil. Sua assinatura artística une personagens expressivos e elementos botânicos em murais de grande escala, criando obras conceituais voltadas a provocar reflexões sobre a sociedade e o cotidiano.
Siga no Instagram: @abraao_x

Conheça o artista Kauê Felipe Bento: Músico e artista, ele reconfigura a paisagem urbana de Jaraguá do Sul. Com mais de 20 anos de bagagem na música e no ensino musical, o artista multidisciplinar leva sua linguagem visual para as paredes da cidade. Seus murais traduzem ritmo, cor e cultura em intervenções de grande escala, que unem tecnologia e sensibilidade artística para democratizar a arte e valorizar a identidade artística de Jaraguá.
Siga no Instagram: @kauefelipebento

O que o painel representa: A obra “O Arquitecto do Horizonte”, criada em parceria por Abraão Souza e Kauê Felipe, representa o momento em que a consciência humana se funde com a liberdade instintiva do pássaro. A figura retratada não apenas observa o futuro, mas participa da sua construção. As penas ornamentadas que surgem do corpo formam padrões de possibilidades e trajetórias ainda não traçadas, representando desejos, intenções e ideias projetadas para o mundo. O homem-pássaro aparece como símbolo da capacidade humana de imaginar novos caminhos e moldar o próprio destino, sem abandonar os aprendizados construídos ao longo da história.
Alan Rodrigo Lourenço da Silva (A23)
Painel: Uma visão divertida de Jaraguá
Inspirações: Universo Doodle, ilustração, criatividade, cotidiano e identidade de Jaraguá do Sul

Conheça o artista: Ilustrador, designer gráfico e tatuador de Jaraguá do Sul. Com mais de 25 anos de experiência transformando ideias em arte, é formado em Design Gráfico e atuou durante 19 anos com ilustração para o setor têxtil. Também desenvolve trabalhos autorais, ilustrações para livros, toy art e criação de identidades visuais. Apaixonado pelo universo Doodle, cria trabalhos que unem traços marcantes, criatividade e narrativas visuais.
Siga no Instagram: @a23works

O que o painel representa: A obra apresenta uma visão alegre da cidade, destacando Jaraguá do Sul como um lugar que acolhe e transforma vidas.
Cassio Marcel
Painel: não intitulado
Inspirações: Jornadas, ciclos, aventuras, histórias, olhares e ritos de passagem

Conheça o artista: Cássio Marcel é ilustrador e artista visual radicado em Jaraguá do Sul. Nascido em Caçador, no Oeste de Santa Catarina, é autodidata e possui mais de 40 anos de trajetória no universo criativo. Sua produção é marcada pela experimentação constante nas artes visuais, com uma pesquisa movida pela curiosidade, pela tinta e pelo papel.
Siga no Instagram: @vidadeilustrador

O que o painel representa: A obra propõe uma reflexão sobre as jornadas que atravessam diferentes tempos e histórias. A composição parte da ideia de ciclos, milênios, caminhos, olhares e aventuras na busca pela “terra sem mal”, conectando essas trajetórias aos ritos de passagem que moldam indivíduos e coletividades.
Dessa Quadros
Painel: A Vida é um Jardim
Inspirações: Natureza, ciclos da vida, crescimento, cuidado e pertencimento

Conheça a artista: Andressa Quadros é artista visual, muralista, ilustradora e professora de Jaraguá do Sul. Sua produção autoral explora cores saturadas, formas orgânicas, a força do feminino e a relação entre natureza e pertencimento. Por meio do muralismo, desenvolve pinturas que transformam ambientes e criam experiências visuais marcantes. Também trabalha com telas e ilustrações digitais.
Siga no Instagram: @dessaquadros_

O que o painel representa: A obra “A Vida é um Jardim” parte da ideia de que a vida é construída pelas relações com pessoas, natureza, lugares e nós mesmos. Montanhas, flores, cogumelos e elementos botânicos representam diferentes formas de crescimento e transformação. A composição apresenta ciclos de cuidado, presença e pertencimento. A figura em movimento, as paisagens e os elementos naturais convidam o público a observar a beleza presente no cotidiano, em uma reflexão sobre tempo, atenção e espaço para crescer.
Denyse Meri
Painel: Espada de São Jorge
Inspirações: Proteção, força, resistência, natureza, Espada-de-São-Jorge e memória dos ferroviários.

