Matéria Especial
10 casarões antigos do Centro de Jaraguá do Sul e as histórias por trás deles
De antigas residências de famílias conhecidas a endereços que abrigaram comércio, banco e outros negócios, conheça as histórias preservadas em construções do Centro.
Resumo da matéria
A lista reúne 10 casarões e prédios antigos do Centro de Jaraguá do Sul, construídos em diferentes momentos do século XX. Entre os imóveis estão antigas residências de famílias como Breithaupt, Hertel, Grubba, Schmitz, Leutprecht e Pradi. Algumas construções misturavam moradia e comércio, com lojas funcionando no térreo e famílias vivendo nos pavimentos superiores. A seleção também inclui a antiga sede do Banco Nacional do Comércio, inaugurada em 1955. As histórias revelam curiosidades sobre famílias, comerciantes e empresários que participaram de diferentes momentos da formação da cidade. Muitos dos imóveis utilizam a alvenaria autoportante, técnica em que as próprias paredes ajudam a sustentar a construção. Parte das edificações é tombada como patrimônio cultural, preservando características arquitetônicas que ainda podem ser observadas no Centro. A reportagem também mostra onde estão esses imóveis, permitindo reconhecê-los durante um passeio pela região central.
Ao longo de mais de um século, a paisagem de Jaraguá do Sul mudou muito, afinal a cidade cresceu e ganhou novos espaços. Ainda assim, basta caminhar com um pouco mais de atenção pelo Centro para encontrar construções que atravessaram décadas e hoje embelezam o cenário.
São casas ligadas a famílias pioneiras, comerciantes, empresários e instituições ajudam a contar como o município foi formado, revelando histórias que permanecem nas fachadas, nos detalhes arquitetônicos e nas memórias de quem viveu esses lugares.
>> Esta reportagem integra uma exposição artística e histórica promovida pela A.marie, que reúne memórias de Jaraguá do Sul. A mostra está aberta à visitação no Casarão Emmendorfer, no Centro da cidade.
Confira a lista com 10 casas históricas para apreciar no Centro de Jaraguá do Sul
1. Casa de Bernardo Grubba (1906)
A residência de Bernardo Grubba e Maria Elizabeth Moser foi construída entre os primeiros anos do século XX – 1906 e 1910 -, e preserva a história de uma família ligada ao comércio, à liderança comunitária e ao desenvolvimento econômico do município.
A construção está localizada no antigo traçado conhecido como Estrada Nova e atualmente corresponde ao número 1212 da Rua Presidente Epitácio Pessoa. Ao lado da residência principal existia uma primeira casa comercial da família, construída em 1903.

Um pouco de história
Nascido Bernhardt Grubba, em 1878, Bernardo foi comerciante e proprietário de terras em Jaraguá do Sul. Ele fundou a Bernardo Grubba S.A. Indústria e Comércio, ligada a atividades comerciais e de beneficiamento. Maria também participava das atividades das empresas da família.
Registros históricos ajudam até a colocar rostos nessa história. Uma fotografia feita em frente à residência mostra Bernardo e Maria ao lado dos filhos Waldemar, Álida, Hilda e Leopoldo, além de outros familiares. Bernardo e Maria estiveram entre as pessoas mais influentes da época em que viveram, atuando nas atividades das empresas da família.

