Cotidiano | 05/05/2026 | Atualizado em: 05/05/26 ás 10:57

Educação menstrual ganha destaque na literatura infantojuvenil

“O Diário de Adelaine”, escrito pela fisioterapeuta especialista em saúde pélvica e sexualidade, Berenice V.S. Meurer, transforma a menarca em ponto de partida para conversas sobre corpo, consentimento e autonomia feminina

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Educação menstrual ganha destaque na literatura infantojuvenil

Como a forma que a mulher é vista na sociedade é influenciada pela forma que a menstruação é tratada na vida das meninas e mulheres? Falar sobre menstruação ainda é um desafio em muitas famílias e ambientes escolares. Cercado por tabus e desinformação, o tema costuma ser evitado justamente no momento em que meninas mais precisam de orientação.

Segundo pesquisa da Johnson & Johnson Brasil, cerca de 57% das brasileiras se sentem sujas ao menstruar – o que reforça esse estigma. É nesse contexto que o livro infantojuvenil O Diário de Adelaine, escrito pela fisioterapeuta pélvica e especialista sexualidade humana e saúde da mulher, Berenice V.S. Meurer, surge como uma ferramenta de apoio para ampliar o diálogo sobre educação menstrual de forma acessível.

A autora aposta na fantasia, com um toque de conto de fadas, para conduzir uma narrativa que dialoga com jovens sobre a menarca, saúde, dignidade menstrual, consentimento, autonomia e sexualidade, a fim de romper padrões geracionais de silêncio sobre o corpo das mulheres. Na história, as leitoras acompanham Adelaine uma jovem que cresce em um reino onde emoções, arte e o universo feminino foram apagados. Ao vivenciar a primeira menstruação, ela é expulsa pelo rei e passa a trilhar uma jornada de descoberta em meio a floresta. É neste lugar, acolhida por mulheres que viviam na floresta que a menina entra num espaço simbólico em que os ciclos e o conhecimento ancestral feminino são valorizados.

A partir desse encontro, a narrativa se desdobra como um percurso de aprendizagem e reconexão. Em contato com outras figuras femininas, Adelaine passa por um processo de escuta, troca e construção de conhecimento que envolve desde aspectos práticos do funcionamento do corpo até dimensões emocionais e simbólicas do amadurecimento. A experiência coletiva se torna essencial para que a protagonista compreenda suas transformações sem medo, repulsa, vergonha ou julgamento.

“O livro contribui para que as meninas iniciem seus ciclos menstruais com mais amor-próprio, consciência e conhecimento sobre o corpo, além de ser uma ferramenta para abrir conversas na família e na escola. Muitos pais e mães não sabem por onde começar a conversar com as filhas, então esta é uma forma de se aproximar do universo feminino e melhorar as relações familiares. Talvez só teremos uma real dignidade enquanto seres humanas, quando os nossos ciclos forem vivenciados de forma digna e possamos integrar o real poder e a responsabilidade de gestar, afirma a autora.

Com ilustrações da artista plástica Tatti Simões, a autora compartilha temas informativos por meio de um enredo leve e repleto de aventuras. Entre as questões, aborda as diferenças entre as quatro fases do ciclo (menstrual, folicular, ovulação e lútea), sintomas mais comuns da TPM, sinais que precisam de atenção especializada e as responsabilidades de uma relação íntima. Outro ponto de destaque é a crítica às estruturas que historicamente silenciaram o conhecimento da mulher – ao trazer um reino marcado por repreensão e controle patriarcal, a especialista estabelece paralelos com realidades em que o acesso à informação ainda é restrito.

Mais do que uma fantasia com conteúdo educacional, O Diário de Adelaine convida as leitoras a escreverem sobre os próprios sentimentos e as mudanças do corpo durante o processo de amadurecimento, no intuito de ajudar na percepção das transformações e no entendimento sobre a saúde. Assim como a protagonista fez em um diário durante a jornada, as jovens podem discorrer de forma livre sobre emoções e sintomas físicos para, anualmente, observarem as ondulações do ciclo. Essa prática estimula o autoconhecimento e contribui para que as meninas desenvolvam uma relação mais consciente, respeitosa e informada com o próprio corpo.

FICHA TÉCNICA
Título: O Diário de Adelaine
Autora: Berenice V.S. Meurer
ISBN: 978-65-5872-757-6
Páginas: 100
Preço: R$ 69,90
Onde comprar: Site do livro

Sobre a autora: Berenice Shakti é escritora, fisioterapeuta pélvica e professora de yoga desde 2006. Especializada em fisioterapia uroginecológica e sexualidade humana, atua no atendimento de mulheres em diferentes fases da vida, com foco em saúde íntima, gestação e autoconhecimento. A partir da experiência clínica, passou a desenvolver projetos voltados à educação do corpo feminino e à construção de uma relação mais saudável com a própria feminilidade. É autora de O diário de Adelaine, com mais de 30 mil exemplares vendidos no Brasil de forma independente, e de Cartas para Adelaine, obra que amplia esse trabalho ao propor o diálogo entre gerações sobre puberdade, autocuidado e desenvolvimento emocional.

Redes sociais:
Instagram autora: @berenice.shakti
Instagram livro: @odiariodeadelainelivro

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