Conheça a artista: Denyse Meri Zimmermann da Silva é artista visual, escultora e curadora cultural de Jaraguá do Sul. Sua produção transita entre escultura, instalações e intervenções urbanas, criando diálogos entre arte, natureza e arquitetura. Entre suas principais obras estão “Canal de Suez”, “Música para o Céu” e as esculturas no Parque da Inovação, projeto do qual também é idealizadora e curadora. Também coordena projetos de arte pública voltados à valorização da arte contemporânea em Santa Catarina.
Siga no Instagram: @denysemeri

O que o painel representa: A obra tem como elemento central a Espada-de-São-Jorge, planta associada à proteção, força e resistência. Parte do simbolismo da espécie, conhecida por purificar o ar e carregar uma representação de defesa e boas energias. A planta também possui relação com os ferroviários, grupo que faz parte da história do espaço onde o Caminho das Artes foi criado. Denyse contou com a colaboração da amiga Daniela Koerich na execução da obra.
Flávia Ravali
Painel: O Observador
Inspirações: Bem-te-vi, observação, memória, passagem do tempo e transformações de Jaraguá do Sul

Conheça o artista: Flávia Ravali é artista visual de Jaraguá do Sul. Sua produção transita entre a pintura autoral, ilustração, retratos em realismo pet e a arte urbana. Desenvolve trabalhos em telas, murais e projetos autorais, criando narrativas visuais a partir de personagens e composições que exploram diferentes formas de expressão.
Siga no Instagram: @flaviaravali

O que o painel representa: A obra apresenta um bem-te-vi antropomorfo tomando café enquanto observa o movimento da cidade. O personagem funciona como uma testemunha do tempo, acompanhando as transformações de Jaraguá do Sul enquanto diferentes gerações passam pelo mesmo espaço. Enquanto a cidade segue em ritmo acelerado, o Observador convida o público a desacelerar por um instante e refletir sobre o legado recebido, o presente vivido e o futuro construído.
Helo Johse
Painel: Meu excesso é ancestral
Inspirações: Ancestralidade feminina, flores, resistência, força e herança

Conheça a artista: Heloisa Johse é artista visual, designer gráfica e muralista de Jaraguá do Sul. Atua com arte há nove anos e tem no lettering uma das principais ferramentas de expressão, utilizando a linguagem para contar histórias e criar conexões. Sua produção é inspirada pela origem latina e reúne vivências, afetos e cores em composições que misturam tipografia, formas orgânicas e elementos da natureza, especialmente flores.
Siga no Instagram: @helojohse

O que o painel representa: A obra “Meu excesso é ancestral” parte da reflexão sobre um rótulo historicamente associado às mulheres: serem consideradas intensas, sensíveis, determinadas ou sonhadoras demais. O mural ressignifica esse “excesso” como uma força construída ao longo das gerações. A coragem, a persistência, o cuidado, o amor, o trabalho, a criatividade e a resistência aparecem como elementos que transformaram realidades. As flores coloridas representam essa abundância; e o que floresce ocupa espaço, cresce e deixa marcas. A proposta é olhar para essas características não como exageros, mas como heranças de uma força que segue presente nas novas gerações.
Jonathan Weldt
Painel: Flores
Inspirações: Flores, crescimento, renovação, diversidade, cultura, pessoas e identidade de Jaraguá do Sul

Conheça o artista: Jonathan Weldt é artista visual de Jaraguá do Sul. Nascido em 1983, descobriu ainda jovem seu interesse pelas artes visuais e iniciou a trajetória artística aos 14 anos. Ao longo da carreira, teve contato com diferentes áreas da criação, incluindo ilustração e estamparia em uma das maiores empresas do país. Após formado em Design Gráfico, tornou-se empresário no setor da moda e design. Sua produção passou por diferentes fases, incorporando elementos gráficos, geométricos e orgânicos.
Siga no Instagram: @jonathanweldt.art

O que o painel representa: O mural celebra os 150 anos de Jaraguá do Sul por meio das flores, utilizadas como símbolos de crescimento, renovação e vida. As formas sólidas e os contrastes presentes na composição representam a força, a energia e a diversidade que fazem parte da história da cidade. Assim como cada flor contribui para a beleza do conjunto, Jaraguá do Sul foi construída pela união de diferentes pessoas, culturas e gerações. O painel propõe uma homenagem ao passado, uma celebração do presente e um desejo de continuidade para os próximos anos de Jaraguá do Sul.
Luana Karvat
Painel: Jardim do Tempo
Inspirações: Natureza, emoções humanas, surrealismo, king proteas, memória e passagem do tempo

Conheça a artista: Luana Karvat é artista e designer de superfícies de Jaraguá do Sul. Com mais de 10 anos de trajetória criativa, desenvolve estampas e ilustrações autorais inspiradas na natureza, nas emoções humanas e em elementos do surrealismo. Sua produção combina técnicas tradicionais, como aquarela e pintura acrílica, com processos manuais e digitais. As obras buscam unir cor, narrativa e experiências visuais ligadas à memória e conexão.
Siga no Instagram: @luanakarvat.art

O que o painel representa: A obra “Jardim do Tempo” parte da ideia de que os olhares guardam memórias, observam o presente e apontam para o futuro. Os olhos presentes na composição representam diferentes momentos da existência, enquanto as flores king proteas simbolizam força, transformação e renovação. A obra reflete sobre como cada pessoa é formada pelas experiências vividas e pelas escolhas que constrói ao longo do tempo.
Rafaella Schmitt
Painel: O Cuidado Feminino
Inspirações: Cuidado, feminino, relações de gênero, afeto, responsabilidade coletiva e valorização do cuidar