Ao todo, o casal teve sete filhos. Entre eles estava Waldemar Grubba, que mais tarde se tornou prefeito de Jaraguá do Sul, e Álida Victoria Grubba, que viveu no casarão até os 23 anos, quando se casou. Foi na casa também que aconteceu a festa de seu casamento com Manuel Rudge.
O casal viveu por décadas em São Paulo e teve um filho, Adhemar Rudge, que seguiu carreira militar e chegou à patente de coronel do Exército Brasileiro.
Anos mais tarde, já viúva, Álida retornou a Jaraguá do Sul, retomando a ligação com a cidade e com o imóvel onde havia crescido. Ela viveu até os 113 anos e 166 dias e chegou a ser considerada a pessoa viva mais longeva do Brasil e da América do Sul. Morreu em 23 de dezembro de 2016.
Sobre a construção
A casa tem dois pavimentos e dimensões que chamam atenção para uma residência construída no início do século XX. A fachada extensa é marcada pelas janelas alinhadas, detalhes ornamentais ao redor das aberturas e cobertura inclinada.
A construção também possui amplos espaços internos e elementos decorativos que ajudam a mostrar as características de uma residência de grande porte daquele período. Com o passar dos anos, o imóvel sofreu adaptações para acompanhar as necessidades da própria família. Segundo relatos familiares, uma dessas mudanças ocorreu em uma das laterais da casa, que foi fechada após o nascimento de outros filhos do casal.
2. Casa Arthur e Erna Breithaupt (1926)
Na Rua Presidente Epitácio Pessoa, no Centro de Jaraguá do Sul, uma residência construída há um século permanece em meio às transformações de uma das principais vias da cidade. O imóvel é mais um dos endereços históricos ligados à família Breithaupt e ao crescimento do comércio jaraguaense.
A Casa Arthur e Erna Breithaupt, localizada no número 854, foi construída em 1926 e pertenceu a Arthur Breithaupt e Paula Erna Breithaupt.

Um pouco de história
O ano em que a residência foi construída também marcou um momento importante para os negócios da família. Em 1926, Arthur e o irmão Walter Breithaupt fundaram a Breithaupt & Cia., empresa que iniciou as atividades no comércio de secos e molhados.
Com o passar dos anos, o negócio cresceu e ampliou a atuação para diferentes segmentos, entre eles tecidos, materiais de construção e supermercados. O sobrenome Breithaupt permaneceu associado ao comércio de Jaraguá do Sul por quase um século.

Arthur também participou da organização do setor empresarial do município. Em 1938, esteve entre os responsáveis pela criação da Associação Empresarial de Jaraguá do Sul (ACIJS), ao lado de outros empresários da cidade.
Arthur e Erna tiveram três filhos: Hans Breithaupt, que se casou com Carmen Piazera; Gert Breithaupt; e Jutta Breithaupt, casada com Dorval Marcatto. A família também esteve ligada a outros imóveis e empreendimentos que fazem parte da história de Jaraguá do Sul.
Sobre a construção
A casa foi construída em alvenaria autoportante, técnica em que as próprias paredes exercem função estrutural e ajudam a sustentar a edificação. Na fachada, destacam-se a composição simétrica, a sequência de janelas, as linhas discretas e a cobertura inclinada. O conjunto preserva características das residências urbanas construídas na primeira metade do século XX.
O imóvel foi tombado pelo Decreto Municipal nº 7.990/2011 e possui Nível de Preservação 2, o que permite mudanças na construção, desde que as características históricas e arquitetônicas protegidas sejam preservadas.
3. Casa Leutprecht (1930)
Na esquina da Rua João Zapella com a Avenida Marechal Deodoro da Fonseca, em frente ao Colégio Marista São Luís, um prédio de três pavimentos chama atenção pelo tamanho e pela posição em uma das principais vias do Centro de Jaraguá do Sul.
Construído pela família de Inácio e Elisa Leutprecht, o imóvel reuniu durante anos comércio e moradia no mesmo endereço, com lojas no térreo e diferentes integrantes da família vivendo nos andares superiores.

Um pouco de história
Há diferentes registros sobre a origem do prédio. Segundo relatos de familiares, ele teria sido construído por Inácio Leutprecht após seu retorno a Jaraguá do Sul, no início da década de 1940. A família também conta que teria sido a primeira construção de três andares da cidade. O Guia de Bens Tombados da Secretaria de Cultura registra que o imóvel foi adquirido de Silvino Piazera.
Inácio e Elisa tiveram cinco filhos: Helena Piccoli, Elizaldo Leutprecht, Hilaria Moretti, Hildegard Schmitz e Bruno Leutprecht. Alguns desses nomes também ficaram ligados a outros endereços conhecidos de Jaraguá do Sul.

Hilaria Moretti esteve ligada à loja de tecidos Dona Hilária, enquanto Hildegard Schmitz está associada à Casa Schmitz, outro imóvel histórico que integra esta lista.
O prédio da família passou a concentrar diferentes atividades da família Leutprecht. No térreo funcionavam estabelecimentos comerciais, enquanto os dois pavimentos superiores eram utilizados como residência. Na lateral ficava a loja de calçados Piccoli, enquanto Elisa Leutprecht mantinha uma loja de tecidos na esquina. Na parte voltada para a Avenida Marechal Deodoro também funcionava a farmácia de Elizaldo Leutprecht, filho do casal.

