Cápsula do tempo para 2076: Jaraguá do Sul vai guardar 3 mil cartas para abrir no bicentenário da cidade
| Divulgação/Prefeitura de Jaraguá do Sul

Cápsula do tempo para 2076: Jaraguá do Sul vai guardar 3 mil cartas para abrir no bicentenário da cidade

Max Pires

/ Por Max Pires

As mensagens ficam junto ao Memorial da Celebração e integram o planejamento estratégico que mira o bicentenário do município.

Jaraguá do Sul vai deixar um registro para quem viver na cidade daqui a 50 anos. Uma cápsula do tempo com 3 mil cartas da população será aberta em julho de 2076, durante o bicentenário do município.

A cápsula é parte do Jaraguá 200 anos, o planejamento estratégico que teve seu primeiro seminário nesta terça-feira (25), no Centro Empresarial de Jaraguá do Sul. Enquanto conselhos, vereadores e secretários discutiam a cidade das próximas cinco décadas, o projeto reservava um espaço para quem não estará na mesa: os moradores de 2076.

Mensagens para quem ainda não nasceu

As cartas podem trazer preocupações, desejos e recados para as futuras gerações. Não há tema definido, e a proposta é registrar como a população de hoje enxerga a cidade e o que espera dela.

Além do papel guardado na cápsula, todo o conteúdo será digitalizado e preservado num sistema que libera o acesso apenas em julho de 2076. Quem escrever uma carta agora dificilmente estará na praça no dia da abertura, e é justamente esse o ponto do gesto.

Foto: Divulgação/Prefeitura de Jaraguá do Sul

Oito perguntas que a cidade terá de responder

A cápsula acompanha um trabalho de fôlego mais técnico. O primeiro seminário do planejamento reuniu representantes dos conselhos municipais, vereadores, secretários, integrantes do Comitê de Desenvolvimento e do Conselho Pró-Jaraguá, divididos em grupos temáticos.

Cada grupo trabalhou sobre um eixo. Os oito não são áreas administrativas como saúde ou educação, e sim pressões externas que a cidade não controla e vai ter de absorver:

  1. Envelhecimento populacional: como cuidar de uma cidade que envelhece mantendo qualidade de vida e capacidade fiscal
  2. IA e automação: quais trabalhos resistem às mudanças tecnológicas e quais ocupações novas precisam existir
  3. Mudanças climáticas: como conviver com um clima instável e com os impactos sobre a bacia do Itapocu
  4. Reforma tributária: como antecipar os efeitos sobre a receita do município
  5. Novas formas de mobilidade: como mover pessoas reduzindo a dependência do automóvel
  6. Transformações econômicas: como diversificar a economia sem perder a força da indústria
  7. Novas profissões: para quais ocupações do futuro a cidade deve preparar sua população
  8. Questões sanitárias: como garantir água, esgoto e serviços de saúde para toda a população

De diretriz a plano de ação

O secretário de Planejamento e Urbanismo, Aselmo Luiz Jorge Ramos, afirmou que um segundo seminário acontece no fim de 2026. De cada eixo temático devem sair duas a três diretrizes.

“Com a conclusão dessa etapa, o planejamento será estruturado e, posteriormente, discutido com as secretarias municipais e demais órgãos envolvidos, que deverão transformar as diretrizes em ações e planos de ação”, disse o secretário.

A ideia é que o documento final funcione como bússola para as próximas gestões, independentemente de quem esteja na prefeitura. O planejamento estabelece direções de longo prazo, e cabe a cada administração converter isso em obra, política pública ou investimento.

Cenários que vão do otimista ao pessimista

A base técnica do trabalho veio de fora do poder público. Segundo o empresário Luis Hufenüssler Leigue, a consultoria Bubbleless doou o estudo que subsidia o planejamento. O material considera tendências de mercado, geopolíticas, tecnológicas e comportamentais, além de projeções que vão do cenário mais otimista ao mais pessimista.

“A partir dessas projeções, são analisadas questões como população, economia, meio ambiente, sustentabilidade e mobilidade, oferecendo parâmetros para a definição das diretrizes de longo prazo”, explicou.

Como isso impacta sua vida?

A cápsula pede uma decisão de quem mora aqui hoje: escrever ou não escrever. Quem tem trinta anos agora terá oitenta quando ela for aberta, e um filho nascido este ano estará com a idade de decidir os rumos da cidade que essas cartas descrevem. A Prefeitura ainda não divulgou como enviar a sua, e essa informação deve sair nas próximas semanas.

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