Conheça a artista: Rafaella Schmitt é designer de superfícies, ilustradora, tatuadora, educadora e artista de Jaraguá do Sul. Com 13 anos de experiência na área criativa, combina técnicas analógicas e digitais em suas composições, incluindo acrílica, guache e aquarela. Sua produção reúne referências de movimentos como Art Nouveau e Natureza Morta, além de elementos das Pin-Ups, do universo do Heavy Metal dos anos 1980, estética retrofuturista, noir e imaginário gótico. Também atua como educadora em workshops de ilustração manual e técnicas experimentais de estamparia.
Siga no Instagram: @rafaella_s

O que o painel representa: A obra “O Cuidado Feminino” parte do ato de cuidar como uma prática presente na história das comunidades, mas questiona como essa responsabilidade foi associada principalmente às mulheres ao longo do tempo. O painel reflete sobre como o afeto, a escuta e a manutenção do bem-estar foram tratados como características naturalmente femininas, transformando uma qualidade humana em uma obrigação social. A proposta é ressignificar o cuidado como uma virtude compartilhada; como uma escolha consciente e coletiva, valorizando sua importância sem transformá-lo em sobrecarga ou expectativa imposta.
Trapp
Painel: O canto que constrói
Inspirações: Araponga, Mata Atlântica, canto metálico, indústria, natureza e identidade de Jaraguá do Sul

Conheça o artista: Ruan Trapp é artista visual, muralista e tatuador de Jaraguá do Sul. Sua trajetória no graffiti começou na adolescência, em 2018, por meio da cultura Hip Hop e da pesquisa sobre letras, caligrafia gótica e calligraffiti. Desde 2024, atua profissionalmente como muralista, desenvolvendo obras para espaços públicos e privados. Também participou de projetos artísticos voltados à comunidade e ministrou oficinas de graffiti na cidade. Trabalha com murais, telas e tatuagens autorais, explorando a relação entre arte urbana, tipografia e identidade visual.
Siga no Instagram: @ruantrapp

O que o painel representa: A obra utiliza a araponga, ave característica das áreas de Mata Atlântica de Jaraguá do Sul, como símbolo da conexão entre natureza e indústria. Conhecida pelo canto metálico, frequentemente comparado ao som do aço sendo golpeado, a ave aparece transformada em peças tridimensionais e formas geométricas metálicas no estilo Wildstyle, representando a força da indústria metalúrgica e o desenvolvimento da cidade.
Artistas de outros lugares do país
Alexandre Puga
Painel: não intitulado
Inspirações: Botânica brasileira, Espada-de-São-Jorge, Costela-de-Adão, natureza, leitura, memória e pertencimento


Conheça o artista: Alexandre Puga é artista visual, muralista e arte-educador, nascido e criado na zona sul de São Paulo. Sua trajetória começou no graffiti e se expandiu para a pintura, o muralismo e as instalações, construindo uma pesquisa atravessada por ancestralidade, memória, afeto, espiritualidade e cidade. Com formação em Artes Plásticas e pós-graduação em História da Arte pela FAAP, atuou por 17 anos como professor. Também possui trabalhos e exposições realizadas na Alemanha, Inglaterra e França.
Siga no Instagram: @alexandrepuga

O que o painel representa: A obra nasce da pesquisa de Alexandre Puga sobre a botânica brasileira e as chamadas plantas de poder. Espécies como Espada-de-São-Jorge e Costela-de-Adão aparecem na composição como símbolos de proteção, transformação e pertencimento. O mural apresenta dois personagens em meio à paisagem. De um lado, uma menina mergulha na leitura enquanto cores, formas e borboletas surgem do livro, representando o poder transformador do conhecimento. Do outro, um homem atravessa a vegetação em direção ao Caminho das Artes, criando uma relação entre natureza, memória e cidade.
Bilbo
Painel: Mundois
Inspirações: Futuro, colapso, reconstrução, tecnologia, humanidade e novos mundos

Conheça o artista: Bruno Cassa, conhecido como Bilbo, é artista urbano e natural de São Paulo. Vive em Joinville desde 1990 e teve contato com a arte desde a infância. Em 2004, encontrou no grafismo e na cultura das ruas uma forma de expressão. A partir de 2011, ampliou sua pesquisa artística para diferentes linguagens, como arte digital, pintura com técnicas mistas, spray sobre parede, esculturas, instalações, workshops, oficinas e curadorias de exposições. Também desenvolve projetos em parceria com outros artistas e participou de mais de 20 exposições coletivas entre 2011 e 2024.
Siga no Instagram: @brunobilbo

O que o painel representa: A obra “Mundois” apresenta a visão de um mundo futuro que passou por um colapso e no qual a humanidade começa novamente a partir do zero, de forma primitiva e tecnológica. O painel propõe uma reflexão sobre reconstrução, transformação e os caminhos possíveis para a sociedade diante das mudanças do tempo.
Crica Domingos
Painel: Morro da África: Paisagem e Memória
Inspirações: Morro Boa Vista, vegetação, memória da população negra, identidade, pertencimento e resistência

Conheça a artista: Cris Domingos, conhecida como Crica, é artista visual, arte-educadora e Mestra em Artes. Sua trajetória reúne participação em exposições coletivas, realização de murais em Joinville e região e presença em encontros de arte urbana. Entre 2020 e 2025, desenvolveu uma série de pinturas dedicadas à representação da mulher negra. Sua produção busca inspiração na natureza, na moda, na arte e na cultura, explorando formas orgânicas, curvas, movimentos e composições que dialogam com a abstração.