No segundo pavimento morava a família de Helena Piccoli, filha de Inácio e Elisa. Já o terceiro andar era ocupado pelo casal. Relatos de descendentes descrevem a residência de Inácio e Elisa como um espaço de grande conforto para os padrões da época, com móveis, tapetes e até uma banheira no banheiro.
A rotina da casa e dos negócios se misturava no mesmo endereço. Nos fundos do térreo havia uma cozinha utilizada diariamente pela família e pelos funcionários. Ao longo das décadas, diferentes atividades comerciais passaram pelo prédio.
Sobre a construção
Com três pavimentos e características da arquitetura teuto-brasileira, o imóvel representa uma fase de transição da arquitetura regional, com elementos mais simplificados e próximos da linguagem moderna. Permanece como referência do desenvolvimento urbano da cidade.
O imóvel foi tombado pelo Decreto Municipal nº 10.622/2015 e possui Nível de Preservação 2.
4. Casa Walter Breithaupt (1932)
Na Rua Coronel Procópio Gomes de Oliveira, no Centro de Jaraguá do Sul, uma residência construída em 1932 preserva a memória de Walter e Ida Breithaupt, integrantes de uma das famílias que ajudaram a construir a trajetória comercial do município.
A Casa Walter Breithaupt integra o patrimônio histórico de Jaraguá do Sul e mantém características da arquitetura residencial urbana da primeira metade do século XX.

Um pouco de história
A residência pertenceu a Walter Breithaupt e Ida Schuster Breithaupt, casal ligado à história de uma empresa que se tornaria uma das mais conhecidas do comércio jaraguaense.
Walter chegou a Jaraguá do Sul na década de 1920, inicialmente para atuar como juiz de Paz. Poucos anos depois, tornou-se sócio do irmão Arthur Breithaupt e, em 1926, os dois fundaram a Breithaupt & Cia. O negócio começou no comércio e, com o passar do tempo, expandiu sua atuação para diferentes áreas do varejo.
Ida também teve participação nos negócios da família. Registros da antiga Comércio e Indústria Breithaupt Ltda., na década de 1950, trazem seu nome em documentos oficiais da empresa.

Walter e Ida Breithaupt fizeram parte de uma geração de empresários que participou da formação econômica de Jaraguá do Sul. A família manteve presença no Centro do município por meio de imóveis, comércio e iniciativas empresariais que acompanharam o crescimento urbano de Jaraguá do Sul. Atualmente, a Casa Walter Breithaupt integra o patrimônio da família Hertel, descendente de Walter e Ida Breithaupt, e passou a abrigar atividades comerciais.
Sobre a construção
A casa foi construída em alvenaria autoportante. Com dois pavimentos, o imóvel apresenta uma fachada regular, marcada pela disposição simétrica das aberturas. As janelas com várias divisões, a repetição de elementos na fachada e a cobertura inclinada estão entre as características que permanecem visíveis na construção.
A localização na Rua Coronel Procópio Gomes de Oliveira também coloca a residência em uma área que passou por grandes transformações desde a época de sua construção. O imóvel foi tombado pelo Decreto Municipal nº 11.132/2016 e possui Nível de Preservação 2.
5. Casa Pedro Kopeaki (1933)
Na Rua Presidente Epitácio Pessoa, no Centro de Jaraguá do Sul, uma casa de dois andares chama atenção entre as construções que transformaram a região ao seu redor. Com janelas altas e uma fachada cheia de detalhes, o imóvel está ali desde a década de 1930.
A Casa Pedro Kopeaki, localizada no número 869, foi construída em 1933 por Anton Zahler e hoje integra o patrimônio histórico de Jaraguá do Sul.

