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Matheus Sabbá: antes de morrer aos 30, ator e diretor relembrou obra sobre infância e afeto
Pouco antes de morrer aos 30 anos, o ator e diretor Matheus Sabbá voltou às redes sociais para lembrar um trabalho que colocava a infância no centro da cena. A publicação recuperava a experiência com a ópera O Menino Maluquinho, inspirada no personagem criado por Ziraldo, e uma reflexão sobre amor, educação e a forma como uma criança aprende a enxergar o mundo.
A lembrança ganha outro peso após a morte do artista, ocorrida em 28 de outubro. Amazonense, Sabbá construiu carreira no teatro musical, na ópera e no cinema, com trabalhos em diferentes estados brasileiros. A causa da morte não foi divulgada.
Nas redes sociais, amigos e pessoas que acompanharam sua trajetória passaram a recuperar também outras faces dessa carreira. Em uma das homenagens, Matheus foi definido como um “artista brilhante”, sonhador e com “brilho no olho”. Outra publicação lembrou que ele representou o Amazonas em um encontro de teatro musical em Belém e chegou ao palco de Wicked, no Teatro Renault, em São Paulo.
Para Jaraguá do Sul, a trajetória dele tem uma ligação recente. Em janeiro deste ano, Matheus assumiu a direção de cena de Onheama, apresentada no Festival Internacional de Música de Santa Catarina (Femusc), no Grande Teatro da SCAR.
O Menino Maluquinho e a infância vista por Matheus Sabbá
Matheus Sabbá dirigiu O Menino Maluquinho em 2022, no Festival Amazonas de Ópera, em Manaus. No ano seguinte, voltou à obra em uma montagem apresentada no Theatro da Paz, em Belém.
Na visão de cena assinada por ele para a montagem de Belém, Sabbá partia de uma infância cercada de amor, imaginação e liberdade. A proposta buscava enxergar os espaços, as relações e o cotidiano a partir do olhar do próprio Maluquinho.
A ópera tem música de Ernani Aguiar e libreto de Maria Gessy de Sales. Inspirada no personagem de Ziraldo, acompanha uma criança curiosa e inventiva e transforma elementos conhecidos da obra literária em linguagem musical e cênica.
Foi esse universo que Matheus voltou a destacar em uma de suas publicações antes da morte. Ao relembrar a obra, o ator e diretor retomou uma mensagem sobre o que uma criança precisa encontrar ao crescer. Em vez de aprender a apontar uma arma ou a julgar os semelhantes, a reflexão apresentada por ele colocava amor e educação no centro dessa formação.
A publicação ganha força justamente por dialogar com uma linha que atravessava seu trabalho artístico: olhar para temas sociais a partir do palco, sem separar criação, formação e o mundo fora do teatro.
De Manaus aos palcos de diferentes regiões do Brasil
Natural de Manaus, Matheus Sabbá era formado em Teatro pela Universidade do Estado do Amazonas. Sua carreira passou pelo Festival Amazonas de Ópera, Theatro Municipal de São Paulo, Theatro São Pedro, produções de teatro musical e pelo cinema.
No próprio Instagram, Matheus se apresentava de forma direta como “Ator e Diretor”. A bio também reunia as áreas que marcaram sua trajetória: teatro musical, ópera e cinema, além das referências a São Paulo e ao Amazonas. Entre os trabalhos e instituições destacados pelo próprio artista estavam O Último Azul e o Femusc.
Ele também integrou o elenco de O Último Azul, dirigido por Gabriel Mascaro e com Rodrigo Santoro no elenco. O longa recebeu o Urso de Prata no Festival de Berlim.
A passagem pelo teatro musical também aparece nas lembranças deixadas após sua morte. Um dos comentários publicados em seu perfil recorda que Sabbá representou o Amazonas em um Encontro Norte de Teatro Musical, realizado em Belém, e depois atuou em Wicked, no Teatro Renault, em São Paulo. A homenagem descreve sua morte como uma perda imensurável.
Outra manifestação resume o impacto pessoal deixado pelo artista fora dos palcos. “Estou sem acreditar”, escreveu uma pessoa ao saber da morte. Na sequência, ela descreveu Matheus como alguém cheio de vida, carinhoso e iluminado.
Os relatos ajudam a completar uma trajetória que não ficou restrita a uma função. Na direção, Sabbá esteve à frente de trabalhos como Dessana, Dessana, A Caixa Mágica do Natal e O Menino Maluquinho. Como ator, transitou pelo teatro musical e pelo cinema. Na ópera, construiu uma ligação que o levaria também a Jaraguá do Sul.
Matheus Sabbá teve ligação recente com Jaraguá do Sul
A relação com Jaraguá do Sul ganhou força nas duas últimas edições do Femusc. Em 2025, Matheus trabalhou como assistente na produção de Madama Butterfly. Neste ano, assumiu a direção de cena de Onheama, de João Guilherme Ripper.
Apresentada nos dias 23 e 24 de janeiro no Grande Teatro da SCAR, Onheama marcou a primeira vez em que uma ópera brasileira ocupou o destaque central da programação do festival. Mais de 80 artistas participaram da montagem.
A obra levou ao palco uma narrativa inspirada na mitologia amazônica. Para Sabbá, dirigir a produção também significava levar elementos da região onde nasceu a um público distante daquela realidade. O trabalho acabou se tornando uma das últimas grandes direções de sua carreira.
Após a morte, o Femusc lembrou a participação do diretor nas produções do festival e destacou a marca deixada por ele na trajetória artística do evento. O diretor artístico Alex Klein também ressaltou a criatividade, a imaginação e a capacidade de liderança de Sabbá.
As homenagens publicadas no perfil do artista ajudam a dimensionar essa impressão. Uma delas o definiu como um artista brilhante e sonhador. Outra destacou sua passagem por diferentes palcos, do Amazonas a Belém e São Paulo.
Como isso impacta sua vida?
Para quem acompanhou o Femusc em Jaraguá do Sul, Matheus Sabbá não foi apenas um nome distante do teatro brasileiro. Foi o diretor responsável por colocar uma narrativa amazônica no principal palco do festival em 2026.
Ao voltar a O Menino Maluquinho pouco antes da morte, ele também deixou registrado um tema que atravessou parte de seu trabalho: a infância vista pela arte, pela imaginação, pelo afeto e pela educação.
E as mensagens deixadas após sua morte ajudam a completar esse retrato. O artista que passou por Jaraguá também foi lembrado como sonhador, carinhoso, cheio de vida e alguém que carregava brilho no olhar.