O que o painel representa: A obra “Morro da África: Paisagem e Memória” apresenta uma representação artística do Morro da Boa Vista, em Jaraguá do Sul, construída a partir do abstracionismo orgânico. Tons de verde e formas que remetem à vegetação, aos caminhos e aos relevos do local formam uma paisagem estilizada, complementada por ondulações em tons de areia, amarelo e marrom que evocam o céu, o pôr do sol e o calor.
A composição não busca reproduzir o território de forma literal, mas traduzir suas memórias, sua história e as marcas deixadas pelos trabalhadores negros que ocuparam o morro – em um contexto de exclusão social, quando a população negra foi afastada das áreas centrais da cidade e encontrou naquele espaço uma possibilidade de reconstruir suas vidas. A obra estabelece um diálogo entre passado e presente, convidando o público a refletir sobre um território marcado pela invisibilização da população negra e sobre temas como memória, pertencimento, identidade e resistência.
>> Leia também: A saga das famílias negras expulsas de Jaraguá do Sul que mudaram a história da cidade em 1907
Cris Pagnoncelli
Painel: VIVACIDADEVIVA
Inspirações: Ocupação dos espaços públicos, cidades mais humanas, segurança das mulheres, mobilidade urbana, protagonismo feminino e vida em comunidade

Conheça a artista: Cris Pagnoncelli é designer especialista em branding e lettering, com atuação nas artes visuais e no muralismo. Também trabalha como arte-educadora e produtora cultural, com foco no letramento de gênero e protagonismo feminino. Com duas décadas de experiência no mercado criativo nacional e internacional, atua em Curitiba, onde desenvolve projetos que passam por identidades visuais, capas de livros e murais de médio e grande porte. A artista possui mais de 15 exposições coletivas e duas individuais.
Siga no Instagram: @crispagnoncelli

O que o painel representa: A obra “VIVACIDADEVIVA” faz parte de uma série iniciada pela artista em 2016, com a pintura da palavra “VIVACIDADE” e suas variações em diferentes cidades do Brasil. No Caminho das Artes, o mural celebra os 150 anos de Jaraguá, ao mesmo tempo que propõe uma reflexão sobre a relação das pessoas com os espaços urbanos. A palavra representa o desejo por cidades mais vivas, coloridas e ocupadas pela comunidade. A obra também aborda a importância de pensar espaços públicos mais seguros para mulheres, incentivar a circulação a pé e de bicicleta e aproximar as pessoas da cidade onde vivem.
Enivo
Painel: Jaraguá Sunset
Inspirações: Trem, montanhas, pessoas, cão, flores, raízes, transformação, sustentabilidade e novos caminhos

Conheça o artista: Marcos Ramos, conhecido como Enivo, é muralista de rua e artista de ateliê. Nascido em 1986, iniciou sua trajetória artística aos 12 anos, fazendo grafite no bairro do Grajaú, em São Paulo. Ao longo da carreira, realizou murais no Brasil e em países como Estados Unidos, México, Alemanha, Holanda, França, Áustria, Espanha, Chile e Argentina. Participou de festivais internacionais e desenvolveu trabalhos para marcas como Nike, Adidas, Samsung, Bradesco, Natura e Ellus.
Durante dez anos, também atuou com educação artística em escolas e ONGs, compartilhando conhecimento com jovens da periferia. É fundador da A7MA Galeria, na Vila Madalena, em São Paulo, onde também atuou como curador de exposições. Suas obras já foram apresentadas em espaços como Pinacoteca do Estado, MuBE, Museu de Arte Sacra de São Paulo e Museu Nacional da República, em Brasília.
Siga no Instagram: @enivo

O que o painel representa: A obra celebra os 150 anos de Jaraguá do Sul por meio de uma narrativa visual sobre movimento, transformação e pertencimento. O trem representa o desenvolvimento, a indústria e as conexões que ajudaram a construir a cidade. As montanhas remetem à paisagem que acompanha a história do município, enquanto a ciclista, a criança e o cão simbolizam novas gerações seguindo adiante com sonhos e esperança.
O encontro entre locomotiva e bicicleta cria um diálogo entre diferentes tempos: a herança dos pioneiros e a cidade que avança em direção à inovação, sustentabilidade e qualidade de vida. O pôr do sol aparece como símbolo de novos horizontes, enquanto flores, energias renováveis e elementos de convivência reforçam a ideia de uma cidade que cresce sem perder suas raízes.
Igor Gori
Painel: A luta
Inspirações: Povo Xokleng, gralha-azul, pinhão, Morro da Boa Vista, araucárias, ancestralidade e memória do território