Um pouco de história
Antes de a casa ganhar este nome, seu primeiro proprietário esteve ligado a um setor que começava a ganhar espaço em Santa Catarina: o transporte rodoviário. Em 1935, Anton Zahler e Heinz Zahler venderam suas linhas de transporte e a frota de veículos para a Auto Viação Catarinense Ltda.. A negociação, registrada no Diário Oficial do Estado, envolvia veículos, os direitos de exploração das linhas e até uma cláusula que impedia a concorrência na região de Jaraguá.
Anos mais tarde, em 1953, o imóvel foi adquirido pelo chefe da Estação Ferroviária de Jaraguá do Sul, Pedro Kopeaki. Por isso, a casa recebeu nos registros de patrimônio histórico o nome de Casa Pedro Kopeaki. Segundo relato familiar, a residência permaneceu ligada ao mesmo sobrenome nas décadas seguintes.

Após a aquisição por Pedro Kopeaki, a residência teve outros moradores ao longo das décadas. Segundo relato de familiares, em um período em que a família Kopeaki esteve fora de Jaraguá do Sul, o imóvel foi ocupado pelo Capitão Lopes, militar responsável pelo recrutamento de homens em idade de servir o Exército. Também pode ter sido ocupada pela família de Oswaldo Heusi, que atuava como gerente do Banco Indústria e Comércio (Inco) em Jaraguá do Sul.
Mais tarde, a família Kopeaki retornou a Jaraguá do Sul e voltou a ocupar a residência. Entre os nomes ligados a essa fase estão Pedro Kopeaki, Hildegard Mayer Kopeaki, conhecida como Dona Muchi, e os filhos Ana Júlia Kopeaki Doege e Denis Roberto Kopeaki.
Nos últimos anos, o imóvel passou a abrigar atividades gastronômicas, mantendo a presença da construção histórica em uma das áreas mais tradicionais de circulação da cidade.
Sobre a construção
A casa possui dois pavimentos e foi construída em alvenaria autoportante, técnica em que as próprias paredes estruturais sustentam a edificação, sem o uso do sistema convencional de concreto armado.
Na fachada, chamam atenção as janelas altas, as molduras ao redor das aberturas, os detalhes geométricos aplicados às paredes, os elementos verticais de acabamento e a cobertura inclinada. A composição reúne características associadas às técnicas construtivas de origem europeia que tiveram influência na arquitetura local.
O imóvel foi tombado pelo Decreto Municipal nº 7.503/2010 e possui nível de preservação 2.
6. Casa Hertel (1935-1949)
Na esquina da Avenida Getúlio Vargas, uma construção acompanha há décadas as transformações da cidade. Com dois pavimentos e características da arquitetura urbana da primeira metade do século XX, o imóvel permanece como parte da paisagem do Centro.
A Casa Hertel, localizada no número 15, foi construída entre 1935 e 1949 e está ligada à família de Walter Hertel e Elsa Moeller Hertel. Até hoje, o imóvel permanece ligado aos descendentes da família.

Um pouco de história
A história da família Hertel em Jaraguá do Sul passa pelo comércio. Em 1911, surgiu a Relojoaria de Paul Husadel, tendo Walter Hertel como responsável pelo empreendimento. Em 1924, ele adquiriu o negócio e assumiu definitivamente a empresa. Com o tempo, a atividade se voltou exclusivamente ao ramo óptico, dando origem às Óticas Hertel, hoje uma das empresas mais antigas ainda em atividade em Jaraguá do Sul.
Essa ligação atravessou décadas e chegou aos dias atuais: a Ótica Hertel ainda mantém sua loja matriz em um dos espaços do casarão, preservando no mesmo endereço parte da relação da família com o comércio da cidade.