Conheça o artista: Igor Gôri é artista multidisciplinar e designer. Nascido em Joinville, possui graduação em Design de Planejamento Visual e desenvolve trabalhos como designer e artista em diferentes linguagens, incluindo murais, telas, tatuagens e arte digital. Com 16 anos de experiência em arte urbana, participou de eventos ligados ao movimento pelo Brasil e desenvolveu murais públicos e privados na região Norte de Santa Catarina.
Siga no Instagram: @i.gor.i

O que o painel representa: A obra cria uma mitologia própria inspirada por memórias do território de Jaraguá do Sul. O personagem central é um híbrido entre humano e gralha-azul, inspirado no povo Xokleng que habitou a região e na relação com a coleta do pinhão, alimento nativo também consumido pelas aves. A figura representa conhecimentos ancestrais ligados à sobrevivência e à resistência.
Ao fundo, o painel apresenta referências ao Morro da Boa Vista, conhecido como Morro da Antena, e às araucárias, árvores de onde vem o pinhão. Dentro da proposta de passado, presente e futuro do Caminho das Artes, a obra dialoga principalmente com a memória e a valorização dos conhecimentos construídos ao longo do tempo, mas também aponta para a preservação dessas referências nas próximas gerações.
Jonca
Painel: não intitulado
Inspirações: Tempo, passagem do tempo, viver o tempo, desacelerar, acelerar, bicicleta, movimento, relógios e cultura circense

Conheça o artista: João Guilherme, conhecido como Jonca, é artista visual e tatuador de Joinville. Iniciou sua trajetória artística em 2005 por meio do graffiti, influenciado pelas vivências artísticas dos pais. Ao longo dos anos, ampliou seu repertório técnico e desenvolveu uma linguagem própria, explorando diferentes formas de expressão e superfícies. Além da produção artística, também idealiza e ministra oficinas de graffiti, compartilhando conhecimento e incentivando novas experiências criativas.
Siga no Instagram: @jonca1455

O que o painel representa: A obra apresenta uma reflexão sobre diferentes formas de perceber a passagem do tempo. Na composição, as partes que giram da bicicleta são representadas por ponteiros de relógio. O bagageiro recebe outro elemento ligado ao tempo, enquanto o freio acionado representa a possibilidade de desacelerar. O personagem ciclista observa a cena com um capacete relacionado ao conceito de tempo, enquanto um personagem circense ao fundo toca um tambor, marcando o ritmo da narrativa.
JTG
Painel: Natureza feminina
Inspirações: Montanhas, Mãe Natureza, feminilidade, força criadora e relação entre natureza e vida

Conheça o artista: Jorge Torres Galvão é artista autodidata. Iniciou sua trajetória nas ruas aos 14 anos e, em 2001, teve uma passagem pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná, onde iniciou uma série de experimentações artísticas. Sua produção combina grafite com técnicas de ilustração, colagem e pintura em tela. Também passou a explorar materiais de descarte, desenvolvendo esculturas e obras instaladas. Participou de exposições no Brasil e em países como Alemanha, Lituânia, Bélgica, Espanha e Estados Unidos, além de integrar o festival Constructo, no México.
Siga no Instagram: @jorgetorresgalvao

O que o painel representa: “Natureza Feminina” parte da relação entre as montanhas e a força feminina da natureza. A composição representa uma grande entidade feminina repousando entre as montanhas e o vale. A figura simboliza a Mãe Natureza, entendida pelo artista como uma força capaz de gerar e sustentar a vida. A paisagem e a figura feminina se misturam para representar essa relação entre natureza, criação e força.
Yorka
Painel: não intitulado
Inspirações: Paisagem de Jaraguá do Sul, elementos locais, natureza, imaginário, feminilidade e criação

Conheça o artista: Leonardo Yorka é artista visual e designer gráfico, natural de Curitiba. Sua pesquisa artística começou pelo graffiti e, posteriormente, se expandiu para a pintura, sua principal linguagem. Formado em Design pela UFPR, divide sua atuação entre projetos editoriais e publicitários e a produção em ateliê. Já participou de exposições coletivas em Curitiba e São Paulo, além de realizar exposições individuais nas duas cidades.
Siga no Instagram: @yorka
O que o painel representa: A obra parte da proposta de construir uma paisagem que mistura elementos locais e imaginários. Inspirado pelas referências visuais de Jaraguá do Sul, o artista combina elementos do território com uma composição própria, criando uma relação entre natureza, memória e a força feminina presente na paisagem natural.
Luciano Martins e Elizeu Rocha
Painel: não informado
Inspirações: Música, cultura, afeto, esperança, movimento e pertencimento

Conheça o artista Luciano Martins: iniciou sua carreira criativa na publicidade em 1986, em Porto Alegre, onde conquistou mais de 200 prêmios nacionais e internacionais. Com o tempo, encontrou nas artes visuais seu principal campo de expressão, com traços lúdicos, cores vibrantes e temas otimistas. Em mais de duas décadas dedicadas à pintura, reúne mais de 100 mostras no currículo, incluindo exposições internacionais em países como Itália, França, Portugal, Espanha, Estados Unidos e Argentina. Além da produção artística, Luciano também desenvolve projetos educativos e sociais, utilizando a arte como ferramenta de aproximação e transformação.
Siga no Instagram: @lucianomartinslm