Elsa Moeller Hertel também aparece na história comunitária de Jaraguá do Sul. Ela integrou o Clube do Café Moka (Mokka Kränzchen), grupo feminino criado em 1922 e que faz parte da memória cultural da cidade.
O imóvel também foi ocupado por Walter Carlos Hertel, filho de Walter e Elsa, e por Gertrudes Hertel, filha de Walter e Ida Breithaupt. Atualmente, a propriedade pertence à Administradora de Bens Hertel Ltda. e permanece ligada aos descendentes da família.
Sobre a construção
O imóvel possui dois pavimentos, com o térreo voltado para atividades comerciais e a parte superior destinada à área residencial. Na fachada, destacam-se as linhas regulares, as janelas dispostas em sequência, a varanda no pavimento superior e a cobertura com beiral amplo. A construção utiliza ainda a técnica de alvenaria autoportante, na qual as próprias paredes estruturais ajudam a sustentar a edificação.
A localização coloca a Casa Hertel próxima de outros imóveis históricos do Centro, entre eles a Casa José Emmendoerfer e a antiga sede do Banco Nacional do Comércio, formando parte de uma região que ainda concentra diferentes registros da arquitetura de outras épocas.
O imóvel foi tombado pelo Decreto Municipal nº 11.132/2016 e integra o conjunto de construções protegidas pelo patrimônio histórico de Jaraguá do Sul.
7. Casa Hufenüessler (1943)
Na Rua Coronel Procópio Gomes de Oliveira, no Centro de Jaraguá do Sul, um casarão chama atenção pelo tamanho e pelas características preservadas de uma construção da primeira metade do século XX. Conhecido também como Casa Hufenüessler, o imóvel está localizado no número 263 e integra o patrimônio cultural do município.
A história da residência começou na década de 1940 e está ligada inicialmente a Emil Burow. Os registros consultados apresentam uma pequena diferença sobre a data: o cadastro do patrimônio municipal indica 1943, enquanto informações sobre a história do imóvel apontam que a construção teria sido concluída em 1944.

Um pouco de história
Em 1943, Emil Burow adquiriu de Oswaldo Marquardt o terreno onde fica o casarão. A residência foi construída naquele período e permaneceu ligada à família nas décadas seguintes.
Depois da morte de Emil, a propriedade passou para seus descendentes. Em 1971, o imóvel foi partilhado entre os filhos Renata Burow Hufenüssler e Hans Burow.
Anos depois, em 1992, a casa passou para Renata e o marido, Dietrich. Em 1996, a propriedade foi transferida para Monika Hufenüssler, dando continuidade à ligação familiar com o imóvel.
A importância do casarão não está apenas na história de seus moradores. A construção também faz parte de um conjunto de imóveis históricos da região central e ajuda a mostrar diferentes momentos do desenvolvimento urbano e arquitetônico de Jaraguá do Sul.
Com o passar dos anos, o imóvel também recebeu trabalhos de revitalização, realizados para preservar suas características históricas e permitir que a construção continuasse fazendo parte da paisagem da Rua Coronel Procópio Gomes de Oliveira.

Sobre a construção
A Casa Hufenüessler foi construída em alvenaria autoportante. Além das características próprias da edificação, o casarão ganha importância pela relação com outras construções históricas existentes no entorno. O reconhecimento patrimonial do imóvel destaca justamente sua participação nesse conjunto arquitetônico e sua importância como referência para compreender o desenvolvimento da cidade.
Em 10 de novembro de 2015, a Casa Hufenüessler foi tombada como patrimônio cultural de Jaraguá do Sul pelo Decreto Municipal nº 10.622/2015. O imóvel possui Nível de Preservação 2.
8. Casa Victório Pradi (1944)
No final da Avenida Marechal Deodoro da Fonseca, uma das principais vias de Jaraguá do Sul, uma construção de dois andares chama atenção pelo tamanho e pelos detalhes da fachada. O imóvel está ali desde a década de 1940 e permanece como uma das construções históricas da região.
A Casa de Victório Pradi foi construída em 1944 e pertenceu a Victório Pradi e Olívia Chiodini Pradi, comerciantes estabelecidos em Jaraguá do Sul e integrantes de famílias ligadas aos imigrantes italianos que chegaram à região.

Um pouco de história
Victório Pradi nasceu em 1901 e atuou como comerciante em Jaraguá do Sul. Ele faleceu em 1949, aos 48 anos, apenas cinco anos depois da construção da residência, deixando a esposa Olívia e o filho Humberto.
A família Pradi também teve participação na vida profissional e comunitária do município. Humberto Pradi, filho do casal, tornou-se advogado e participou de diferentes organizações sociais e profissionais da cidade, incluindo a presidência da subseção local da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Sobre a construção
Construído em alvenaria autoportante, o imóvel possui dois pavimentos e apresenta características marcantes da arquitetura urbana da primeira metade do século XX. Na fachada frontal, chamam atenção a simetria, as janelas alinhadas, os elementos verticais e os detalhes geométricos utilizados no acabamento.
A distribuição das aberturas, o tamanho da edificação e os detalhes da fachada mostram a influência de técnicas construtivas trazidas pelos imigrantes e incorporadas às construções de Jaraguá do Sul.
O imóvel foi tombado pelo Decreto Municipal nº 7.503/2010 e possui Nível de Preservação 2, classificação que estabelece proteção às características de interesse histórico e arquitetônico da construção.
9. Casa Schmitz (1953)
No Calçadão da Marechal, no Centro de Jaraguá do Sul, um casarão de dois pavimentos guarda uma história que mistura comércio e vida familiar. Durante décadas, o térreo recebeu clientes enquanto, no andar de cima, cresciam os filhos de Waldemiro Schmitz e Hildegard Leutprecht Schmitz.
Finalizada na década de 1950, a Casa Schmitz se tornou endereço de um comércio conhecido por gerações de jaraguaenses e permanece preservada em meio às construções da Rua Marechal Deodoro da Fonseca.