Conheça o artista Elizeu Rocha: é artista plástico natural de Canoinhas (SC), e escolheu Jaraguá do Sul como lar há cerca de três décadas. Sua trajetória é marcada pela pintura e pela técnica de aerografia, linguagem semelhante ao grafite, utilizada em trabalhos para fachadas, ambientes internos, objetos e projetos personalizados. Ao longo da carreira, desenvolveu trabalhos em diferentes superfícies e linguagens, incluindo estampas para coleções de moda e intervenções artísticas. No Caminho das Artes, participou da execução do mural criado por Luciano Martins, levando para a parede a proposta visual do projeto.
Siga no Instagram: @elizeu.rocha

O que o painel representa: A obra nasce da ideia da arte como uma forma de afeto, esperança e pertencimento. Luciano buscou representar a “insistência da alegria como forma de resistência”, traduzindo em imagens ligadas à música, ao movimento e à expressão artística, com acordes visíveis, corpos em movimento e cenas que convidam ao olhar. A composição busca oferecer imaginação onde antes havia rotina e reforçar a relação entre arte, memória e futuro.
Mariê
Painel: DECOLONIAL
Inspirações: Feminismo, feminismo queer, território, identidade, coelhos, fogo, memória, ancestralidade e transformação social

Conheça o artista: Mariê Balbinot é artista visual de curitiba; mulher e queer, com atuação em murais de larga escala em diferentes partes do mundo. Formada em Publicidade e Propaganda, atua nas ruas desde 2010 e passou a levar seu universo artístico também para telas em acrílico a partir de 2020. Sua produção é marcada pela discussão sobre feminismo e feminismo queer, investigando os múltiplos corpos da mulher, incluindo físico, social, emocional, político e espiritual.
Siga no Instagram: @mariebalbinot

O que o painel representa: O mural propõe uma reflexão sobre território, memória e as narrativas construídas nos espaços públicos. A obra busca estabelecer um diálogo crítico com a herança colonial europeia de Jaraguá do Sul, propondo uma reflexão sobre as histórias que são celebradas e aquelas que foram apagadas ao longo do tempo.
Sobre o fundo preto, os coelhos amarelos com chamas vermelhas aparecem como símbolos de vitalidade, velocidade e despertar. O coelho representa fertilidade e relação com a terra, enquanto o fogo simboliza transformação, purificação e movimento. A composição utiliza elementos lúdicos para aproximar o público e estimular uma reflexão sobre o espaço onde circula. A obra apresenta o muralismo como ferramenta de memória, questionamento e transformação social.
Mateus Bailon
Painel: não informado
Inspirações: Natureza, aves, plantas, seres híbridos, camuflagem, adaptação, invisibilidade e pertencimento

Conheça o artista: Mateus Bailon é artista visual e muralista de SC, mas que vive e trabalha em São Paulo. Com mais de 20 anos de atuação no espaço urbano. Sua produção transita entre a arte contemporânea e o muralismo, criando narrativas visuais que combinam elementos da natureza com um imaginário simbólico. Aves, plantas e seres híbridos aparecem em composições que exploram relações entre o visível e aquilo que permanece oculto. Com trabalhos realizados em países como Estados Unidos, Inglaterra, França, Alemanha, Holanda e Áustria, desenvolve uma linguagem ligada à observação da natureza, adaptação e pertencimento.
Siga no Instagram: @mateusbailon

O que o painel representa: A obra faz parte da série “Hidden in Plain Sight”, pesquisa em desenvolvimento do artista que utiliza a camuflagem como linguagem visual e metáfora existencial. O mural apresenta criaturas híbridas que se misturam a elementos botânicos, criando uma composição que inicialmente pode parecer apenas uma paisagem ou arranjo natural. Aos poucos, surgem aves ocultas, formas ambíguas e figuras que transitam entre planta e organismo vivo.
A obra propõe uma reflexão sobre pessoas e grupos que permanecem invisíveis ou passam despercebidos no cotidiano. A camuflagem deixa de ser apenas uma estratégia da natureza e passa a representar processos de adaptação, invisibilização e busca por pertencimento.
Pac Calory
Painel: O movimento é o que traz o equilibrio
Inspirações: Natureza, fundo do mar, paisagem, fluxo das emoções, feminino, cores e emoções

Conheça a artista: Pac Calory é artista visual e designer gráfica, natural de Apucarana (PR) e criada em Curitiba. Sua relação com a arte começou por meio do graffiti em 2012, a partir do contato com a cena urbana durante um estágio no Museu Oscar Niemeyer. Formada em Desenho Industrial pela PUC-PR, em 2015, passou a unir referências do graffiti e do design em sua produção. Sua linguagem autoral explora equilíbrio entre formas, cores, texturas e experiências visuais. Ao longo da trajetória, desenvolveu trabalhos com elementos figurativos e abstratos, explorando temas como natureza, paisagem, feminino e composição de cores.
Siga no Instagram: @paccalory