Um pouco de história
A origem do negócio começou antes da mudança para o casarão. A Casa Schmitz funcionou inicialmente em uma pequena sala cedida por Inácio Leutprecht, pai de Hildegard, na Rua João Zapella.
E foi um episódio curioso ajudou a mudar os rumos dos negócios de Waldemiro Schmitz. Ele fez uma encomenda de pregos, mas um erro no pedido acrescentou um zero à quantidade solicitada. Quando a carga chegou de trem, era muito maior do que o esperado; tudo indicava um grande prejuízo.
Porém, durante a Segunda Guerra Mundial, houve falta de pregos no mercado e Waldemiro conseguiu vender o estoque para compradores de diferentes partes do Brasil. O negócio rendeu dinheiro suficiente para que ele comprasse o imóvel na Marechal Deodoro e construísse o sobrado, entre 1954 e 1955, na Marechal.

O imóvel de 360 metros quadrados reunia trabalho e moradia. Na frente, térreo, ficava a loja; nos fundos estavam sala de jantar, sala de visitas e cozinha. Os quartos ficavam no pavimento superior, onde viviam Waldemiro, Hildegard e os filhos. Havia ainda depósito e lavanderia nos fundos.
Por cerca de 60 anos, a loja vendeu uma variedade de produtos, entre eles louças, panelas, potes, brinquedos, cristais e porcelanas. Em determinados períodos, o estabelecimento também comercializou fogos de artifício, armas e munições.
Waldemiro permaneceu diretamente ligado ao negócio até 1979, quando morreu de forma inesperada, aos 61 anos, vítima de um infarto. Depois da morte do marido, Hildegard assumiu a loja e permaneceu à frente do negócio por cerca de 30 anos. Ela morreu em 2010, e o estabelecimento continuou funcionando no casarão por mais dois anos. Posteriormente, um dos filhos ainda manteve a atividade em outro endereço antes do encerramento definitivo.
>> Clique aqui e leia mais sobre a história da casa.
Sobre a construção
A Casa Schmitz é um sobrado construído em alvenaria autoportante. O prédio foi planejado justamente para reunir comércio e residência no mesmo endereço. A loja ocupava a parte frontal do térreo, enquanto os espaços de convivência da família ficavam nos fundos e os quartos no pavimento superior. O terreno ainda comportava depósito, lavanderia e áreas externas.
A Casa Schmitz foi tombada pelo Decreto Municipal nº 7.990/2011 e possui Nível de Preservação 2, o que permite mudanças na construção, desde que as características históricas e arquitetônicas protegidas sejam preservadas.
10. Antiga sede do Banco Nacional do Comércio (1955)
No ponto de encontro entre as ruas Getúlio Vargas, Marechal Deodoro, Marechal Floriano Peixoto e Coronel Procópio Gomes de Oliveira, no Centro, uma construção marcante preserva a aparência de uma época em que os grandes bancos buscavam demonstrar solidez e modernidade por meio da arquitetura.
O prédio que abrigou o Banco Nacional do Comércio (Banmércio) foi inaugurado em abril de 1955, após uma obra iniciada no começo da década de 1950. A construção representou a consolidação da presença da instituição financeira em Jaraguá do Sul e passou a integrar um dos pontos mais simbólicos da área central.