O que o painel representa: A obra propõe uma reflexão sobre sentimentos e emoções como águas em movimento, que atravessam a vida sem precisar ser bloqueadas ou controladas. A artista utiliza referências figurativas e abstratas do fundo do mar para representar esse fluxo, criando uma composição em que cores, formas e elementos visuais buscam transmitir equilíbrio e movimento. O mural também apresenta frases relacionadas ao tema e foi pensado como um convite para momentos de pausa e reflexão durante o percurso pela ciclovia. A proposta é criar uma relação entre arte e cotidiano, trazendo uma sensação de calma e otimismo diante das incertezas e da intensidade da vida contemporânea.
Paulo Agostini
Painel: Povo
Inspirações: Infância, vida no interior, liberdade, cavalo, crítica social e arte como forma de libertação

Conheça o artista: Paulo Agostini é designer gráfico e artista urbano de Joinville. Aos 16 anos, iniciou sua trajetória no universo do graffiti e se tornou um dos precursores dessa linguagem artística na cidade. Ao longo da carreira, desenvolveu uma linguagem própria a partir da experimentação de diferentes estilos, utilizando como inspiração a natureza, as formas femininas e elementos lúdicos e orgânicos.
Seu trabalho é marcado pelo uso de cores vivas e pela relação entre homem e natureza. Também atuou como professor de arte urbana no projeto CHHAI (Casa do Hip-Hop e Arte Inclusiva), em Joinville, além de participar de encontros nacionais e internacionais de graffiti, exposições, workshops e projetos culturais.
Siga no Instagram: @pauloagostini

O que o painel representa: O mural “Povo” nasceu a partir do tema “Passado, Presente e Futuro” e de uma reflexão pessoal do artista sobre sua própria trajetória. A obra resgata memórias da infância de Paulo Agostini no interior, marcada pela vida no sítio, pelos cavalos, pela pesca e pelos momentos compartilhados com familiares. Essas lembranças se conectam ao momento em que a arte passou a fazer parte da sua vida como uma forma de enxergar o mundo de maneira diferente.
O painel apresenta três fases de um mesmo ser, representando passado, presente e futuro em uma busca constante pela liberdade de existir. O cavalo aparece como símbolo dessa trajetória, ligado à ideia de movimento, independência e resistência. O título “Povo” também carrega um significado construído pelo artista: Pessoas Organizadas Vencem Opressão. A obra propõe uma reflexão sobre padrões sociais, liberdade de pensamento e o papel da arte como ferramenta de questionamento e transformação.
Rafael Moreno
Painel: Tríade
Inspirações: Percepção, força, coragem, amor, possibilidades, novos olhares e transformação

Conheça o artista: Rafael Moreno é diretor de arte, artista visual e ilustrador de Joinville. Bacharel em Design Gráfico com habilitação em Programação Visual, nasceu em 1987 e teve os primeiros contatos com o desenho ainda na infância. Em sua trajetória artística, realizou exposições individuais e coletivas, oficinas teóricas e práticas, intervenções urbanas e obras permanentes em painéis e museus. Sua produção explora o desenho por meio de técnicas como nanquim, aquarela e acrílica, utilizando processos de pesquisa e experimentação gráfica para construir narrativas visuais.
Siga no Instagram: @rafaelmorenoestudio

O que o painel representa: A obra convida o público a desenvolver uma nova forma de olhar para a realidade. A coroa simboliza o valor de uma percepção renovada, enquanto os olhos representam a ideia de que a realidade pode mudar quando mudamos a maneira como a observamos. A composição apresenta força, coragem e amor como pilares desse novo olhar, propondo uma escolha consciente de enxergar possibilidades onde antes existiam apenas limites.
>> Além do mural criado para o Caminho das Artes, Rafael Moreno também assina a ilustração de uma caixa de luz instalada em uma das pontas do percurso.

Rafael Sliks
Painel: Fachada SCAR na Praça
Inspirações: Escrita de rua, graffiti, caligrafia, movimento, corpo e abstração

Conheça o artista: Rafael Sliks é artista plástico nascido em São Paulo, em 1981. Sua relação com a arte começou ainda na infância, observando as placas de rua pela fresta do portão de casa, no bairro Bela Vista, influência que marcou sua pesquisa artística e sua forma de trabalhar a escrita urbana. Reconhecido internacionalmente pela forma como transforma a linguagem do graffiti em obras de arte, seus murais e pinturas sobre tela já foram apresentados em festivais, exposições e publicações nos Estados Unidos, Ásia e Europa.
Siga no Instagram: @rafaelsliks_
Tassy
Painel: Arte para sobreviver
Inspirações: Cultura circense, trajetória feminina, passado, presente e futuro

Conheça a artista: Thayna Caroline é grafiteira e artista urbana de Joinville, com mais de sete anos de atuação. Integrante da cena do grafite, desenvolve trabalhos que transitam entre letras, bomb, throw-up e personagens autorais. Sua produção tem forte influência da cultura de rua e da arte circense, especialmente na criação de figuras femininas inspiradas em palhaças e no universo do circo. Como mulher dentro do movimento do grafite, busca fortalecer a representatividade feminina nos espaços urbanos por meio da arte. Seu trabalho conecta elementos do imaginário popular, da cultura urbana e das vivências cotidianas.
Siga no Instagram: @fukksleeptassy

O que o painel representa: A obra propõe uma reflexão sobre o tema “Passado, Presente e Futuro” por meio da representação de uma mesma personagem em diferentes fases da vida. A composição apresenta uma palhaça criança, adulta e idosa, simbolizando diferentes momentos da existência. Ligadas pela arte circense, as três figuras representam continuidade, criatividade e a capacidade de se reinventar diante das mudanças.
Ao longo do tempo, a personagem permanece conectada à mesma expressão artística, mostrando a arte como alimento da alma e uma força capaz de trazer alegria, imaginação e sentido mesmo nos momentos mais difíceis. A escolha das diferentes idades também valoriza a trajetória feminina, mostrando crescimento, maturidade e memória como partes de uma mesma história.
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>> Painéis extras: O percurso também recebeu murais produzidos a partir de ações coletivas previstas dentro do projeto Caminho das Artes, como a Oficina de Stencil, conduzida por Cris Pagnoncelli, e a oficina Pintando um Mural Coletivo, realizada por Dessa Quadros com participação de seus alunos. Além disso, o espaço reúne outras intervenções realizadas em 2024, durante o CicloArte, primeiro encontro de grafite de Jaraguá do Sul. Essas obras mais antigas passaram a compor o mesmo trajeto visual do percurso. Veja algumas imagens na galeria abaixo:




Um caminho que começou a ser pensado anos atrás
Embora tenha dado cor aos muros em 2026, o Caminho das Artes começou a ser imaginado muito antes. Segundo a equipe da SCAR, uma das origens da ideia está em 2016, quando a instituição realizou a pintura da própria sede e começou a discutir formas de ampliar a presença da arte urbana em Jaraguá do Sul.
Outras intervenções vieram depois, entre elas a pintura de postes na Barra do Rio Cerro e uma homenagem à artista Denyse Silva. Mas o projeto tomou forma mais concreta em 2024, quando a SCAR passou a desenvolvê-lo em parceria com o Instituto AION.
A ciclovia próxima à linha férrea foi escolhida por ser um ponto de circulação diária de moradores e pela possibilidade de transformar aquele trecho em um espaço também dedicado à convivência e à produção cultural.

A primeira etapa, entregue no fim de julho, reuniu aproximadamente 30 artistas e ocupou cerca de 1.500 metros quadrados de paredes e muros ao longo de 600 metros da ciclovia.
O projeto foi realizado pela Sociedade Cultura Artística (SCAR), com curadoria de Beto Shibata e Denyse Silva. A produção ficou sob responsabilidade de Dhiovana A. Flasi, com assistência de produção de Heloise Giovanna da Silva, enquanto a identidade visual do Caminho das Artes foi desenvolvida pela Firmorama, escritório de branding, comunicação e design de Jaraguá.
A curadoria convidou tanto artistas da região quanto nomes do cenário nacional, mantendo como eixo a temática passado, presente e futuro, em uma reflexão sobre as efemérides dos 70 anos da SCAR e os 150 anos de Jaraguá do Sul.
Como o Caminho das Artes foi viabilizado
O projeto foi realizado por meio da Lei Rouanet, com a Sociedade Cultura Artística (SCAR), como proponente. A realização contou com patrocínio de Aromitalia, Tritec, Instituto AION, Metalúrgica IMAM, Menegotti e Flexível. Também participaram como apoiadores WEG, Condor, Lukscolor, Tintas Fischer, A.Marie, BRDE, Prefeitura de Jaraguá do Sul, CDL, ACIJS, Grego Guindastes, Textilfio, Down Jacquards e Proma.

Além da criação dos murais e das oficinas já realizadas, o projeto prevê visitas mediadas para escolas e catálogo digital acessível. Desde a apresentação da primeira etapa, a SCAR também sinaliza a possibilidade de ampliar as intervenções para outros pontos da cidade nos próximos anos.
Como isso impacta sua vida?
Os painéis já fazem parte da paisagem de quem caminha, pedala ou simplesmente atravessa aquela região do Centro. Conhecer quem criou cada obra e o que existe por trás das imagens acrescenta outra camada ao percurso: permite observar referências que poderiam passar despercebidas e entender por que cada artista escolheu contar Jaraguá do Sul daquela maneira.
Gabriela Bubniak
Jaraguaense de alma inquieta e jornalista apaixonada por contar boas histórias. Tenho fascínio por livros, música e viagens, mas o que me move é viver a energia de um bom futsal na Arena e explorar o que há de melhor na nossa terrinha.