Um pouco de história
Fundado em 1895, o Banco Nacional do Comércio era uma das instituições financeiras tradicionais do Sul do Brasil. A chegada a Jaraguá do Sul ocorreu em 1943, quando a agência começou a funcionar em um imóvel alugado.
Quatro anos depois, em 1947, o banco adquiriu o terreno onde construiria sua sede própria, em uma das esquinas da região central. O projeto foi elaborado pela matriz da instituição, em Porto Alegre, enquanto a execução ficou sob responsabilidade da Construtora Meinecke Ltda., de Blumenau.
A inauguração da sede própria, em 1955, reuniu autoridades, representantes da instituição e moradores, marcando um momento de afirmação da importância econômica da cidade.

Anos mais tarde, o Banmércio deixou de existir como instituição independente. Processos de incorporação levaram à formação do Banco Sulbrasileiro, posteriormente, do Banco Meridional e, por fim, o Banco Santander na década de 2010.
O prédio também ganhou diferentes usos com o passar do tempo; como quando abrigou o Sacramentum Pub, casa noturna voltada ao público apaixonado por Rock. O “Sacra” funcionou naquele prédio entre 2015 e 2017.
Sobre a construção
A arquitetura foi pensada para acompanhar o caráter institucional do prédio. A construção possui fachada ampla, composição simétrica, colunas de destaque, grandes esquadrias e elementos decorativos, entre eles vitrôs com desenhos geométricos.

Pela imponência da construção, o prédio se diferenciava das edificações existentes em Jaraguá do Sul na metade do século XX. A fachada em linhas clássicas, com repetição de elementos verticais e horizontais, criava uma imagem de estabilidade e permanência.
As grandes janelas, os detalhes ornamentais e a entrada central também reforçavam o caráter institucional de um espaço projetado para receber o atendimento bancário, áreas administrativas e as operações da agência.
O imóvel foi tombado pelo Decreto Municipal nº 12.811/2019 e possui Nível de Preservação 2A, classificação que estabelece proteção às características históricas e arquitetônicas da construção, permitindo intervenções desde que sejam preservados os elementos protegidos.
Falando de casarões antigos…
Se você já conhece o Casarão Emmendörfer, no Calçadão, vale lembrar que é justamente ali que está acontecendo a exposição artística e histórica ligada a esta reportagem. E o endereço guarda uma história que atravessa mais de um século.
Construído por volta de 1912, na esquina da Marechal Deodoro da Fonseca com a Rua Coronel Procópio Gomes, o casarão surgiu quando Jaraguá ainda era distrito de Joinville e as ruas daquela região eram de chão batido. O imóvel foi residência da família Emmendörfer, mas também teve uma vida comercial bastante movimentada: já abrigou hotel, restaurante, comércio e até uma fábrica de bombons, considerada a primeira da cidade.

E tem mais: foi no pavimento superior da casa que aconteceu a primeira missa da Paróquia São Sebastião. O espaço também recebeu a escola paroquial da cidade até 1919.
Depois de diferentes usos, o casarão ficou fechado por anos após a saída da loja Lolita, em 2012. Mais recentemente, passou por um processo de restauração que preservou características da construção e preparou o imóvel para uma nova fase, novamente ligada à circulação de pessoas, comércio e atividades culturais.
>> Quer conhecer toda a história? Leia a reportagem completa do JDV sobre o Casarão Emmendörfer.
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A cidade está recheada de casarões antigos e histórias que ainda merecem aparecer por aqui. Sentiu falta de alguma construção nesta lista ou conhece uma casa cuja história você gostaria de ver contada? Escreva para redacao@nascecom.com.br e mande a sua sugestão. Vamos adorar descobrir novos endereços e, quem sabe, preparar uma parte 2 desta lista! 😉
Como isso impacta a sua vida?
Uma cidade não conta sua história apenas em livros e fotografias antigas. Ela também está nas casas, fachadas e detalhes arquitetônicos que permanecem de pé. Preservar esses imóveis é uma forma de manter parte da memória de Jaraguá do Sul presente justamente no espaço onde a vida da cidade continua acontecendo.
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>> Nota da redação: Ferramentas de inteligência artificial foram utilizadas como apoio editorial na organização de informações e cruzamento de dados. Porém, a pesquisa, análise, redação e edição do conteúdo foram realizadas pela equipe jornalística do JDV, com base em registros históricos e informações das fontes consultadas.

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